WOM Report – Naxatras, Jesus The Snake @ RCA Club, Lisboa – 19.04.19

A sexta-feira era Santa, mas nem por isso o RCA Club de Lisboa deixou de esgotar para voltar a reencontrar os “deuses” gregos do psicadelismo, os Naxatras. Depois de terem contagiado tudo e todos o ano passado aquando da passagem pelo SonicBlast Moledo, o trio de Salónica visitou Lisboa e Porto para dois concertos em nome próprio, trazendo na bagagem o terceiro disco de originais, “III”.

A noite iniciou-se com a presença em palco dos Jesus The Snake, um jovem quarteto oriundo de Vizela, e que encheram a sala do RCA com os sons retirados do seu único registo fonográfico até à data, um auto-intitulado EP que foi muito bem recebido pela crítica aquando do seu lançamento no final de 2017. Com o baixista Rui Silva a tomar a iniciativa de agradecer ao público entre faixas, fomos sendo brindados com uma viagem a territórios que Pink Floyd desbravaram décadas atrás, aqui e ali pintalgadas com grandes detalhes vindos das mãos do teclista Gonçalo Palmas, avançando a espaços para um stoner moderno a la Samsara Blues Experiment, cortesia de um excelente dedilhar do guitarrista Jorge Lopes e um João Costa furioso atrás das peles, de tal modo que pela segunda música já tinha despido a t-shirt. Calorosa recepção da plateia, onde pontificavam alguns seguidores da banda, mas na sua maioria gente desconhecedora das paisagens sonoras de faixas como “Floyds I” ou “Karma”.

Rápida mudança de palco, e sem grande intervalo entre o soundcheck e o início do concerto, os Naxatras arrancam para cerca de uma hora de hipnotismo sónico, estendendo cada faixa apresentada bem para lá dos 7-8 minutos registados em disco. O público que encheu o RCA estava lá para ver como soaria ao vivo as faixas de “III”, mas mostrou-se bastante agradado sempre que John Delias, Kistas Harizanis e John Vagenas entravam por territórios dos seus antecessores, o auto-intitulado LP de 2015 e o consequente “II” do ano seguinte. Vagenas intervém a espaços para pequenos apontamentos vocais mas o espaço é dado em absoluta primazia ao som dos Naxatras, com a banda sempre à vontade para estender e acrescentar pormenores a cada faixa apresentada.

Este foi um concerto em que, há semelhança do que fazemos em nossa casa quando colocamos um disco de rock psicadélico no gira-discos, as faixas sucedem-se naturalmente num ambiente groovie e algo xamânico, com a ordem dos temas tocados a ficar perdida na celebração do momento. Haverá algum fã deste género musical que dê importância à individualização dos temas? Parece-me que não, pois neste caso em particular – e presumo que seja sempre assim no geral – o mais importante é mesmo estar envolvido no som que brota da munição de palco e que vai, quase sem querer, embalando o nosso corpo para uma experiência quase transcendental. E nesse aspecto, os Naxatras são exímios!!!

Texto e fotos por Vasco Rodrigues
Agradecimentos Garboyl Lives


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