WOM Report – River Stone “Winter” Fest – Cain’s Dinasty, Godark, Vëlla, The Fines @ Rio de Moinhos, Penafiel – 23.04.22

Depois de duas edições canceladas pela pandemia, o River Stone aproveitou o levantamento das restrições e não esperou por Setembro para a realização habitual do festival, fazendo uma versão in-doors em Abril.

Os The Fines abriram a noite, com toda a irreverência do rock cru que tocam há quase duas décadas. Não se deixem enganar pela aparente falta de maturidade ao ouvirem José Santos a cantar o refrão de “Põe a Mão na Mão do Meu Senhor (da Galileia)”, ou as piadas mais apropriadas a um balcão de bar do que a um palco, ou a auto-desvalorização do baterista Vítor Santos “vêm aí bandas a sério” declarada no final da actuação. A garra com que interpretam as suas músicas é a encarnação do espírito do rock e o bom humor e descontração com que as temperam espelha a satisfação com que o fazem – a sensação que qualquer músico e amante de música deveria sentir. Se mais nenhuma tragédia assolar o nosso planeta – e a propósito, Sandro Costa dedicou “Remember”a “todos os que passaram por maus bocados”  – “Cuming Soon”, o próximo álbum da banda de Penafiel, sairá ainda este ano.

O “power metal vampiro” dos Cain’s Dinasty chegou cheio de força – nem mesmo um problema técnico com a guitarra de Álex Ramírez logo na primeira música “Pure Evil” pôs qualquer tipo de travão na actuação da banda de Alicante. Rúben Picazo pediu desculpa por, com pena sua, não saber falar português, e aproveitava todas as ocasiões para dizer “obrigado”. Nós, por nossa vez, fizemos tudo para merecer esse agradecimento – especialmente no acompanhamento do refrão de “Blood For Blood” – pois os nuestros hermanos deram um excelente concerto e também nós estávamos gratos por isso. “The Witch & The Martyr” é o mais recente trabalho (já o quinto) e foi nele que se focaram mais. Para o final, guardaram o tributo à “grande influência” Alexi Laiho na forma de “Silent Night, Bodom Night” dos Children Of Bodom.

Os Godark puderam finalmente apresentar na sua terra natal o álbum “Forward We March” – sem máscaras, sem distanciamento, SEM CADEIRAS… e com um alinhamento reforçado. Em Julho passado, Carlos Preto subiu ao palco no lugar de Rui Fernandes, que não pôde estar presente. Já este ano, Carlos foi apresentado nas redes sociais como membro permanente… mas a juntar aos demais, não a substituir ninguém. Confesso que a princípio fiquei algo céptica à ideia de três guitarras, mas os Godark sabem fazer as coisas e o som ficou bastante rico em vez de confuso, como pensei que ficaria – e, muito important, sem abafar o baixo. Desde “Miserable Noise” a “Forbidden Words”, o álbum foi apresentado na íntegra com a qualidade que lhe assiste. Aliado ao facto de serem a “banda da casa”e marcar o regresso aos “concertos como deve ser”, dizer que foi uma festa (em cima e à volta do palco) não lhe faz justiça.

Para o final ficou o som mais alternativo, mas igualmente bem-vindo, dos Vëlla. “Coma” saiu em Março de 2020 e já começam a rodar músicas novas (“para quem não nos conhece, é igual ao litro”, disse Pedro Lopes com um sorriso) – tão novas que ainda não têm nome, como a “Bife da Vazia”, “dedicada a todos os vegans” (é tanga, a música tem título e chama-se “Of Excess”). Elogiando o caldo verde servido no bar, e agradecendo aos Godark pela iniciativa, por trazerem “maluquinhos de Lisboa” e manterem viva a rotação de bandas nacionais em palco, o primeiro single “Mannequin” e depois “The Promise” – com a participação especial de Miguel Inglês dos Equaleft – fecharam uma actuação que transbordou dinamismo e vigor.

Texto e fotos por Renata Lino
Agradecimentos River Stone

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