WOM Report – Laurus Nobilis Music Fest – Dia 1 – 21.07.22

Com o COVID-19 despromovido (finalmente) do posto “pandemia”, a freguesia de Louro voltou a receber o Laurus Nobilis Music Fest (não sei se substituíram “Famalicão” por “Fest” por fazer mais sentido ou porque é bastante complicado para quem não fala a nossa língua – e são cada vez mais os estrangeiros a visitar este festival – pronunciar o “ão” correctamente).

Tal como na segunda edição, em 2016, foi o rock orelhudo dos Via Sacra que abriu o festival. A formação sofreu algumas alterações desde então, incluindo o acréscimo de um guitarrista (que se não é o antigo baixista, é a sua cara chapada aos meus olhos…), o que deixou as mãos do vocalista Jimmy Lázaro mais soltas para analtecer a sua presença em palco. A discografia da banda continua a contar apenas com “The Road”, já com 10 anos (!), mas talvez com este sangue novo o segundo álbum não demore muito. Pelo menos, uma semana antes deste concerto, um novo single chamado “Rock N’ Roll” viu a luz do dia. No Laurus, este tema teve uma participação muito especial; sem querer tirar qualquer mérito aos restantes elementos, convenhamos que ter uma criança a tocar guitarra (o pequeno Gabriel, filho de Jimmy) torna-se o ponto alto de qualquer actuação.

Confesso que não consegui ver a diferença entre o hardcore “normal” e o “Faro style” que os M.E.D.O. dizem tocar – mas não são rótulos que vão roubar a credibilidade à banda. Gostava de tê-los visto saltar um pouco mais (para as fotos – nada a ver com falta de entrega dos músicos) mas dado o calor que ainda fazia sentir-se às seis e picos da tarde, mais o calor da própria prestação, se calhar estou a pedir demais, mesmo para quem vem do Algarve e está habituado a temperaturas mais altas. Já o público não se fez de rogado no feedback a temas como “Órfão Oprimido” ou “Cadáver”. Tocaram ainda uma música nova, que creio chamar-se “Mundo Unipolar”, mas independentemente do título, foi recebida pelos fãs do género com o mesmo entusiasmo que os “clássicos”.

No dia anterior, o baterista dos Darktribe informou-os que não podia viajar para Portugal. Mas a organização do Laurus conhecia um génio que podia tocar no lugar de Julien Agnello, mesmo sem nunca ter ouvido a banda francesa antes. Tratava-se de Gaspar Ribeiro, baterista dos Equaleft e dos Wrath Sins (e “avulso” de inúmeras outras), que numa hora fez as suas cábulas e subiu ao palco com apenas um ensaio prévio. E se o próprio Anthony Agnello não tivesse contado a história, nem os mais atentos tivessem reconhecido o jovem português, provavelmente ninguém daria conta que temas como “Prism Of Memory”, “A Silent Curse” ou “Voici L’Homme” tinham na bateria outro que não quem os gravou originalmente. “Voici L’Homme” é precisamente o nome do mais recente trabalho (o terceiro) e recomenda-se a todos os fãs de power metal; foi um orgulho ver um português em palco, ainda mais nestas circunstâncias, mas a ovação do público também foi merecidamente dirigida aos membros originais.

Eu sei que, sendo um festival, deve abranger as várias vertentes do rock e do metal, mas não consigo encaixar Jardim Letal em nenhuma delas. Ainda que se auto-classifiquem de banda rock, a sonoridade assemelha-se mais àquela música ligeira portuguesa do final dos anos 80/início dos 90. Aliás, o único trabalho de estúdio da banda chama-se “Silêncio” e é de 1996. Não é que seja má, não é, mas o Laurus não tem o público certo para eles, e a prova foi o escasso número de pessoas que ficou a assistir.

