WOM Report – Max & Iggor Cavalera, Healing Magic, Besta @ LAV – Lisboa Ao Vivo, Lisboa – 01.12.19

Entrámos numa época de bastante oferta em termos de concertos, muitos deles no mesmo dia ou praticamente seguidos uns dos outros, o que torna difícil para nós fazermos escolhas, mas neste caso, tínhamos aqui um regresso bastante aguardado, e que devastação bestial foi esta em pleno 1º de Dezembro, dia de Independência, desencadeada pela performance dos irmãos Max e Iggor Cavalera, que esgotaram por completo um Lisboa Ao Vivo em tão poucos dias após o anúncio da venda dos bilhetes, tudo isto em jeito de comemorar o 30º aniversário do álbum “Beneath The Remains” e recordar os tempos de “Arise”.

Para abrir as hostilidades na hora certa (devo afirmar que a pontualidade foi tida em conta nos horários das actuações), os nacionais Besta, dotados de um percurso invejável a nível nacional e internacional, provaram porque são uma das melhores bandas grindcore da actualidade, ao darem tudo por tudo com uma actuação curta mas intensa e genial da qual infelizmente não conseguimos recolher fotos. Foram 25 minutos seguidos de malhas sempre a rasgar (que pujança de som!), passando pela promoção ao mais recente trabalho “Eterno Rancor”, lançado este ano pela Lifeforce Records, e do qual pudemos ouvir temas como “Diamorte”, “Azul, Vermelho e Branco”, “Porco Azul”, “Um Nas Sombras”, “Apóstolo Do Terror” e “Amigo Tóxico”; contudo, a banda não deixou de revisitar temas dos álbuns anteriores, colocando o público rendido à sua actuação, mesmo “Nas Garras do Mandarou pela mão do vocalista que agarrou o público logo no primeiro minuto. Quem não era fã do trabalho dos Besta acabou por gostar e houve tempo para uma cover dos Napalm Death, “Social Sterility”. Simplesmente demolidora a actuação da banda nacional.

Em seguida, seria a hora e a vez do público acalmar e recuperar forças para o momento mais aguardado da noite (já lá vamos!) com uma banda que traz uma espécie de magia curativa a nível musical, cujo líder é nada mais nada menos que um dos filhos de Max Cavalera, baptizado com o mesmo nome que o seu tio, Igor Amadeus Cavalera carrega o peso do apelido da família, mas consegue hipnotizar o público com o seu carisma, liderando os seus Healing Magic.

Fundados em Outubro do ano passado em Phoenix, Arizona (EUA), os Healing Magic praticam uma mistura genial de vários estilos dentro do metal, passando por heavy old school até ao alternativo, com influências desde Black Sabbath, passando por Electric Wizard, Celtic Frost, Rush até ao hardcore/punk dos Black Flag. Digamos que se trata de uma magia musical algo atmosférica mas rebelde a contagiar o ar da sala, pois a audiência mantinha-se contemplativa e a apoiar a banda, mostrando respeito. Nada mau para a primeira actuação da banda em Portugal que se encontra a promover o seu EP intitulado “Restoration”, apresentando-se ao vivo de forma bastante coesa e segura, de poucas falas mas com muita magia musical, curando as nossas almas e deixando-nos em estado de transe.

E finalmente, o momento mais aguardado da noite que nos transportou para uma espécie de revivalismo/nostalgia dos concertos dos Sepultura no Dramático de Cascais nos anos 90, tamanha era a entrega da banda e do público a todos os níveis, mesmo quem não esteve presente conseguiu sentir essa vibração energética. Os irmãos Max e Iggor Cavalera, acompanhados por Marc Rizzo na guitarra e Mike Leon no baixo, arrasaram com o público que reagiu logo desde os primeiros acordes de “Beneath The Remains”, ora com circle pits e mosh à mistura, ora com crowdsurfers a cada minuto, dificultando a tarefa dos colegas fotógrafos, que tiveram que ser evacuados a meio de “Inner Self” pelos seguranças de serviço que foram incansáveis na retirada dos crowdsurfers e ainda distribuíram água pelo pessoal da linha da frente.

Max não teve dificuldades nenhumas em segurar a audiência –  esta estava já rendida e tão empolgada em ouvir os clássicos temas de “Beneath The Remains” e “Arise”, sempre comunicativo, e feliz por estar de volta a Portugal na companhia do irmão e restante família, brindou-nos com surpresas no meio do set, por exemplo, a inclusão de “War Pigs” em “Altered State”, um toque de “Raining Blood” (Slayer) em “Troops Of Doom” e, pela primeira vez desde 1993, a faixa “Murder” foi tocada, tornando este furacão mais forte na sala, cuja sauna que se fazia sentir provocada pelo calor e pelo movimento dos corpos do público; não, este concertão não era para se ver sossegado.

Parafraseando os senhores da noite, toda a porra foi detonada, os temas tocados com precisão e cantados em uníssono pela sala inteira, os solos de guitarra brilhantemente executados por Marc Rizzo e as as sólidas notas de baixo tocadas por Mike Leon dominaram o alinhamento.  Iggor Cavalera é… aquela máquina! Imparável e sempre em forma, não é à toa que é considerado um dos melhores bateristas do Brasil! Houve tempo para mais registos de intensidade elevada em “Refuse/Resist” e “Polícia”, a famosa cover dos Titãs que os Sepultura sempre levaram para os seus espectáculos a par da irrepreensível “Orgasmatron”, homenageando os Motörhead sempre que possível.

Para terminar em cheio, porque não tocar em jeito de medley “Beneath The Remains”/”Arise”/”Dead Embryonic Cells”? A receita funcionou na perfeição, uma vez que é sempre bom ouvir de novo o tema que iniciou o concerto. Tal como Max fez questão de afirmar, os verdadeiros Sepultura são estes aqui, os irmãos Cavalera. Certíssimo. Este concertão é sem dúvida um dos sérios candidatos a concerto do ano 2019, fechando a década em beleza.  Agradecimentos à House of Fun por ter trazido os irmãos Cavalera nesta tour “Return Beneath Arise”.

Texto por Sandra Nunes
Fotos por Rita Moniz
Agradecimentos House Of Fun


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