WOM Report – Milagre Metaleiro 2026 Dia 1 @ Parque de Lazer das Cruzinhas, Pindelo dos Milagres – 21.08.26
A minha quinta peregrinação consecutiva a São Pedro do Sul para a XVII edição do Milagre Metaleiro começou com uma pequena etapa de rally num Peugeot 405 de 700€, comprado uma semana antes a outro metaleiro que também já passou pelo festival. Com a estreia do novo recinto intitulado de Parque de Lazer das Cruzinhas, com lotação de 2500 pessoas, a uns dois quilómetros da aldeia e fácil acesso apesar da estrada de terra batida. O recinto novo foi montado com urgência a temperaturas elevadas por uma equipa muito dedicada, com muito espaço para tendas de merch, outras lojinhas, o bouncy castle habitual, comes, bebes, e esplanada, sendo a melhor adição um stock inesgotável de hidromel. Perdeu-se o segundo palco, que acho positivo, gera mais despesa e dá menos pausas tanto à plateia como às equipas. Assim todas as bandas têm as mesmas condições, som, etc, ao contrário do ano anterior, em que o segundo palco era algo inferior. O campismo é apenas um descampado, ao lado do recinto, com boa vista e mesas de merenda, mas com pouca sombra, que a associação tentou aliviar com umas redes de ensombramento. As instalações sanitárias eram reduzidas, mas adequadas, e serão melhoradas de ano a ano visto que a instalação de água é permanente. Anteriormente, eu acampava à sombra da Igreja de Pindelo, havia também a zona florestal, mas no ano passado tinha sido proibida devido ao risco de incêndio, que pos toda a gente numa autêntica tosta na zona industrial. Parece-me um bom investimento para o futuro do festival, mas este ano, pela primeira vez, rendi-me a um hotel em São Pedro do Sul, era o meu terceiro festival consecutivo, e o meu pai que sempre me acompanhou agradeceu.

Gnosis abriram às 16h50 com um espectáculo de black metal teatral e imersivo. Apresantando o seu álbum de estreia “Within // Without”, na hora errada, visto que à luz do dia perde metade da magia, como aconteceu com os Erzsébet, que abriram um dia, mas este ano fecharam uma noite. Os Gnosis mereciam o mesmo tratamento.

Death & Legacy, de Zamora, entraram com uma bandeira de Portugal e um gritos brutais da vocalista Hynphernia, como se tivesse um demónio lá dentro, energia que compensou pelo resto da banda que estava um pouco estática. Já contam com algumas visitas a portugal e quatro LPs.

O momento mais tocante do dia foi devido aos Gwydion, ícones de folk metal nacional, e os vikings mais sorridentes que já vi. Passou pouco mais de um ano desde que o Daniel César, teclista e membro fundador faleceu subitamente com apenas 44 anos, e a memória dele continua presente em cada concerto. Estrearam uma inédita do álbum que aí vem, e no fim do set a plateia ergueu um estandarte com uma foto do Daniel que dizia “Hail Daniel”, que passaram até ao palco. Pura emoção.

Seguiu-se uma dupla Sueca, os Enforcer entraram cheios de energia, com saltos a correr duma esquina do palco à outra, com um final talvez cliché de encore. É essa a atitude, como se estivessem a fechar o festival. Os agudos esganiçados do vocalista eram surpreendentes, mas pessoalmente preferi o som em álbum mais refinado do que ao vivo.

The Haunted estiveram bem e com som mais equilibrado, dos sets mais intensos do dia, a plateia em circle pit e surf constante. Foi também a minha desgraça anual, o mesmo tipo que me emboscou durante os Alestorm no ano passado para surf, cumpriu o prometido espanhol-me outra vez. Recusei, mas mal dei dois passos atrás, caí direitinho nas mãos de dois cúmplices e lá fui eu. Involuntário e agarrado às câmaras com a vida e sem seguro. Infelizmente o telemóvel saltou do bolso, e dei varias voltas furiosas ao recinto no meio do circle pit, esperando o pior. Felizmente o anjo da guarda do costume, Damas, o tinha apanhado. Por mais piada que tenha, respeitem quem não quer fazer surf, por alguma razão é e pode ser um acidente bem caro.

Com Paradise Lost o recinto encheu completamente. Os britânicos não precisam de introdução. Conseguiram um som perfeito e fizeram um passeio pela discografia que mostrou as diferentes fases da banda. Tive a sorte de os ver também no Wacken, mas de dia não transmitiu a mesma emoção. O Nick Holmes, declarou um pouco estupefato “it’s the first time I play in front of a bouncy castle, and I’m thinking, why aren’t those kids in bed?”. Bem vindo ao horário mediterrâneo meu caro, pensei.

Os Ethereal, de Setúbal, fecharam depois da uma da manhã, mais cedo que as edições anteriores, que agradeço. Fizeram um óptimo trabalho a promover o “Downfall” e puseram a plateia, que ainda era muita, a cantar refrões, apesar de alguns problemas técnicos de som. Um excelente dia de música seguido por uma excelente noite de sono em cama de hotel. Para os aventureiros, o Chaotic Therapy estava presente, e como sempre disposto a continuar até à de madrugada.
Texto e fotos por Luís Balsa (Moshografia)
Agradecimentos Caminhos Metálicos
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