WOM Report – Empty V, Albatroz, New Mecanica, Nowhere To Be Found, Revenge Of The Fallen @ RCA Club, Lisboa – 09.11.18

A noite era de celebração. O RCA Club recebia a festa de lançamento do álbum dos Empty V, “Mus-Pri”, cuja review poderão encontrar na edição de Dezembro da World Of Metal, e para acompanhá-los estavam um lote luxuoso de bandas, representativas da riqueza do nosso underground nacional. Todas com o seu género distinto e a sua própria identidade mas tendo em comum uma qualidade absurda. Os espectáculos estavam previstos de começar a uma hora mais tardia que o normal, uma decisão que foi-se revelando como talvez menos acertada, mas já lá vamos.

Os primeiros senhores a subir ao palco foram os Revenge Of The Fallen, para um RCA Club ainda algo vazio mas que se encheu com a energia com que a banda deixou em cima do palco. Começando logo pelo início, antes sequer da música começar, quando a banda pede ao público que estava no fundo da sala para se aproximar do palco e sentir um pouco do calor humano. Sem dúvida que se sentiu esse calor, já que o entusiasmo com que a banda de Cascais agarrou a sua actuação foi como se estivessem a tocar num estádio para milhares de pessoas. “Vicious Pride” e “Dark Side Of Age” foram exemplos dessa energia contagiantge.

Estava a ver-se que o horário estava longe de ser cumprido – supostamente cada banda subiria ao palco de meia em meia hora – e apesar dos alinhamentos em modo expresso, a preparação foi quase sempre morosa e no caso dos Nowhere To Be Found, o soundcheck mostrou-se intricado mas valeu bem a espera, já que o som esteve no ponto e tirando os problemas que a guitarra de Tiago Duarte (também vocalista) teve num tema, essa foi uma constante – aliás, no tema em questão, a adaptação a uma guitarra apenas superou o problema. Rock e metal alternativo, com uma identidade muito forte e vincada e com muito energia. Já tínhamos ficado fãs da banda no Festival Bardoada mas agora tivemos a confirmação.

Seguiram-se os New Mecanica, responsáveis por um dos grandes álbuns nacionais de 2018, “Vehement”, que foi inclusive um dos álbuns do mês da edição de Novembro da nossa World Of Metal Magazine. O peso do metal alternativo da banda do Barreiro foi uma constante e o Dinho, vocalista, esteve bastante comunicativo com o público, apesar do pouco tempo disponível que tinham. Foram apenas seis temas – a média da noite para as bandas de abertura rondou entre os cinco e os seis temas – mas foi um actuação perfeita para comprovar que toda a excelência da banda não se limita aos três álbuns lançados, como também em cima dos palcos a banda demonstra estar no seu elemento.

A hora já era avançada mas ainda faltava passar pelos Albatroz. Confesso que me eram desconhecidos mas a primeira impressão não poderia ter sido mais positiva. A banda situa-se no campo vasto do rock alternativo mas não se proíbe de colocar também na mistura alguns elementos de shoegaze que resultam de forma positiva. Apesar de contarem apenas com um EP (“The Road Less Travelled” de 2015) e um single (“Building Bridges” do final de 2017), a banda revelou um grande à-vontade em cima do palco mas não seria de estranhar já que se tratam de músicos muito experientes. Boa e divertida comunicação com o público e música também ela de boa qualidade, não há muito mais a pedir. Fica a vontade de voltá-los a ver, num contexto em que tenham mais tempo de antena.

Se o atraso já era grande por esta altura, a montagem do palco para os Empty V ainda o piorou mais. Verificando o resultado final do trabalho, era totalmente compreensível: a bateria colocada mais à frente, ficando no centro e nas laterais do palco o guitarrista e baixista, cada um no seu lado. Atrás destas laterais, monitores que iriam passar imagens relativas a cada um dos temas, com a iluminação ao mínimo mas sempre com um efeito dramático que é imbatível. Quanto à música, tanto o cenário, como a intro “Nucleosynthesis” sugeriam uma sonoridade dentro do industrial mas o que tivemos foi mesmo um rockão quase sempre instrumental (e quando não o era, a mesma era fruto de uma pista pré gravada), com o referido álbum “Mus-Pri” a ser o centro das atenções, tendo sido tocado na íntegra, segundo nos pareceu.

Groove a rodos e um ambiente fantástico, que só não teve um impacto maior porque já era de madrugada e o cansaço era enorme. Ainda assim, por parte do público, o entusiasmo foi enorme por presenciar uma actuação tão original onde a imagem e a música foram o principal prato, não havendo comunicação (a não ser por gestos) com o público. Tudo fluiu e tudo resultou na perfeição, tirando já os referidos atrasos. Um retrato fiel daquilo que é o nosso underground nacional. Uma sala que já é quase uma segunda casa para muitos de nós, cinco bandas com qualidade capaz de competir com qualquer outra internacional e pouco público… mas bom, que esteve presente para apoiar a música nacional, não por ser nacional, mas por ser excelente. A esse público todas as bandas demonstraram de uma forma ou outra a sua gratidão. Continua a ser para o ele que tudo isto existe.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Empty V, Raging Planet e Daniel Makosh


 

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