WOM Report – Massacre Metal Fest @ Sede UDCA, Vila Franca de Xira – 07.12.19

Decorreu no passado dia 07 de Dezembro a 5ª Edição do Massacre Metal Fest, em Á-dos-Loucos, zona de Vila Franca de Xira. Mais uma vez a World Of Metal esteve presente para fazer a reportagem do evento que também apoiou como media partner. Evento este que este ano teve um cartaz bastante satisfatório, e que abrangeu 7 bandas de vários géneros. Espaço aprazível, cedido pela UDCA, “Os Adoslouquenses”, uma Associação Cultural e Desportiva e que é a sua sede, organização impecável, através da associação e da banda Speedemon, que nos recebeu de forma extremamente simpática e se colocou à nossa disposição no que fosse necessário. Desde já deixamos os nossos agradecimentos pela recepção calorosa e pela simpatia. Este Fest é um local de romaria da malta das redondezas, e mais além, tem espaço para fumar, beber, comer e conviver, e que este ano contou com um mini-palco para que o pessoal pudesse colocar à prova os seus dotes com uma guitarra. Escutou-se muito “shredding” nos intervalos das actuações. Sendo a minha primeira vez, posso vos garantir que gostei do ambiente, da malta, do espaço e do palco, que não é muito alto, mas também não é muito baixo, permitindo fotografar sem incomodar o público.
Para abrir o Fest entrou em palco em primeiro lugar a banda RataXXX, da zona de Vila Franca de Xira, que tem um jeito de punk rock bem gostoso e com bom ritmo, tendo esta sido a sua estreia. Não conhecia, tocaram vários temas com alma, muita atitude em palco, notando-se que, apesar da banda ser recente, os seus constituintes já não são novatos nestas andanças. A banda ainda não dispõe de material lançado. Durante a sua actuação, apesar da afluência do público ainda não ser a ideal, ainda houve muito incitamento ao pessoal para se mexerem e cantarem com a banda. Agitação por parte da malta e muitos coros a acompanhar da forma que sabia. Foi uns bons momentos passados e ficou a promessa de regressarem numa outra altura.
Após a pausa para troca de material em palco, entraram os Dogma, que tinham estado na noite anterior no festival Under the Doom, mas que mostram que têm muita energia para dar e vender e apresentaram-se impecáveis e alegres em palco. A banda aproveitou o momento para informar que se encontram a preparar um novo álbum e de seguida passaram à sua atcuação, que, como sempre, pauta por ser um encanto para os olhos e ouvidos, dada a claridade, limpidez e tom melódico de Isabel, que contrasta lindamente com o tom mais  agreste de Gonçalo. A banda, que canta o seu doom gótico em português, não deixa de ser um pouco teatral em palco, o que se coaduna perfeitamente com o seu registo musical. Tocaram temas do seu álbum “Reditum”, deram um brilharete de espectáculo, digno de ser tocado num teatro, e dado que o guitarrista João Marques deu ali o seu último concerto e a sua despedida à banda, a mesma dedicou-lhe o tema “Esperma de Lava”, que levou Gonçalo a cantar de joelhos e a esticar-se no chão do palco com um grande dramatismo na sua interpretação . O público terminou com grande ovação à banda.
Seguem-se os Beyond Carnage, banda de death metal da velha guarda. Antes de iniciarem o concerto, Emanuel Carmo, o baixista, informou que não tinha sido possível ao vocalista comparecer e que, para não entrarem em falta com o Festival e o público, ele iria assumir as funções de vocalista também. A banda percorreu o seu EP “Profane Sounds of The Flesh” com uma garra em palco assinalável, quer nas performances instrumentais, quer Emanuel que demonstrou o poderio da sua voz, além da sua virtuosidade no baixo, ou não fosse este um dos melhores baixistas do país no metal. “Habemus” vocalista e os Beyond Carnage ganharam uma mais valia em palco, não descurando o seu actual vocalista que é da hora! Muito headbanging, público rendido à prestação dos moços, festa garantida e, se este é um vislumbre do que são em palco, esperamos que 2020 os traga mais vezes a festivais e concertos. Uma excelente aposta garantidamente e definitivamente sonoridade extrema e pesada.
Depois destas peripécias eis que chegam Vortex Core, com o seu “power groove”, originários também da zona de Vila Franca e que já pisam palcos há bastante tempo, sabem como animar as hostes e puxar pelo público. Deram show de virtuosismo instrumental, sempre a abrir, complementados com a voz de Telmo, guitarrista/vocalista, que incitava e chamava o público para o circle pit e para a moshada. Não deram descanso à malta e proporcionaram momentos de grande boa disposição entre o público. Provaram que mais de vinte anos de carreira não serviram para desvanecer o que faz de Vortex Core umas das bandas mais “power & groovy” do metal e que ainda têm muito para dar aos fãs do som pesado. A mais concertos em breve.
