WOM Report – Cascais Rock Fest – Dia 1 @ Casino Estoril – Salão Preto e Prata, Estoril – 25.01.19

Apesar de Janeiro estar na sua máxima força no que ao frio diz respeito, o interior do Salão Preto e Prata no Casino Estoril estava escaldante. Havia uma enorme expectativa para a noite de rock pesado que se estava prestes a viver. Também ajudou à expectativa a alguma demora para começar o espectáculo – estava anunciado que começaria às 21:00h e o início acabou por se verificar às 21:30h. Nada que afectasse a boa disposição vigente no recinto, principalmente porque se ouvia boa música, enquadrada no espírito da noite, enquanto se esperava.

Uma sala praticamente cheia recebeu os FM, nome que já nos habituou a grandes concertos no nosso solo. A banda britânica é dona de uma sonoridade amigável ao ouvido sensível aos hinos de rock melódico e começa logo em grande com “Black Magic”, um tema muito bem recebido pelo público que revelava que este tinha sido um dos motivos para a sua presença – terem sido a primeira banda da noite não foi indicativo do peso que tiveram no cartaz, até porque o seu alinhamento durou praticamente uma hora. E não faltaram clássicos que os fãs reconheceram imediatamente numa sequência inicial demolidora, onde tivemos “I Belong To The Night”, “Bad Luck” e “That Girl”, um dos primeiros sucessos da banda.

A banda britânica revelou estar feliz por estar de regresso ao nosso país e isso notou-se na forma como actuou e a confiança com que apresentou temas não tão imediatos como “Life’s A Highway” e “Someday (You’ll Come Running)” mas que foram muito bem recebidos pelo público de qualquer forma. O ponto alto foi certamente o clássico “Let Love Be The Leader” cujos coros são um dos pontos mais memoráveis e ao qual o público reage sempre muito bem. A sucessão de grandes temas não parou, mesmo quando passearam por temas mais recentes como a sequência “Metropolis” (curto tema instrumental e “Over You”. O fim da actuação daria-se com “Killed By Love”, do último álbum “Atomic Generation”, mas ficou a promessa que a banda voltaria ao nosso país em breve.

Tempo de mudança de palco para a banda que se seguia, os italo-norte-americanos Hardline, que embora tenham começado como um projecto dos irmãos Johnny e Joey Gioeli com Neal Schon (dos Journey) e Deen Castronovo (de milhentas bandas entre as quais, os The Dead Daisies que nos visitaram recentemente), já tiveram diversas encarnações sendo a presente a primeira e onde conta com uma banda de apoio totalmente italiana e de grande qualidade. Com uma intro a estabelecer o ambiente e a banda a entrar aos poucos, o público já estava ao rubro, algo que aumentou exponencialmente com a entrada de rompante de Gioeli. “Where Will We Go From Here” evidenciou uma banda com grande som e com um poder de palco fantástico ao que se seguiu “Taking Me Down” (grande riff) e “Dr. Love”.

Johnny Gioeli é um frontman espantoso, não tínhamos qualquer dúvida disso mas depois deste concerto ficou provado perante uma multidão que foi ao delírio não só com a sua voz, numa prestação perfeita, como na arte de trazer bom humor e disposição, elevando a qualidade do espectáculo uns furos acima do quer seria normal. E acompanhá-lo, uma banda bem sólida, onde todos revelaram ser músicos fantásticos. Desde a solidez da secção rítmica composta pela baixista Anna Portalupi e o baterista Marco Di Salvia (que trazia uma tshirt do “Kill’Em All” dos Metallica, brindou-nos com um excelente solo de bateria e ainda com a intro da “Painkiller” dos Judas Priest na recta final do concerto. Destaque também para o teclista Alessandro Del Vecchio e sobretudo para o guitarrista Mario Percudani, fenomenais. Concerto cheio de pontos altos, como aquele em que um fã russo chama a atenção de Gioeli, fazendo com que interrompesse a sua introdução para o tema “Life’s A Bitch”.

Confessamos que seria muito difícil para qualquer banda suceder aos Hardline. Foi uma autêntica lição de como dar um concerto, como entreter e sobretudo, como agarrar um público. O que só fez com que a tarefa dos Stage Dolls fosse algo impossível à partida. A posição de cabeça de cartaz para a banda norueguesa talvez soasse estranha, embora efectivamente fosse a banda mais antiga das três. Trata-se de uma sonoridade mais clássica dentro do hard rock e que não puxou tanto pelo público. No entanto, tal como foi deixado claro no parágrafo anterior, a tarefa seria difícil para qualquer banda, não apenas para os noruegueses que nos visitavam pela primeira vez. E apesar de uma reacção mais apática por parte do público – a hora também já era adiantada – estavam presentes muitos que não eram indiferentes a temas como “Still In Love” – cantando os coros da música e “Left Foot Boogie.

Um som mais simples pontuado por um baixo bem possante e que dava um colorido e peso impressionantes a temas mais suaves como “Hard To Say Goodbye” e “Sorry (It’s All I Can Say)” – esta última com o refrão cantado pelo público na perfeição. Os clássicos foram sendo debitados onde as inevitáveis “Wings Of Steel”, “You’re The One” e “Commandos” foram destaques óbvios, sem falar no clássico “Soldier’s Gun”, também muito bem recebido pelo público. Os Stage Dolls talvez tenham sido a banda que menos entusiasmo recolheu mas ainda assim não deixou de ser um ponto final apropriado numa grande noite rock, onde tivemos três bandas diferentes e três formas de hard rock que se complementam na sua abordagem. O rock pesado poderá ser um nicho hoje em dia mas como provou um Salão Preto e Prata cheio, é um nicho que ainda arrasta multidões. Agora… prontos para o segundo dia!

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Clap/-Box


 

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