WOM Report – Maiden United, Ann My Guard @ RCA Club, Lisboa – 30.04.19

O heavy metal assume várias formas e essa é, na nossa opinião, a sustentação para as bandas tributo. Não de recriar à letra algo que todos conhecem de cor e salteado (e de certa forma até esperam) mas apresentar nova vida aos clássicos que todos amamos, clássicos que nos têm acompanhado ao longo dos anos como bons amigos. Essa foi a premissa para a noite acústica no RCA Club, onde tivemos o prazer de receber os Maiden United, acompanhados dos Ann My Guard.

Foi com os húngaros que a música se começou a ouvir na véspera do dia do trabalhador. Apesar de ser completamente estranha para o público presente – e vice versa, com Eszter Anna Baumann, a vocalista, a confessar que Portugal é o sítio mais longe de casa (Budapeste) onde já tinham tocado. Apesar da voz estar algo baixa no sítio onde estava, principalmente entre os temas (o que dificultou a percepção do discurso entre os temas) a música, algures dentro de um espírito alternativo, e a presença da banda foi valorosa, com o público a entrar no espírito dos temas intimistas. Fica a curiosidade de saber como é que estes temas soam na sua versão original e uma banda que urge descobrir, com uma carreira discográfica já algo longa. Simpáticos e talentosos, cumpriram a sua função na perfeição.

A noite, no entanto, era mesmo dos Maiden United. Inicialmente até tememos que o público presente nos Ann My Guard não fazia jus à qualidade da música que se ouvia e iria ouvir posterior com os cabeças-de-cartaz, mas ficou provado que os números não são tudo nesta vida. Os Maiden United conseguem não só prestar tributo aos Iron Maiden como elevar a sua música para um outro nível, com arranjos fantásticos que só realçam a qualidade dos temas que conhecemos de trás para a frente. A banda estava a promover o seu mais recente lançamento, o EP onde foi recriado em quatro partes o épico “Empire Of The Clouds”. Foi com a primeira parte que a sua actuação começou, com o público a bater palmas conforme a banda entrou em palco e começou a tocar o tema instrumental. A maior ovação foi para Frank Beck, vocalista (também dos Gamma Ray) que tem acompanhado a banda ao longo desta digressão, que apareceu em cena quando já começaram a “Aces High”.

Todos sabemos que um dos encantos de qualquer banda de heavy metal, Iron Maiden incluídos, é a secção dos solos e não deixou de ser refrescante como temas como “Strange World”, “Charlotte The Harlot” e “Children Of The Damned” se sustentam tão bem despidos de algumas das suas principais características e são ricos o suficiente para evidenciar outras facetas que pareciam ser inexistentes. No entanto isso não impediu que não tivessemos um belo solo na “2 Minutes To Midnight”. A magia era bem audível e o público estava completamente rendido a esta simpática banda, que, como disse Beck, era composta por músicos holandeses e um vocalista alemão a cantar versões de uma banda britânica em Portugal.

A boa disposição era uma constante no discurso de Beck que revelava também alguns dos seus sentimentos acerca das músicas que estava a tocar como na “Futureal” onde revelou o quão Blaze Bailey tenha sido injustiçado pela forma como nunca foi aceite por alguns fãs dos Maiden ou como a “The Evil That Men Do” é um dos seus temas favoritos – algo que se sentiu pela forma como cantou de forma bastante emocional, com os arranjos a ajudarem também nesse sentido. Com o concerto a chegar à sua recta final, houve oportunidade para ouvir Joey Bruers, baixista e principal instigador de todo o projecto – e responsável por grande parte dos arranjos. Joey contou-nos as peripécias que aconteceram para que aquele concerto acontecesse e a forma como foi fundamental a insistência de Emanuel da Hell Xis para estarem ali.

Relatou ainda as dificuldades de horário para compromissos para o dia seguinte para alguns dos membros (um deles Beck) mas que mesmo assim, tudo se conjugou para estarem ali e encontrarem o melhor público de toda a digressão. Poderia pensar-se que é algo que as bandas dizem em todas as cidades onde se apresentam, mas tendo em conta a recepção e o calor emanado pelas pessoas, tal não é difícil de acreditar. O setlist ditava que o último tema a ser tocado seria “Die With Your Boots On” – cujos arranjos o tornam bem mais interessante que o original – mas apesar de no final referirem que estariam de volta no ano seguinte e de terem tirado a foto da praxe de costas para o público, ainda voltaram para o palco para um último tema, a “Wasted Years” cantada quase em uníssono e que terminou com a melodia da “Empire Clouds” entoada pela banda mesmo após esta parar de tocar.

Uma noite mágica e representativa que nesta era de estatísticas, de médias, de números, que há algo mais importante. Podemos não ter o público mais numeroso, mas tal como se provou noutro concerto bem recente, temos o melhor público de heavy metal de todos. Existem aqueles concertos que têm casa cheia e depois existem outros que nos enchem o coração. Nós aqui na World Of Metal preferimos sem dúvida os últimos.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Hell Xis Agency

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