WOM Entrevista – Mercic

“Mercic 5”, marca o regresso de Carlos Maldito com o seu único e fantástico projecto Mercic! A World Of Metal, como não poderia deixar de ser, esteve à conversa com o mentor desta entidade do metal industrial nacional. Por Miguel Correia

Esta quase a fazer um ano desde que falamos ainda no âmbito da nossa rubrica Garage World, a minha pergunta não poderia ser outra, mas o que mudou desde aí?

MERCIC continua a ser um projecto que se encontra muito escondido, no anonimato, e com um crescimento lento. Vai sendo apelidado de interessante, obtendo reviews boas e criando pequenos pilares aqui e ali, mas talvez por não ser de audição fácil e pelo facto de não ter videoclips ou singles promocionais, certamente não ajudar, mas é mesmo assim a filosofia do projecto desde o seu início. É algo em que acredito tanto, que me fez focar a 100% em tudo o que rodeia este projecto. Persistência, insistência e decência.

Continuas a ver a cena nacional e sentes que Mercic continua a ser um projecto com uma identidade muito própria?

Sem dúvida. Curiosamente a malta que descobre e gosta tem uma linha coincidente de conversa que começa com: não imaginava que fosse tuga, não parece nada… Pelos vistos MERCIC não se insere em caminho nenhum por cá… porque há uma tendência/necessidade de agrupar as bandas a numa categoria ou a um espectro sonoro previamente definido e MERCIC é lixado nisso.

Vamos falar então do novo disco e mais uma vez um trabalho com uma direção musical muito própria. É este o teu caminho?

Sim, MERCIC é o meu reflexo, um álbum vai de uma balada de piano a death metal, e isso reflecte o vasto espectro sonoro que me envolve e no que não se enquadra no que se vê habitualmente no panorama underground…sinceramente não quero saber, porque nunca quis ou pedi para me enquadrar no que quer que fosse, desde que tenha qualidade, e a meu ver é MERCIC! Uma das críticas ao 2º álbum dizia que MERCIC estava no bom caminho, mas precisava de traçar um caminho sonoro porque abrangia demasiadas coisas diferentes. No álbum seguinte o mesmo reviewer escreveu que o que tornava MERCIC tão único era o conjugar de vários estilos e conseguir ter um fio condutor entre eles. O que quero dizer com isto é que as pessoas depois de ouvirem percebem que isto não é uma mistura inconsciente de estilos, é um mergulho intencional em vários territórios que me dizem algo enquanto ouvinte.

Como defines então “Mercic 5”?

Um álbum trabalhado ao detalhe, com uma constante aura sombria, frio, triste e raivoso, o meu trabalho mais intimista e que chega a ser tão directo e pessoal que custa mesmo a ouvir, muito verdadeiro com a minha pessoa e com o que me rodeia. Sem dúvida o álbum que mais me orgulha ter feito.

Pelo que acompanhei foi um processo muito ponderado e por vezes a roçar a “insegurança” da tua parte quanto à composição das músicas, foi assim?

Durante a gravação ponderei muita coisa. Este álbum consumiu-me a alma até eu não ter mais a certeza das coisas, mas após dar o passo de me dedicar apenas a isto decidi que este álbum tinha de ser o grito pessoal que estava entranhado na minha garganta há muito tempo. Um livro honesto desde a primeira à última página, abrindo portas a colaborações não porque andasse à deriva, mas porque queria ter inputs diferentes de pessoas que respeito muito, sem medo de arriscar.

Qual a melhor música para ti deste “Mercic 5”?

Não sei se é a melhor, mas tenho de escolher a “The Arrival of the Signs” pela brutal honestidade da letra, por ter os primeiros sons do meu filho e pela parte final que acho ser linda e cativante.

Há por aqui, mais uma vez coisas muito, muito interessantes musicalmente e o que eu pensei ao ouvir foi que isto merecia chegar a outro patamar…queres comentar?

Sinceramente temos de ter noção do que fazemos e eu concordo sem qualquer tipo de arrogância, se há coisa que não abro mão é da ideia que com MERCIC tenho algo decente e que certamente não me envergonha em nada, muito pelo contrário. Nestas composições noto em mim mesmo uma clara evolução.

Continuam as letras de Mercic a ser um espaço para descarregares as tuas emoções num todo ou desta vez são mais direcionadas?

Continuam a ser o meu escape da rotina, mas neste álbum são concretamente mais direccionadas e duras até. Vivi no “deixa andar” anos a fio e não percebi que levei a reboque uma série de coisas que já estavam mortas e em decomposição há muito tempo. Estava apegado a rotinas e agora vejo que deveria ter tido uma atitude mais firme e este álbum representa o romper com o passado e um passo certo para o futuro.

Foi um passo em frente na tua carreira de músico?

Sem dúvida. Sinto-me livre e renascido, sem barreiras para quebrar, para que as minhas ideias sigam o seu caminho.

Não sendo dependente da música para viver mas ainda assim o que gostarias de ver de diferente na cena nacional?

A qualidade técnica suprimiu a qualidade humana sem dúvida. A mesquinhice tomou conta das redes sociais em constantes guerrinhas de palavras que só servem para dividir um meio por si já dividido por egos. O que gostaria de ver era um puro crescimento de interesse e aposta por parte do público e promotores em procurar o que por cá se faz de original. Noutros estilos cada vez vê-se mais a aposta na originalidade (seja ela boa ou má não me cabe a mim julgar) e a coisa parece estar a dar resultado.

Quais os teus planos para o futuro?

Colocar MERCIC na estrada, algo que já está a criar estrutura e vai acontecer ainda este ano.


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