WOM Report – Laurus Nobilis Music Famalicão – Dia 1 @ Vila Nova de Famalicão

No dia anterior aos concertos de quinta-feira, a Ecos Culturais do Louro – associação promotora do Laurus Nobilis – organizou um passeio turístico por Famalicão, dando a conhecer parte da história desta cidade que acolhe o festival há já 5 anos. E à noite, a dupla “Equaleftiana” Inglês & Mantis assumiu o papel de DJ para a tal “recepção ao campista”. Nem só de música ao vivo vive um festival.

No primeiro dia propriamente dito, tal como na edição anterior, apenas o palco Estrella Galicia esteve activo (ainda que no palco Porminho estivessem a testar as luzes). Os Lyfordeath abriram o cartaz e não sei “quem se enganou” – se a banda se o stage manager – mas o que é certo é que tocaram durante uma hora. Não demos conta do erro de imediato; mesmo com os vários problemas técnicos (ora deixávamos de ouvir a voz, ora as guitarras… uma montanha-russa sonora), o concerto estava a ser bastante interessante, a mistura de thrash com um death metal sombrio a resultar muito bem pelas mãos e gargantas destes jovens. Pessoalmente, acrescento que ouvir a nossa língua materna em “Nullius In Verba – Act 2” também foi uma lufada de ar fresco. Sim, fez lembrar um pouco uma outra banda nacional mas não vou fazer comparações pois seria diminuir-lhes o mérito e não seria justo.

Quando, no final, demos conta do tempo que tinha passado, pensámos então que todas as bandas tocariam uma hora. Mas não. O black metal dos Humanart só ecoou durante cerca de 45 minutos. Celebraram o seu 20º aniversário o ano passado e lançaram o segundo longa-duração “(Further) Into The Depths” em Abril, pelo que embora não possa garantir os temas tocados, vou apostar numa promoção deste novo trabalho equilibrada com clássicos. O que posso dizer é que já não via Humanart há cinco anos e notei uma evolução positiva na prestação da banda desde então, mais entregues à música e menos à “postura evil” que vem com o género. Ou melhor, essa postura surge mais natural, em consequência da música, e não o contrário.

Vi Soldier no VOA 2016; outro álbum (“The Sleeping Of Reason”) e outro guitarrista (Dmitry Stalingrado) na bagagem, mas não muito mais mudou nestes três anos. Mas thrash é mesmo assim, pelo que a falta de inovação nem sempre é algo mau. A prestação em si foi cheia de vida, tanto no sentido energético da palavra (em especial o baixista Pei Garcia, que correu o palco todo) como da boa disposição (caretas e sorrisos à mistura). Mais para o final, Phil González pousou a guitarra e cantou apenas, dizendo que aquela seria a melhor música pois ele não tocava nela. Foi dito em inglês mas com o nosso consentimento, pois logo após a saudação inicial, num português espanholado, Phil perguntou se podia falar em inglês e ninguém disse que não.

Sonoridades diferentes proporcionam espectáculos diferentes e é sempre ingrato eleger “o melhor concerto”, pelo que costumo evitar fazê-lo. Mas desta vez é impossível não atribuir o título aos W.A.K.O.. O novo álbum deverá sair ainda este ano e têm incluído “Perish” nos alinhamentos; o Laurus não foi excepção e a recepção dos presentes foi muito positiva. E nem podia ser de outra forma: além da qualidade musical, Nuno Rodrigues é o tipo de frontman que cativa e contagia o público com a sua intensidade, não deixando ninguém indiferente.

O que acabou por amortecer um pouco o impacto do concerto de Contradiction. Era tarde, sim, mas há nove anos atrás, no Metalpoint, ainda era mais e a resposta do público foi mais efusiva. E sendo que aquele thrash tipicamente alemão – “teutónico”, para usar a definição da própria banda – foi interpretado “à altura”, se não estivessemos ainda a recuperar do espectáculo (no sentido literal da palavra) anterior, teríamos certamente reagido mais. Ainda assim, conseguiu-se uma bela festa de aniversário dos 30 anos da banda, que é a razão da tour actual (o último trabalho continua a ser “The Origin Of Violence”, já de 2014).

E para quem ainda não tinha vontade de descansar, a equipa de DJs Chaotic Th3rapy tomou conta deles.

Texto Renata Lino
Fotos Fátima Inácio Gomes

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