WOM Report Not Dead Yet Fest @ Sociedade Recreativa Estrelas do Feijó, Almada – 5.10.2018

 

O Not Dead Yet Fest é um festival dedicado ao metal mais extremo, o death metal e grindcore. Foi promovido pela Soundblast Productions com o apoio da World of Metal. Esta é a reportagem do segundo dia do evento. Nesta ligação temos a reportagem dos concertos no primeiro dia. Aqui temos o guia musical da WoM sobre este evento. Sem delonga, vamos ao que interessa, vamos à música, a reflexão sobre o festival no final do artigo.

 

Autopsya

É o fim da tarde naquela rua sossegada no Feijó, à entrada do recinto para o segundo dia do Not Dead Yet Fest. Cerca das 20h estreia-se o palco desta noite com a presença dos Autopsya, que trazem um bom clássico thrash metal, em formato trio, com um som bem ajustado, competente e ora com grande groove, ora acelerado; espírito old school. Com temas como ‘Blasfémia’ e ‘Times of War’, revelam um pouco do mais recente trabalho: disco de estreia ’Thrash Metal Army’ (confiram na iTunes Store) e comunicam que gravaram o segundo álbum esta semana, e estará para sair no próximo ano. A casa ia adquirindo algum público, e depois dos primeiros temas vem uma cover de ‘Nameless’ (Caneças), e vem uma secção mais festiva. Falam de cerveja e miúdas, e… cerveja. E imperiais. Foi um bom aquecimento, clássica thrashada e festa a abrir por perto de 30 minutos a tocar.
 

 

Derrame

Peso explícito. Chegam os Derrame, com uma bela pomada de músicas fofinhas de embalar. Só que tem um peso dos diabos. Peso. Aquele baixo acutilante, gutural grave e riffs densos, por vezes dissonantes, bom peso, muito underground. Well done. Esta banda da Bobadela fez uma bela introdução no palco: ‘boa noite, nós somos os Derrame, a próxima é fofinha. Chama-se “Necro – Messiah”. Está forte, uma ode ao metal extremo. Do EP de estreia, “Crawl To Die” (2014), tocaram este e outro tema, ‘Creator’ que os estreou no palco do Feijó a detonar um peso brutal como se algo tivesse corrido muito mal com o mundo.
Anunciam novidades, tocam temas novos: ‘Bloodcurse’, ‘Requiem’ e ‘Chaos in Earth’, músicas do novo álbum a gravar, que estará disponível no próximo ano. Santo peso. É sempre a aviar. Infelizmente por limitações de tempo e fruto dos atrasos que se verificaram no início, encurtaram a setlist e deixaram de fora o tema ‘Ruinned’. O som foi incrível, e a julgar por estes novos temas ao vivo, só prevemos um álbum brutal que abalará certamente muitos palcos, seja feita a vossa vontade. Entretanto, fica o EP que está disponível na página de Bandcamp.
 

 

Bowelism

Actuação impecável, apetece-me dizer. Talento e profissionalismo, como que um renascimento a provar grande forma, dos Bowelism, uma banda de Amadora e Queluz já formada em 1998 (ou foi 1994?), inicialmente com o nome Bowel Of Mary. Poderia aqui enumerar a setlist de 15 temas para uns 20 ou 30 minutos de palco, poderia, mas apenas umas dezenas de possuidores de umas cassetes gravadas reconheceriam os nomes. Não importa. A formação de Bowelism está agora sólida, e consta que estarão prestes a gravar e a lançar novidades. O que eles fazem merece ser visto ao vivo de qualquer forma, e dizem ser um blend de grindcore / crust / punk / death metal. Um blend refinado, eu diria, mas conta o que conta, e uma secção rítmica implacável, entre o baixo áspero do Marcos Costa (Scum Liquor) e os blast beats do J. Vitorino e movimentos da guitarra de Pedro Teixeira (os dois ex-membros de Inverno Eterno), a juntar um gutural grave de Carlos Martins, cria todo um manancial de peso.
Desde o início a atuação teve um bom impacto, e nunca perdeu andamento. Sem espaços para intervalos, foi uma apresentação tipo shot. Profissionais do rasganço. Sejam curiosos e descubram estes temas na página da Enciclopédia do Metal e Discogs, onde a banda têm um link para o download da demo tape de 2004.
 

