WOM Electric Eye – Hourswill – “Now That I Feel”

Apesar de não ter sido eu a começar esta série de artigos “Electric Eye” a minha visão para eles seriam de pegar em temas que tivessem videoclip e divagasse um pouco sobre a música, sobre obviamente e sobre o conceito do mesmo. Algo que já tinha feito muitos anos atrás num dos meus blogs pessoais. A diferença dessa altura para agora, era que os temas/vídeos escolhidos eram sempre aqueles que tinham já algum impacto dentro de mim, quer em termos visuais, musicais ou de conceito até. Agora estamos a navegar em mares desconhecidos e a pegar em temas que estamos a ouvir pela primeira vez (não é o caso agora) e em que vemos os vídeos pela primeira vez.

Este tema é o mais emocional (e emocionante) do último álbum dos nossos Hourswill e até, arrisco em dizer, o mais emocional de toda a sua carreira. Retirado do mais recente álbum, “Dawn Of The Same Flesh”, este tema é aquilo que podemos considerar uma power ballad, algo que se perdeu um bocado a tradição de fazer nos tempos mais recentes. A emotividade de Leonel Silva é bem patente e ajuda a que a intensidade ainda seja maior, para além da excelência musical do resto da banda – terei de salientar o solo de Tainan Reis. Ainda de destacar a participação de Neide Rodrigues que dá ainda mais intensidade à música.

O vídeo, realizado por João Valentim Rodrigues (que também tratou da edição) e João Moreira, foi filmado a preto e branco, dando mais impacto dramático e além de vermos a banda a tocar, com especial destaque para Leonel e Neide no momento do refrão, conta ainda com a participação de Soraya Moon e Mary Neiman, duas bailarinas talentosas que são conhecidas por diversas participações no nosso underground. A intensidade da música e da performance (tanto da banda como das já mencionadas bailarinas) salienta mais os estranhos tempos que vivemos, onde uma sociedade que cresceu cada vez mais individualista se vê agora isolada. Situação aliás que antes acabava por ser dissimulada. Agora que sentimos o que é a verdadeira isolação, será que isso vai mudar algo naquilo que vamos fazer no futuro? Ou será que vai voltar tudo ao ponto inicial?

Não há como saber, mas provavelmente as coisas nunca mais serão as mesmas. Algo que no fundo sabíamos (ou pelo menos deveríamos todos saber). A nossa invencibilidade é uma ilusão, como sempre foi. Não controlamos nada e somos controlados por circunstâncias que nos regem cegamente. Se antes não sentíamos, era porque queríamos estar adormecidos. Agora é mesmo o melhor momento para sentir e para ver o quão distantes estamos do ideal como pessoas, como sociedade.

Não creio que esta seja, taxativamente, a mensagem da música, mas a boa música é sempre aquela que nos faz extrapolar para a realidade que nos rodeia. “Dawn Of The Same Flesh” foi lançado pela Ethereal Sound Works e é retrato da qualidade enorme que temos no nosso underground.

Texto Fernando Ferreira
Foto Joana Marçal Carriço


 

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