WOM Report – Enchantya, Fantasy Opus, 11Th Dimension @ RCA Club, Lisboa – 24.05.19

Começa a ser um lugar comum começarmos estas crónicas com a frase “noite de celebração do underground nacional”, o que pode revelar duas coisas: falta de criatividade da minha parte ou sintomático que as nossas bandas têm tido nos últimos tempos espaço (merecido) nos eventos nacionais, com ou sem motivo de assinalar. Neste caso, o motivo era mesmo de assinalar – lançamento do segundo álbum dos Enchantya, que é sem dúvida motivo de celebração, pela sua qualidade intrínseca (a review estará na nossa próxima edição) e pelo facto de ser reconhecida pela Inverse Records, editora por trás do álbum “On Light And Wrath”. E a acompanhar esta celebração, os Enchantya convidaram duas excelentes bandas, também elas representativas dessa qualidade que falamos: Fantasy Opus e 11Th Dimension.

A noite começou precisamente com os 11Th Dimension que subiram ao palco sobre uma nuvem de fumo artificial e perante uma sala ainda algo despida – algo que viria a mudar durante a sua actuação – iniciaria a sua actuação, com um som bastante forte e límpido, algo fundamental para que o rock/metal alternativo/progressivo da banda tivesse um bom impacto no público. O que aconteceu, tendo ajudado também o carisma de Diana Rosa. A banda lisboeta evidenciou-se bastante coesa, com o novo baterista, Pedro Alexandre Pereira perfeitamente integrado na música da banda. O centro das atenções foi o álbum de estreia “Paramnesia”, uma das nossas escolhas para os melhores álbum de metal progressivo de 2018, destacando temas como a calma e emocionalmente intensa “Arrival” ou a pesada “Leaves”, sem esquecer o single “Trust Denied”, esta foi uma grande abertura ao nível do que se seguiria.

A preparação e soundcheck dos Fantasy Opus seria demorado mas tendo em conta o poder que exibiram, foi tempo bem entregue. “Ritual Of Blood” foi o tema de abertura do seu alinhamento, retirado do também excelente “The Last Dream”, segundo álbum da banda editado no ano passado. O power metal progressivo da banda não sofre em nada na sua representação ao vivo, onde toda a qualidade dos seus executantes fica a descoberto. Todos sem excepção mas o destaque terá que ir para o guitarrista solo Marcos Carvalho. Impressionante. Também teremos que destacar esse grande “monstro” de palco que é Leonel Silva (também nos Hourswill), sempre divertido na interacção com o público e dono de uma voz e entusiasmos assombrosos e incansáveis. A banda também apresentou um novo baterista, JC Samora, “Conquer The Seas”. Digno de nota também os agradecimentos de Leonel aos Enchantya e o pedido de aplausos para os 11Th Dimension e a sua opinião expressa em relação à qualidade da música que se faz e da importância que tem uma sala como o RCA Club e da presença de todo o público para que a cena se mantenha e cresça. Algo que subscrevemos inteiramente.

A noite aproximava-se do seu auge e com a expectativa em crescendo, algo que a morosa mudança de palco ajudou. O fumo marcava o início de da actuação que se deu ao som da intro “Turn Of The Wheel (Prelude”), também presente no novo “On Light And Wrath”. Aliás, o disco seria tocado na íntegra fazendo com que chegássemos a várias conclusões sólidas. Primeiro, o álbum é mesmo bom. Segundo, a qualidade não fica refém da magia do estúdio e em cima dos palcos provou-se que a magia é real. O início teatral provou-se ser totalmente apropriado para a música que se seguiria. Dramático, emocional e visceral nessa emotividade como também no peso metálico do qual é dono. O primeiro tema “a sério” foi “Last Moon Of March” que, tal como disse atrás, apresentou a banda bem poderosa e coesa, com destaque para o impacto dos coros a ajudar Rute Fevereiro que tanto nos guturais como na voz operática dominou. Aliás, como toda a banda, note-se.

Aquilo que saltou mais à vista foi que o palco do RCA Club era demasiado pequeno para toda a ensemble da banda que colocava dez músicos (posteriormente 11) alinhados, o que restringiu de certa forma os movimentos dos músicos mas que ainda assim não foi um ponto muito significativo no impacto da sua actuação. Não se limitando a tocar os temas de seguida, Rute fez questão de falar um pouco no intervalo de cada música, explicando o sentido e o que estava por trás da mesma. Foi assim que ficámos a saber por exemplo que a ” Near-Life Experience” (que fala de todos aqueles cuja vida lhes passa ao lado, presos a rotinas impostas pela sociedade) foi um tema que Rute compôs muitos anos atrás e que foi agora foi repescado pelos Enchantya. O interlúdio “Alma” viu subir ao palco Nuno Flores para tocar partes de violino, ele que manteve em palco por mais três temas e acrescentou ainda mais dramatismo aos temas, principalmente a “Deception (Since You Lied)”, um dos momentos altos da noite.

Um dos convidados do disco não pôde comparecer – Corvus, ou Tear, dos Desire mas ainda assim pôde-se ouvir a sua prestação através de samples no já mencionado “Deception”. Antes de abandonar o palco com o último tema do álbum, “From The Ashes”, Rute não deixou de agradecer todos os que ajudaram a banda, inclusive as outras bandas cujos os seus membros partilham. Estava planeado um encore mas mesmo que não tivesse, o público assim o exigiu, não demorando muito a que voltassem ao palco para dois temas da estreia de 2012, “Dark Rising” com “Fear Me When You Fall” e o tema título que encerrou de forma apoteótica esta grande noite, onde Rute convidou a subir ao palco Fernando Matias, produtor de “On Light And Wrath”, e Pedro Daniel, autor do artwork.

Uma sala bem composta – poderia estar muitas mais pessoas – que fez questão de apoiar o nosso talento, tal como a World Of Metal que tendo apenas uma acreditação, fizemos questão de estar presentes para apoiar o nosso underground, que continua a precisar mais de acções do que meras palavras, já que é com acções como os Enchantya (e os 11Th Dimension e os Fantasy Opus também) materializam e substancializam a sua música com excelência. Todos os outros não podem fazer menos que isso se não investir em algo (e alguém) que merece. A noite de apresentação de “On Light And Wrath” foi emocional e foi um triunfo que mostra que há razões para fazermos o que fazemos, que há talento, paixão que o justifique. Definitivamente houve nesta noite.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Notredame Productions


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