WOM Report – Laurus Nobilis Music Famalicão – Dia 2 @ Vila Nova de Famalicão

O segundo dia do Laurus já foi de um cartaz “full time”, com a primeira banda a subir ao palco Estrella Galicia às 16:30.

Os Second Lash tocam um rock alternativo que entra bem no ouvido mas, a meu ver, peca um pouco ao vivo pela falta de um guitarrista. Em estúdio, “Tabula Rasa” tem um dos “Douradinhos de Evelyn Filipe” (a expressão não é da minha autoria, note-se; foi a própria vocalista que se referiu aos irmãos Dourado como “os meus Douradinhos”), Miguel, na guitarra ritmo e no baixo. Ao vivo, pega no último e embora, pessoalmente, também apoie essa escolha, fica a faltar a segunda guitarra que dá mais textura a temas como “I Won’t Tell”, “Honestly” ou “Alone”.  É para isso que servem os samples, certo, mas não fica tão autêntico. E falando em autenticidade, Evelyn pediu desculpa pelo… entusiasmo dos gemidos em “Licked Ink”, pois não tinha planeado exceder-se tanto. Mas sendo assim, se foi espontâneo, não havia necessidade em desculpar-se.

Também da editora Raising Legends – mas de sonoridade bem mais pesada – subiram ao palco os Wrath Sins. Com uma base de fãs sólida, uma parte dela já estava pronta para receber, entre outras, “Unquiet Heart” e “ Fear Of The Unseen”, ainda a banda de Gaia estava a fazer o soundcheck. E quando o concerto arrancou, não só os fãs deixaram levar-se pela qualidade daquele thrash, com cheirinho a progressivo. Uns dias antes, tinham anunciado o título de um próximo trabalho – “Kalopsia” – que será um EP conceptual, mas ainda era cedo demais para avançarem algo ao vivo.

Continuado a apostar na diversidade, a última banda da tarde trouxe toda a energia que uma banda de metalcore industrial pode trazer. Ainda decorria a campanha de crowdfunding que os Hochiminh tinham começado para a edição de “This Is Hell”, embora o valor pretendido tivesse já sido alcançado, mostrando o quanto o público anseia por músicas novas. Mas por ora tivemos de “contentar-nos” com os cássicos “Reload” e “Way Of Retain”, a cover de Depeche Mode “Enjoy The Silence”, o tema-título do EP mais recente “Ashes”… e ainda um dos momentos mais altos de todo o festival, pois independentemente de gostar-se ou não do género musical, ninguém fica indiferente a um convidado especial de apenas oito anos de idade. O filho mais velho do vocalista João Ramos, Guilherme, pôs logo um sorriso na cara de todos ao dizer “boa noite” em plena luz do dia; mas quando realmente cantou, não esteve só a segurar no micro e a fazer poses, o sorriso passou de uma natureza carinhosa para uma de aprovação.

Depois do “intervalo” para jantar, e já no palco Porminho, o stoner rock carregadinho de groove dos Miss Lava ecoou pelos quatro cantos de Louro. E no final também o público, já que Johnny Lee pôs-nos todos a cantar “Ride” com ele. Tenho pena que não tenham tocado “Sleep With The Angels” mas nem eu nem ninguém pode verdadeiramente queixar-se deste concerto. O próximo trabalho está actualmente em “laboratório” (expressão retirada do Facebook da banda), não havendo nada a adiantar sobre o sucessor do EP “Dominant Rush”, mas quando ouvimos temas como “Black Unicorn” ou “In The Arms Of The Freaks”, a importância das novidades esvanece.

Quem cresceu entre os últimos anos da década de oitenta e os primeiros da de noventa sabe quem são os Peste & Sida, nem que seja só de nome – embora ache difícil não conhecerem, pelo menos, “Sol da Caparica”. Aliás, até público mais novo cantou o refrão deste hino; mas como isso não é indicador de contextualização, João San Payo pediu para explicarmos aos mais novos o que era a peste e a SIDA. Entraram em palco com “Alerta Geral”, e tendo os Simbiose feito uma versão deste tema no tributo à veterana banda punk rock de Lisboa (“Tributo Peste & Sida – 25 Anos de Veneno”) o vocalista daqueles, Johnie, foi quem a cantou. Ricardo Barrigas – o guitarrista tantas vezes convidado que já todos o vêem como membro da banda – também esteve presente, a glorificar a nostaldia de todos aqueles outros clássicos como “Veneno”, “Bule Bule”, “Está Na Tua Mão” ou, claro, “Orgia Paroquial”.

É estranho falar de covers de Entombed feitas pelos Entombed A.D. – especialmente quando é L.G. Petrov que as canta – mas não deixa de ser a realidade. E embora não tendo nada contra Robert Andersson (ou quem quer que esteja actualmente na voz dos Entombed – parece que as coisas andam confusas para aqueles lados…), não sei o que me parece “Wolverine Blues”, “Eyemaster” ou “Left Hand Path”cantadas por outro que não Petrov. A avaliar pela recepção das tais covers, diria que a grande maioria partilhava da minha opinião. Não que os originais tenham sido menos valorizados – “Dead Dawn”, “Midas In Reverse”, “Fit For A King” ou “Torment Remains” (estas duas últimas de “Bowels Of Earth”, que saíria no mês seguinte) patrocinaram um vivo mosh. Petrov dirigiu alguns cumprimentos e apresentou alguns temas, mas havendo alguém na banda que falava a nossa língua – o guitarrista brasileiro Guilherme Miranda – foi ele que comunicou mais fluentemente connosco.

Dada a natureza sinfónica do death metal dos Fleshgod Apocalypse e o aparato vitoriano das roupas que usam em palco, “grand finale” parece ser a expressão adequada para o seu concerto enquanto cabeças de cartaz do segundo dia. Com apenas dois meses, os temas do quinto trabalho “Veleno” – em especial “Sugar” – provaram ser já bem conhecidas e do agrado do público. E ainda que a wall of death pedida por Francesco Paoli tenha “saído ao lado”, a satisfação dos presentes em temas como “The Violation”, “Cold As Perfection” ou “Epilogue” era bem visível – a sonoridade destes italianos é agressiva, sim, mas o profissionalismo e a criatividade nela contidos acaba por cativar os nossos sentidos mais do que propriamente despertar a vontade de saltarmos de cabeça para um mosh pit.

Começou a chuviscar no último tema, “The Forsaking”, mas esperámos até ao fim, e muitos ainda ficaram para ouvir o que os DJs da Distortion Crew tinham para rodar.

Texto Renata Lino
Fotos Fátima Inácio Gomes
Agradecimentos Laurus Nobilis Music Famalicão

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