WOM Report – Crisix, Mass Disorder, Mindaker @ RCA Club, Lisboa – 23.02.20

Matinés, um conceito algo em desuso e que costuma estar confinado ao espectro punk/hardcore. Porque não ampliar a outros campos? Uma resposta que facilmente ficará respondida, para os mais cépticos, no final desta reportagem. As portas abriram no dia 23 de Fevereiro, numa tarde bem agradável do Domingo de Carnaval, para receber os nuestros hermanos Crisix e muito bem acompanhado pelos nossos Mass Disorder e Mindtaker, depois de ter passado pelo Porto três dias antes. Quando chegámos, encontrámos fãs que já lá estavam, a aguardar pelo início das hostilidades, até porque esta era um cartaz que prometia festa grande. Prometia e cumpriu.

Os primeiros a subir ao palco do RCA, quando a luz natural ainda invadia e iluminava a sala que ainda estava meio despida.  Começando a horas certas e cheios de vontades de meter tudo a mexer, os Mindtaker fizeram da sua prestação a apresentação do álbum de estreia, “Toxic War” que é hoje lançado. Thrash metal cru e old-school que chamou logo todos os que aguardavam fora do recinto, que começaram imediatamente a fazer headebanging. A curiosidade maior foram os novos temas como “Fuck Off”, “Seven Gates Of Hell” e “Destruição Total”. A mostrar que muitos estavam lá também para a apoiar a banda, foi quando começaram a gritar “Mindtaker, Mindtaker” de forma espontânea. A forma descomprometida e apaixonada reforçaram em nós a vontade de ouvir o álbum de estreia. Se tiver metade da energia que a banda demonstrou em palco, é sem dúvida um lançamento a assinalar no nosso underground em 2020.

Falando de algo a assinalar no underground nacional, os Mass Disorder são sem dúvida um daqueles nomes que em qualquer cartaz que esteja presente providencia boa diversão violenta. E foi mesmo isso que fizeram. Com um som poderoso e musculado, obrigaram o público a meter o headbanging em dia. O álbum de estreia “Conflagration” de 2018 esteve no centro – aliás foi mesmo tocado na íntegra e muitos estavam presentes para o celebrar, cantando as letras e vibrando com buhardas como “Vicious Circle” ou “Death Vow”. Chegaram ainda a visitar o EP de estreia “The Way To Our End”, tocando o tema-título. Thrash metal moderno e poderoso, mas que se destaca no meio da multidão de propostas do género.

Duas bandas portuguesas a proporcionar um aquecimento de luxo para os espanhóis Crisix, para a sua data no nosso país da sua The Underground Tour – digressão representada por um backdrop que não era mais que um lençol com o símbolo da banda pintado a grafitti, e assinado pelos fãs – mais tarde o vocalista Julián Baz iria convidar os fãs a deixarem a sua marca, imortalizando assim a sua passagem pela capital portuguesa. Devo dizer que para os presentes, essa imortalidade ficou bem registada na memória colectiva de todos os presentes. O palco ainda estava decorado com uma retrete, só para dar aquele toque final de classe. Classe maior foi o que se seguiu. Se antes, nas duas bandas anteriores, havia um fosso entre o palco e o a maioria do público, com o espaço intermédio a ser ocupado pelos mais afoitos de acção, com os espanhóis houve logo mais presença dos fãs junto ao palco, algo que a banda pediu logo assim que entrou em cena.

A banda poderá ser nova (apesar de ser veterana em relação às duas que a antecederam) mas verificou ter já um traquejo impressionante, ao qual não lhe escapa a humildade e espírito de camaradagem em agradecer tanto aos Mindtaker como aos Mass Disorder, sem deixar também de elogiar ambas a bandas. O seu thrash metal embora se possa assumir como old school, tem algo de bastante refrescante, algo até de contagiante. Actuação centrada um pouco pela carreira toda da banda onde até o mais recente lançamento, o álbum de covers “Sessions #1 – American Thrash” não escapou, com as rendições de “World In A World” dos Vio-Lence, “Toxic Waltz” dos Exodus e “Imitation Of Life” dos Anthrax, sem deixar para trás os seus próprios clássicos como “Rise…Then Rest”, “Bring ‘Em to the Pit” (onde o público abriu espaço para guitarrista Marc Busqué “Busi” ir lá para plateia onde permaneceu a tocar enquanto faziam um circle pit à sua volta) e a inevitável “Ultra Thrash”, que encerrou o concerto e que levou muitos fãs para cima do palco.

Foi efectivamente uma festa onde o ambiente estava único, daqueles momentos que sabemos que não se vai repetir novamente. Claro que para isso contribuíram também as brincadeiras na forma de uma especie de wall of death a dois balões no meu da sala ou no incrível medley onde todos trocaram de posição/instrumento para tocarem (e bem) excertos de “(You Gotta) Fight for Your Right (To Party!) dos Beastie Boys, “2 Minutes To Midnight” dos Iron Maiden, “Walk” de Pantera e “Seek And Destroy” dos Metallica. Divertidos, acutilantes e mestres na forma de tratar o thrash metal. Se este não foi um dos concertos mais épicos que já vimos, é capaz de andar lá perto. Por vezes não é preciso concertos em estádios, por vezes não são necessários grandes produções, por vezes só é preciso mesmo uma coisa muito importante chamada amor à música e gosto em partilhar esse mesmo sentimento.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Metal’s Alliance


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