WOM Perfil – Rui Belchior

Ele é um dos grandes valores da nossa música nacional. Bastante activo no nosso underground e tendo passado por bandas como Okkultist e agora como guitarrista dos Beyong Strength, Rui Belchior é presença assídua nos mais diversos palcos nacionais. Fomos falar com ele para melhor percebermos o seu percurso e projectos futuros. – por Fernando Ferreira / Fotos pos Sónia Ferreira

Olá Rui e bem vindo ao nosso World Of Metal. Gostava de começar esta entrevista pelas tuas origens. Como é que te apaixonaste pela guitarra? Houve algum acontecimento ou banda que tenha sido fulcral na tua introdução ao instrumento?

Boas a todos da WOM e a todos os seguidores ! Antes de mais, quero agradecer a oportunidade e congratular a WOM pelos fantásticos trabalhos. É um prazer seguir-vos. No que diz respeito às minhas origens musicais até podia contar aqui uma cena épica, em que eu quando nasci foi num palco de (insert trve metal band name here), e me apaixonei pela guitarra e deixei crescer os cabelos para aos 5 anos já estar a destruir palcos, mas não. Na verdade tinha 14 anos sensivelmente e sendo já um apreciador de metal/rock, comecei a tocar quando em férias convivi com familiares que tocavam em bandas de baile. O guitarrista era brutal e tocava umas metaladas. Então comecei a apanhar a “come as you are” num cavaquinho que havia e quando cheguei de férias, os meus pais compraram me uma guitarra rasca para eu aprender, e para mal deles, um amplificador também. O resto é história, nada de novo… fiz o caminho de auto aprendizagem normal num mundo sem youtube nem “guitar lessons online”.

Por que bandas é que já passaste e quais foram as que te marcaram mais?

Já tive algumas bandas para dizer a verdade. Posso enumerar cronologicamente:Comecei com uma banda de escola chamada Disgore, e depois Red Faction. Depois, por causa do meu serviço militar tive de parar com bandas durante uns anos. Com bandas mas não com a guitarra. Eu levava a minha guitarra (já bem melhor que a primeira (risos) ) para as missões e sempre que podia incomodava os meus camaradas. Depois tive os Trial By Fire, e toquei 5 anos numa banda de covers rock/metal, os “T.P.M.” na qual que a nossa amiga Mafalda (KarbonSoul) foi vocalista.  Foi muito bom e aprendi muito em palco. Fundei os Beyond Strength Tributo a Pantera e depois passei por Okkultist. Todas me marcaram bastante. Mas Beyond até agora foi a que me marcou mais sem dúvida. Por tudo o que aprendi e tenho apendido. Como músico e como pessoa.

Recentemente abandonaste os Okkultist para te dedicares exclusivamente aos Beyond Strength. Ponderas voltar a tocar numa banda de originais?

A razão por ter saído dos Okkultist não foi para me dedicar exclusivamente aos B.S.. Simplesmente optei por abandonar por uma questão de pontos de vista diferentes e formas de trabalhar diferentes. Saí a bem e sem stresses:). Fiz bons amigos lá e mantenho. Foi mesmo uma questão pessoal. Sempre consegui coordenar as datas das duas bandas e ambas conviviam sem stress. E sim. Não só pondero voltar a tocar como já estou a dar os meus 100% na banda de originais que estou a montar é nisso que me estou a focar agora.

Tendo estado nas duas peles, tocar originais ou covers, como descreves a sensação de tocar uma música que tu criaste em relação a uma cover?

Eu sei qual a resposta correcta a esta pergunta (risos). Mas vou dar a minha resposta:  Numa banda em que criei as músicas, sinto prazer imenso quando a malta se identifica e gosta do trabalho. Gosto quando isso se reflete e vejo a malta a divertir-se.  Obvio que o sentimento de realização se apruma neste caso e acho que nenhum músico consegue descrever este sentimento. Quando toco covers (e vou falar das covers que toco) também sinto muito prazer. Não só porque estou a fazer um tributo a uma banda que me ajudou a crescer enquanto músico, mas porque me dá realmente gosto interpretar os temas de Pantera e poder mostrar um pouco como poderia ser um gig desses reis. Não porque imito, mas porque sinto mesmo que estou a fazer uma homenagem a quem merece. Isso também me deixa realizado. Resumindo, gosto de me divertir a fazer o trabalho que estiver a fazer em cima de palco e sinto me realizado quando a malta também se está a divertir. Isso para mim é tudo. Quem já me viu ao vivo sabe que eu dou 200% em palco e nunca por obrigação. Sempre por feeling e gosto!

