WOM Report – Mata-Ratos, Crab Monsters @ RCA Club, Lisboa – 10.12.21

Tendo sido um dos eventos que se temia não realizar devido ao recém estabelecimento do estado de calamidade, foi bom verificar que o RCA Club esteve bem composto para receber duas grandes bandas de punk/hardcore nacional. Na vertente mais hardcore, o autêntico vendaval albicastrense, Crab Monsters e como chamariz principal, a instituição incontornável do punk, os lendários Mata-Ratos que já trazem consigo a expectativa habitual de um grande concerto. Expectativa que não foi de todo defraudada.

Por falar em expectativa, também a actuação dos Crab Monsters não falhou em nada do que se esperava. A entrada a matar com “Stage Chaos”, também o primeiro tema do mais recente trabalho “Piss Wizards” estabeleceu logo o pârametro para o que se seguiria. Hardcore/punk cuspido com fúria, recebido dessa forma pelo público e cuspido de volta para o palco. A animação foi sempre muita com a actuação repartida entre o já referido último álbum e o de estreia “High On Guts”. Granada, o vocalista,  é um temível animal de palco e a provar isso teve a forma como irrompeu algumas vezes pelo público, ora agarrado ao micro a cantar e a passear pela sala, ora no último tema, quando já tinha largado o microfone para os fãs que estavam na linha frente e resolve saltar para cima deles. A bela confusão que adoramos ver nos Crab Monsters.

Depois de um aquecimento escaldante, o que se previa era que as coisas iam aquecer ainda mais. E assim foi. Já como o próprio Granada tinha dito na actuação dos Crab Monsters: “Afinal Mata-Ratos ainda traz gente aos concertos, cambada de caralhos!” Não só traz, como os traz esfomeados por música. Nem foram necessárias introduções, bastou logo o riff da “Napalm na Rua Sésamo para a festa começar e o público começar logo a colocar-se em movimento. “Da Beira para o mundo”, eram os Mata-Ratos, a fazer aquilo que fazem melhor, a festa punk.

Foi um rebuliço do início ao fim onde não falharam muitos clássicos como “C.C.M.” sempre um ponto alto, “Xu-Pa-Ki”, “Outra Rodada” e “Leis de Merda”. Por falar em rodada, não faltaram banhos de cerveja e alegria ébria em frente do palco, sendo esse um espectáculo à parte e digno de se ver. Um concerto longo mas que mesmo assim ainda soube a pouco, principalmente pela forma como acabou. No final da “Quem Nós Somos”, Miguel Newton largou o microfone e saiu do palco, com a banda  depois a seguir-lhe os passos. Como as luzes demoraram a acender, estava tudo convencido que a banda ainda voltaria para tocar mais algumas – a mais pedida era o clássico “A Minha Sogra É Um Boi” mas tal não se verificou.

Seja como for, foi uma barriga cheia de punk rock português tão clássico como furioso e deu para matar as saudades. Mais uma vez reforçar a importância destes eventos na actual conjectura e a forma como também o público respondeu ao chamado e como fez a festa também nos coloca presente o facto de que este papel da cultura de exorcisar frustações é serviço público que tem uma importância quase sempre subestimada. Quando é o próximo?

Texto Fernando Ferreira
Fotos Sónia Ferreira
Agradecimentos Hell Xis

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