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WOM Report – Devil In Me, Neighborz, Fear The Lord, Dead End @ RCA Club, Lisboa – 14.11.21

Como é bom chegar ao RCA e encontrar logo uma pequena multidão à porta, à espera do início das festividades. O conceito de matinés é clássico mas é um que parece que tinha caído em desuso. É bom ver que está a voltar um grande impacto. Ajuda também ser uma festa hardcore encabeçada pelos enormes Devil In Me. Não deixa de ser um sinal de que a cena está outra vez a pulsar de vida e que as divisões das redes sociais (devido ao certificado e máscaras) não se aplicam quando o assunto é música. E não é isso que a música e especificamente o hardcore representa? Uma grande família sempre a apoiar um amor comum?

Com uma sala já bem composta, os primeiros a subir ao palco foram os Dead End, banda que já nos tinha sido apresentada através do seu álbum “All The Freedom In Your Mind”. Desde logo muita energia a rolar apenas aplacada por alguma timidez de grande parte do público que faz criar aquele espaço aberto em frente palco. Isso não foi impedimento para que o poder e garra de temas como “Get Up, “Life’s A Paradise”. Curiosamente houve uma divisão a meio na sua actuação, quando o vocalista e o guitarrista/vocalista trocam de posição sem qualquer perda de impacto e/ou qualidade. “Along For the Ride” foi um dos temas debitados que tiveram excelente impacto, assim como a novidade “Risk It All”.

Um início fantástico mas a tarde ainda estava no início e a banda seguinte estava disposta a deitar o quarteirão abaixo. É a terceira vez que nos cruzamos com os Fear The Lord e foi sem dúvida das três a sua actuação mais explosiva. A casa estava mais cheia e era visível e palpável o entusiasmo que estava presente pela sua actuação. E com razões para isso. Não faltou nada, energia inesgotável, a batalha campal em frente ao palco com um público completamente entusiasta que varria tudo à sua frente – por vezes até os próprios vocalistas das bandas. Não faltou o espírito de união e nem uma dedicação a Dice, dos Steal Your Crown, sentida por todos. Ele, sem dúvida que esteve presente no coração de todos.

Com os níveis de intensidade a chegar aos píncaros, seria difícil de prever que pudesse ser igualado mas foi o que aconteceu com a entrada dos Neighborz. Ainda Lekas, o vocalista, não tinha acabado a frase “cheguem-se à frente”, e já tinha alguém a voar por cima dele em direcção ao público. Sim, foi assim TÃO intenso. De tal forma que nem sabemos como é que a sanita no palco se manteve intocada durante toda a sua actuação, uma actuação sentida e constantemente pelos sentimentos de união e agradecimento e onde não faltaram também menções e homenagens a Dice. “Embassy” e “Made To Crumble” foram dois bons motes para a festa que foi esta actuação.

Obviamente que as expectativas estavam ainda maiores para a banda da noite. Os Devil In Me estavam na reta final de um ataque nacional, onde começaram em Faro na Sexta-Feira, passaram pelo Porto no Sábado e terminando agora para uma enorme actuação no RCA Club. Esta era a certeza de todos sequer antes da banda subir ao palco. E assim foi. “Soul Rebel” foi o um início brutal que colocou logo a fasquia bastante alta e encheu a sala com uma energia e vitalidade impressionantes. Parecia incrível como é que havia energia para tal festa, depois da autêntica maratona que foram as três performances anteriores.

A propósito disso, nada nos faz mais sorrir do que ver as bandas que estiveram no palco no meio do público a sentir a energia do lado oposto. No fundo não há separação, essa foi a grande mensagem da noite. Não há separação, não há divisão, apenas união por uma causa comum. Como Poli disse “vamos manter a chama do hardcore viva com amor e dedicação”. Foi algo que não faltou. “Warriors” ilustrou isso na perfeição, mas mais do que um tema em específico, todo o evento provou essa mesma dedicação que não foi minimamente abalada por quase dois anos de ausência de festas assim.

Não faltou também um cheirinho do futuro, com a “War” o avanço para a novidade “On The Grind” que sairá no início de 2022. Não faltou também a sentida homenagem a Dice e a presença de vários vocalistas convidados que fizeram questão de reforçar essa homenagem e de tornar a noite mais emotiva e memorável. Não o poderia ter sido mais, este regresso do hardcore ao RCA Club, uma verdadeira celebração da vida e família que nos sentimos sortudos por poder presenciar e sentir. Todos os presentes de certeza que sentiram o mesmo. Quando é que é a próxima?

Texto Fernando Ferreira
Fotos Sónia Ferreira
Agradecimentos Hell Xis 


 

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