Ainda não eram bem nove horas quando a intro dos Rhapsody Of Fire (ou Rhapsody de Alex Staropoli) ecoou pelo recinto. Com apenas uma hora para tocar, os italianos focaram-se mais nos dois últimos trabalhos, em jeito de promoção, e ainda que os presentes tenham acompanhado bem alto os refrães de “I’ll Be Your Hero”, “March Against The Tyrant” ou “Son Of Vengeance”, foi nos clássicos “Dawn Of Victory”, “Land Of Immortals” ou “Emerald Sword” (que fechou o concerto) que se esgoelaram do princípio ao fim. Giacomo Voli foi incansável na incitação aos “hey hey hey!” acompanhados de punhos no ar, distribuindo sorrisos a torto e a direito no processo. Um grande concerto no que respeita à performance, já que no sentido literal soube a muito pouco. Banda e fãs mereciam mais “tempo de antena”.

Metal moderno e alternativo a tocar entre power metal e heavy metal puro? Desafio aceite pelos Vëlla. Apesar dos estilos completamente diferentes, o baixista Caesar Craveiro admitiria que tanto ele como os colegas de banda estavam ansiosos por ver Manowar, pelo que acredito que entre os muitos que àquela hora estavam já a guardar lugar nas primeiras filas do palco principal, haveria certamente uma mão-cheia deles que iria apreciar a actuação dos lisboetas. Ainda assim, podem orgulhar-se de ter provocado o primeiro mosh circle (“andar aos abraços e beijinhos”, como diria o vocalista Pedro Lopes) em condições desta edição do Laurus. E se não estou em erro, foi também aqui que os seguranças apanharam o primeiro crowdsurfer. A apresentar “Entitiy Vol. 1”, sem descurar “Coma”, contaram mais uma vez com Miguel Inglês dos Equaleft em “The Promise”. O que podiam ter dispensado era a mocinha de telemóvel em punho, que por mais que se baixasse, continuava bastante visível. Não sei se estava a recolher footage para um videoclip ou apenas “para a posteridade”, mas qualquer que fosse o motivo, nunca o deveria ter feito durante o concerto todo, tendo sido deveras irritante.

Parece que, afinal, a ausência de fotógrafos no fosso em Manowar não terá sido capricho da banda, como a princípio todos pensámos. Reza a lenda que um problema na máquina pirotécnica terá levado a equipa do Laurus – não da banda – a temer um disparo mal direccionado. A máquina acabou por não funcionar de todo e nem fogo, nem fotógrafos… Valeu-me os ecrãs, que fotografei esporadicamente com o telemóvel. Mas a falta das chamas não tornou o concerto menos épico. Da primeira (“Manowar”) à última música (“Black Wind, Fire And Steel”), todo o repertório deve ter vibrado por Famalicão inteira, e não apenas graças ao PA de “um milhão de dólares” (palavras de Joey DeMaio) que os mete no Guiness como a banda mais sonora do mundo. Refiro-me de igual modo ao êxtase dos Manowarriors, que mesmo que se tenham queixado que não ouviram uma ou outra determinada música, ficaram de coração cheio com todas as outras apresentadas. Pessoalmente, gostava de ter ouvido e acompanhado com aquelas não-sei-quantas-mil pessoas a “Heart Of Steel”, mas reduzir 40 anos a hora e meia de concerto não é tarefa fácil.

Aos 68 (ou 70, conforme a fonte que consultarem) anos, Eric Adams só falhou os agudos dos berros que nos pediu para repetir depois dele, enquanto fazia tempo para DeMaio arranjar um qualquer problema no baixo para o seu solo. E ainda relativamente ao baixista, foi ele que iniciou o encore com um discurso desde os motivos que os levam a cancelar concertos até à chamada ao palco dos homens que puseram o seu coração na presença dos Manowar naquele palco, passando pelo desejo de não morte aos haters da banda e sim uma vida longa de sofrimento perante o facto de que os Manowar têm os melhores fãs do mundo.

Texto e fotos por Renata Lino
Agradecimentos Laurus Nobilis Music Fest


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