WOM Report – Blame Zeus, Cinemuerte, The Fuzz Dogz @ RCA Club, Lisboa – 16.11.19

É sempre um prazer para nós estarmos presentes nos momentos em que uma banda nacional celebra o lançamento de um seu trabalho. No caso da noite de Sábado, no RCA Club, eram os Blame Zeus que apresentaram em Lisboa o seu terceiro álbum, o excelente “Seethe”, que faz parte do nosso Top 20 para Novembro – poderão ler a crítica aqui. Já tivemos a oportunidade de ver a banda do Porto diversas vezes ao vivo mas a expectativa para este concerto era enorme. Não só para comprovar o poder de “Seethe” – já tivemos anteriormente oportunidade de ouvir alguns temas em concertos – como também o facto de se terem rodeado com duas grandes representações do nosso underground nacional, Cinemuerte e The Fuzz Dogz.

Foi o duo lisboeta o primeiro a subir ao palco, infelizmente com uma sala com pouco público a assistir. Não foi algo que tivesse impacto no poder com que o stoner/fuzz rock característico da banda tem por natureza, tal como se pode comprovar no álbum de estreia, “Basement Blues Pt.1”, trabalho que esteve em evidência. Um rockão onde as vozes de Marco Resende (guitarra) e Pedro Gonçalves (bateria) que nos leva ao sentimento primordial do género, com aquele travo do sul dos E.U.A. e com o espírito do blues omnipresente em canções já inevitáveis como “Voodoo Heart”. Os The Fuzz Dogz são uma banda que se materializou nos discos em 2019 e da qual se espera um grande futuro, com muitas indicações para tal no presente.

Com já mais público presente, foi chegada a vez de Cinemuerte, uma banda que também editou em 2019 um excelente álbum, “Refúgio” mas foi com um tema do terceiro álbum “Wild Grown”, “One & Only” que deram andamento a uma actuação forte e representativa do lado mais energético da banda. Após o grande groove de “Underwater” da estreia “Born From Ashes”, a banda mergulhou até ao final da sua actuação em “Refúgio” onde destacamos a forma como “Me, Myself And I” foi recebido pelo público e também indicação da forma como estes novos temas nasceram para brilhar em cima do palco.

Sophia Vieira é uma força da natureza em cima do palco, a sentir a música que a banda à sua volta cria e deitando cá para fora a sua alma. Algo que até nos surpreende pela sua confissão de não estar muito à vontade na comunicação com o público, isto quando ainda revelou, após agradecer aos Blame Zeus pelo convite, que tinha tido um sonho estranho onde três neonazis a tinham impedido (ou queriam impedir) de estar presentes esta noite. Felizmente que tais movimentações não passaram de apenas uma partida de Morfeu e “The Whisper” pôs um ponto final a um grande concerto de uma das grandes bandas portuguesas.

Por falar nisso, nesse lote também estão incluídos obrigatoriamente os Blame Zeus. Confesso que o nosso contacto com a banda foi apenas com “Theory Of Perception”, o segundo álbum de originais lançado em 2017, mas desde aí até ao momento presente, temos visto a banda a evoluir bastante, evolução essa que desaguou num grande álbum, “Seethe”, lançado pela Rockshots Records, que foi apresentado perante o seu público, num ambiente especial, que até começou com a intro bombástica “Dança dos Cavaleiros” do ballet “Romeu e Julieta” de Prokofiev que colocou um ar solene na sala por um lado, fervilhando de expectativa por outro.

Luzes apagadas, a banda começa a entrar no palco na escuridão e assim que a intro findou, entra o peso com “How To Successfuly Implode”, o primeiro tema de “Seethe” e também o primeiro da noite. O incremento de poder do novo álbum de estúdio também se sente em cima do palco, tendo ainda a particularidade da banda contar com uma vocalista de apoio, Beatriz Reis, cujo contributo enriqueceu ainda mais a noite nos temas da já mencionada novidade, dando um colorido especial à voz de Sandra Oliveira, que esteve como sempre, perfeita. “Déjà Vú” é um dos grandes temas deste trabalho, provavelmente o mais imediato e, arriscando a futurologia, um que será obrigatório. A reacção do público evidenciou isso mesmo.

“Seethe” foi tocado na íntegra e foi com satisfação que verificámos que o público já conhecia muitas das suas músicas, tendo recebidas muitas como autênticos clássicos . Ainda assim, pelo meio, tivemos um “The Moth” e “The Apprentice” a revisitar os dois primeiros discos. O ambiente estava fantástico, de tal forma que quando Sandra anunciou que iriam tocar o último tema, do público ouviu-se “Isso é o que tu pensas”. Não faltaram os agradecimentos e ainda se teve direito a um encore, onde “Falling Of The Gods” e uma particularmente potente “All Inside Your Head” terminavam de forma perfeita o concerto. Ou assim seria se não houvesse ainda mais o encore do encore, com “Miles” a pôr o ponto final definitivo numa celebração que poderia ter tido mais pessoas (convenhamos, Blame Zeus já é banda que merece arrastar multidões atrás de si e se fosse num qualquer país do norte da Europa, certamente que seria assim) mas que tendo sido como foi… foi perfeita e memorável para todos os envolvidos.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos Sónia Ferreira
Agradecimentos Blame Zeus e Notredame Productions


 

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