Report

WOM Report – Bilha d’Aço 2026 – Dia 2 @ Sociedade Musical e Desportiva de Caneças – 28.03.26

Ler reportagem dia 1

Depois de um grande primeiro dia, a expectativa estava bem alta para este segundo e à hora prevista para o início (iniciou-se ligeiramente mais tarde) já a afluência à Sociedade Musical Desportiva de Caneças era considerável, assim como o público presente à frente do palco para receber os Capela Mortuária. Desconcertantes e descontraídos na sua atitude e bastante letais na sua música (que estava com um volume estupidamente alto), a banda de Braga demonstrou como a cena do Poço continua viva e das mais brutais do país. “Ódio” e “Ego” já são obrigatórias para meter o caos a mexer e ainda se teve direito como brinde, uma “Troops Of Doom” demolidora onde o vocalista João Carlos fez stage diving e crowd surfing enquanto cantava. Um início a superar a fasquia que já estava bastante elevada.

Mestres da mistura entre a brutalidade e o groove, os Equaleft foram os que se seguiram, sofrendo com alguma debandada que houve após a actuação dos Capela Mortuária. Experientes na sua arte e alheios a isso, Miguel Inglês e os seus pares não vacilaram e deram um concerto a roçar a perfeição. O som no ponto, e a banda a despejar clássicos (como “Fragments” dedicado a João Pedro, ex-W.A.K.O., “To Step”, com Paulo Rui de Avesso e Besta a partilhar as vocalizações com Inglês, “The Chameleons” e “We Defy” a encerrar a actuação ) misturados com temas do último álbum “Momentum” (destaque para “Wavering”) com a intensidade que já lhes é reconhecida acabaram por trazer o público de volta em bom número para a frente do palco. No final, claro, os míticos húngaros a serem distribuídos.

“Boa noite Caneças! Bilha D’Aço, bem vindos ao ritual da Besta!” O chamado inicial por parte de Paulo Rui antes de começar a brutalidade. Os Besta são obrigatoriamente um ponto alto em qualquer que seja o cartaz onde marcam presença. Com a já habitual metralhadora de temas e sem dar espaço para respirar, Paulo Rui foi o comandante de uma unidade coesa e implacável, não dispensando ele o bom humor e entrega cada vez que se dirigia ao público – como quando disse “estamos a chegar ao fim, faltam 27 músicas” ou quando fez crowdsurfing enquanto cantava. “Terra Em Desapego” foi um disco diferente na discografia da banda (com temas mais longos e com mais dinâmicas) mas a inclusão de temas seus no alinhamento não diminui nada a sua intensidade, muito pelo contrário. Como sempre, uma das actuações do cartaz.

Thormentor é um dos nomes míticos da música extrema nacional. Uma carreira que alguns dirão que acabou cedo demais após o lançamento do álbum de estreia “Abstract Divinity”. No entanto a sua carreira tem muitos outros pontos de interesse. Se podemos ser críticos ao revivalismo nas artes em geral e na música específicamente, aqui esse mesmo saudosismo sabe muito bem. Não só ouvir ao vivo e com uma qualidade sonora excelente temas do dito álbum de estreia como também ainda ouvir temas das demos como do EP e ainda malhas novas (como a “Large Hadron Colider” e a “Prisms”, esta última tocada ao vivo pela primeira vez. Miguel Fonseca foi bastante comunicativo com o público, dando de detalhes muitas vezes sobre os temas, inclusive sobre a cover “Troops Of Doom” (tocada pela segunda vez neste segundo dia do Bilha D’Aço), como o primeiro álbum dos Sepultura revolucionou e influenciou a banda.

A terminar o dia, vieram os Ramp, a banda mais aguardada do cartaz de todo o festival. O público que se concentrou em profusão em frente ao palco começou logo a mexer assim que “In sane”, um dos momentos mais inspirados de “Nude” começou no seu crescento de intensidade. A experiência da banda de Rui Duarte e o seu entrosamento, apesar de todas mexidas de formação ao longo dos anos, é bem assinalável e o seu reportório apesar de ser algo curto para uma banda com quase quarenta anos de carreira (apenas cinco álbuns lançados, seis se contabilizarmos o EP “Thoughts” com os temas extra – curiosamente o único lançamento a ficar fora do alinhamento), é simultaneamente vasto por apresentar uma qualidade bem acima da média. De “Evolution Devolution Revolution” ao incontornável “Intersection”, foi um desfilar de clássicos e garantia de dinâmica graças a canções como “Dawn”, “Black Tie” e “Alone”, sem esquecer as já habituais covers “Anjinho da Guarda” (António Variações) e “Try Again” (Spermbirds).

Não houve surpresas e isso é bom. Os que estiveram presentes sabiam precisamente o que queriam ter e foi isso que tiveram, um concerto de uma das grandes bandas nacionais, que fechou com chave de ouro uma segunda edição do Bilha D’Aço, que viu o festival crescer, com mais um dia e com mais público, e que estabeleceu definitivamente Caneças como uma paragem obrigatória nos anos que virão.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Viral Propaganda PR & Bilha D’Aço

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.