Eis que chegam os mestres e organizadores do Fest, os Speedemon, e claro, deram provas do porquê do seu nome. São verdadeiramente demoníacos na velocidade e dispararam o seu speed metal, arrasaram com o thrash e deram show de heavy. Para os mais puristas será isto certamente o som do Heavy Metal . A banda tem um poderio técnico tal e carrega nas veias dos seus instrumentos tal power que, por duas vezes o quadro eléctrico disparou e desligou a energia no recinto. Claro muita alegria por parte do público que gritava “ooooh”  e “Speedemon sim”, porque concordava que aquilo acontecia dada a força da banda. Isto não foi nada que desmoralizasse a malta e a prova foi dada no pit com muitos berros, danças e headbanging e ainda espaço para a patinagem artística, dado que, com a loucura instalada, muita cerveja foi entornada no chão e o pit escorregava à brava. Nada, mas mesmo nada que também impedisse a alegria e entusiasmo da malta.  Até eu me juntei à festa por uma ou duas canções! A ser o habitual assim em todos os Fests do Massacre, garanto-vos que só por esta prestação vale a pena lá estar. Para o ano não falto.
Com o avançar da hora e com o recinto já mais composto chegaram os Hourswill, que estão na estrada para apresentarem o seu mais recente trabalho “Dawn of The Same Flesh”. A banda tem-se feito acompanhar por Neide Rodrigues, como vocalista convidada no projecto, mas, desta vez não esteve em palco com a banda. Posso deixar a opinião, dado que assisti no RCA com os dois vocalistas, que sim é uma excelente adição à performance. Apesar disso as malhas são brutais e claro, não é forçoso haver vocalista convidado, mas que a performance fica mais enriquecida, fica. Leonel deu tudo de si, chamou pelo público, cantou com alma de quem faz isto por paixão e a banda esteve com uma prestação impecável. Pode não ser o tipo de sonoridade que puxe para um enorme mosh ou circle pit,mas a organização esteve muito bem em trazer um metal de categoria mais progressista ao cartaz, para que se possa expor a malta a novas sonoridades, que se calhar de outra forma não escutariam e apostar possivelmente em trazer também outro tipo de público ao Fest.
Eis que, perto das tantas da manhã, já tendo eu perdido a noção de todo o tempo e a quantas andava, saltam para o palco de forma demolidora os Prayers of Sanitiy, que sim, que bem nos colocam à provam a nossa sanidade, dada a pujança do som deles. É que incendiaram o local e, quando dou por mim, estava no meio de um circle pit, com malta em plena corrida desenfreada e a demonstrar puro prazer de moshar por moshar. De todas e idades, sexos e tamanhos, como se quer e se deseja num festival de metal. Só quem lá esteve é que sentiu o calor daquela massa humana sequiosa e desejosa de uma boa thrashada.
Tião, Carlos e Artur mostraram a pura força do metal que vem do Algarve e trouxeram com eles aquela vontade que temos de fazer headbanging do duro, de fazer stage dive e moshar como gente grande. Escolha perfeita para cabeças de cartaz e com um fecho de ouro no festival. Incansáveis, imparáveis e brutais, deram azo a pedidos de repetição e encore por parte do público, perguntando Tião várias vezes ao público se ainda tinham forças e recebia de reposta um estrondoso e sonoro sim, e lá vinha, “mais uma ficha, mais uma voltinha”. Penso eu que a malta ficaria ali até às tantas da manhã com eles, se assim o fosse possível. Mas tudo o que é bom tem um fim e, claro, o festival também teve que encerrar portas. Promessa de um futuro regresso por parte da banda… esperemos que para breve.
Como forma de balanço, este festival é despretensioso, não almeja ser um festival de massas e com uma afluência gigantesca, mas sim como um festival mais tipo familiar, onde há espaço para todos, há boa comida, boa bebida, excelente ambiente, espaço limpo e amplo para todos e local próprio para o merchandise das bandas. Cartaz bem escolhido, staff e organização com muita simpatia e saber fazer. Mais uma vez agradecida pelo apoio dado a quem vai fotografar. Nota 10 para o espaço colocado à disposição do público e, para quem desejasse tocar e mostrar que sabe tocar guitarra. Passaram por lá alguns virtuosos e outros menos virtuosos, mas o conceito está instalado. Em suma, um festival do mais puro underground, onde somos todos verdadeiramente “irmãos” do metal. Mais uma vez a World Of Metal e a sua equipa agradecem o convite para apoiar e fazer a cobertura do evento e aproveitando a altura do ano, desejamos  todos boas festas e até para o ano!
Texto e fotos por Sabena Costa
Agradecimentos Massacre Metal Fest & Speedemon

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