 

Grog

Fvcking brutal grindcore extreme death metal! Aquela casa da sociedade recreativa do Feijó não seria mais a mesma. Prestes a entrar em cena, a mestria do caos organizado: com os Grog em palco, todos os alicerces abanados. Definitiva banda ao vivo. E que festim trouxeram? Uns 15 temas para 40 minutos e mais qualquer coisa com música extrema. Destaque para uma mão de temas do último disco, ‘Ablutionary Rituals’ de 2017, entre eles ‘Uterine Casket’, ‘Sterile Hermaphrodite’, ‘Gut Throne’ ou ‘Vortex of Bowelism’. Como se sabe, eles entram a rebentar, e não mostraram indícios de vir a abrandar durante toda a atuação. ‘O microfone do timbalino não funciona, mas ele [Rolando Barros] usa-o uma vez em 45 minutos’, anima Pedro Pedra, e depois funcionou e de repente… uuuuuuurrrrggghhhhh é como se o gutural do Pedra fosse o chamamento dos fiéis. Tocam a ‘Savagery’ e somos totalmente invadidos por uma besta de som devastadora e aqueles harmónicos no baixo do Alex.

A meu ver, Grog é uma máquina, uma espécie de magia bizarra que nos traz um verdadeiro atentado blasfemo à decência mental. Mas não temos de soltar a nossa loucura e exteriorizar emoções? Isso. Talento alinhado dos músicos a explorar novos patamares de velocidade e agressão dos nossos sentidos. Magos do metal. Ali pelo meio do alinhamento, regressa-se a ‘Rotten Grave’, uma viagem ao clássico Macabre Requiems de 1996. Boas notícias para os fãs: há um par de dias, a banda anunciou que está para chegar, através de parceria Helldprod e a Chaosphere Recordings, a reedição deste clássico, uma pérola indecente de brutalidade na história do metal português, que fez 22 anos desde o lançamento. Ficai atentos.
 

 

Necrot

Um final à altura do Not Dead Yet Fest: para encerrar o cartaz a única banda estrangeira desta noite. Após a atuação no dia anterior para os metaleiros do Porto, no DeathFest, importámos os Necrot para lançar o caos no palco do Feijó. Este power trio de Oakland, California, formou-se em Abril de 2011, tendo gravado três demos, editado uma compilação (“The Labyrinth”, que reúne esses mesmos temas), e finalmente, lançaram em 2017 o seu álbum de estreia ‘Blood Offerings’, via Tankcrimes. Este disco trouxe um bom impacto da banda à cena underground, foram badalados, toda a gente falava que eram muito bons, o disco era um besta. Em palco, o grupo de Luca Indrio, Chad Gailey e Sonny Reinhardt, mostraram o porquê. Eles têm um som de brutal death metal com uma atitude punk, e apesar de serem apenas três, é incrível a devastação da sua música.

Indomável som da morte. Quanto tocaram ‘Rather Be Dead’ do novo disco, logo ali ficaram apresentados. Músicos com talento e uma atuação implacável, sólida e com muito mosh na linha da frente. Espaço ainda para um encore, ‘I want to see you guys going crazy in there’, e fecham assim o concerto, cerca da meia noite. Confiram o repertório dos Necrot na página de Bandcamp.
 

 

 Conclusão

Neste segundo dia do evento, contámos com a presença de mais algum público face à semana anterior. Ainda assim, longe de ter a audiência suficiente, a merecida para um cartaz deste nível. Pensamento: porquê?

Seja qual for a reposta, uma coisa é certa, e é nisto que os nossos leitores devem pensar: apoiar o underground nacional. Reconhecer o talento em Portugal. Quem faz música, ou outra arte, fá-lo por manifesto de expressão, necessidade de criar. Amor à camisola. Depois de assistir a um cartaz que conseguiu reunir 6 bandas nacionais e 3 estrangeiras, dentro deste estilo musical, só poderemos imaginar como seria este festival com uma casa cheia. Porque o som era excelente. Os acessos, nada a apontar. Os preços da entrada? Acessíveis.

Sinceramente, esperamos que aconteça uma segunda edição deste festival. Boas bandas nacionais, nomes instituídos da cena underground, e bons nomes internacionais. O prejuízo não fica apenas para a promotora, ou as bandas, é de todos. Porque desta vez, uniram-se esforços e montou-se um evento que por um triz não se realizava, dadas as notícias conhecidas da mudança de local, na próxima vez…? O tempo dirá. Tudo parece difícil no fado português.

 

Texto e Fotos por Hélio Cristovão (@MoonInMercury)
Agradecimentos: Soundblast Productions

 

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Hélio Cristovão

www.instagram.com/mooninmercury

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