É inevitável falar disto até porque já estiveste nas duas posições. O que achas de todas estas polémicas entre as bandas de tributos e os originais?

Claro que sim, eu percebo a questão. É pá… acho que cada vez fazem menos sentido. Ao fim do dia somos todos músicos. Respeito o trabalho dos meus colegas independentemente do que tocam. Se respeitam o meu ou não… epá… já tive muito mais preocupado. Se a guerra é entre as bandas e alguma banda se sente ameaçada pela presença dos tributos ou originais então lamento dizer, mas essa banda pode estar a fazer algo de errado. É altura de rever a estratégia de promoção ou por vezes os comportamentos que os elementos expõem. Isso as vezes pode comprometer uma banda. Agora acho que não se deve culpar o público como tenho visto. Deve-se sim, dar liberdade para as pessoas verem e ouvirem o que querem. A liberdade no fundo é isso… Quem quer vai, quem não quer não vai. Eu faço isso com a minha vida…  Estamos a viver uma fase em que em toda a gente clama por liberdade, mas no fundo acaba por culpar ou “obrigar” os outros a fazer o que queremos ou a pensar da maneira que pensamos. Isso não é liberdade. O que me interessa neste momento é poder mostrar que se pode tirar o melhor dos dois mundos. Isto para publico, promotores, bares e músicos no geral.

Sabemos que também tens planos que visam a integração entre esses dois espectros. Podes falar-nos mais em detalhe disso?

Tenho sim. Desde há uns tempos para cá tenho conseguido levar bandas de originais para datas que já tinha na agenda com B.S. Ou seja, tenho levado bandas como os Drunk Circus, Tytan Shift; Revenge of The Fallen e agora no dia 13 de março os Beyond Carnage, a fazer a data em conjunto connosco. Assumo as responsabilidades, promoção dos eventos e despesas. Acho que pode ser construtivo uma vez que a malta que nos vai ver, pode também pelo mesmo preço ver duas bandas. E essa banda de originais vai ter público novo a ver, a ouvir, a comprar merch, a pesquisar a banda etc… A nós B.S. é igual. Nós tocamos o mesmo tempo de reportório e às mesmas horas que tocamos normalmente quando tocamos sozinhos . Mas a ideia é dar os 45 minutos a uma banda que noutras ocasiões não teria oportunidade de tocar. Portanto lá está, se o argumento é que os tributos roubam slots aos originais, neste caso não se aplica. Até é bem ao contrário. Tenho feito muito isto no RCA (agradecimento ao Staff) e tem corrido super bem. Excelente ambiente entre as bandas, o público tem reagido muito bem e as bandas saem sempre contentes. As bandas que convidamos e nós (B.S.). Tem sido muito produtivo e sinto me realizado quando vejo que a malta está a comprar o merch dessa banda, que esta ali a curtir o som deles e que se está tudo a divertir. Acho que poderia ser um bom exemplo a tomar e uma boa formula que ajuda todas as partes.

Mais planos para o futuro, o que ambicionas fazer?

RUHIN ! É isto que ambiciono fazer. É o nome da banda de originais que estou a montar. Estamos numa fase criativa já avançada e queremos ver se até ao fim do ano nos lançamos em força. Não vou já adiantar nomes de elementos mas posso dizer que temos a formação completa e que tudo vai muito bem. Queremos bem feito e sem pressões ou metas surrealmente imposta. Qualquer das formas fiquem atentos. Estamos a dar corpo e alma. Depois gostava também de me reformar e ser rico. Mas isso é mais complicado. (risos)

Próximos concertos, onde vais andar e o que nos podes revelar até ao momento?

Neste mês de Março vou estar no RCA CLUB dia 13 a tocar com Beyond Strength e a nós juntam se os Beyond Carnage. Mais uma vez na formula que falei. Originais e tributos. Depois vou estar no Algarve, dia 28 no BAFO DE BACO também com Beyond. Um muito obrigado a todos da WOM e a quem vos segue. A quem me segue a mim, um muito obrigado pela força e amizade. A cena é a malta passar bons bocados e divertir-se.


 

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