WOM Report – Sotz’ – Apresentação de “Popol Vuh” – Lyfordeath – Hard Club, Porto – 18.06.2021

Editado em Novembro do ano passado, o concerto de apresentação do longa-duração de estreia dos Sotz’ foi mais um a sofrer com a pandemia. Estamos ainda muito longe de reunir as condições perfeitas para uma festa “à altura” – aos saltos, sem qualquer distanciamento ou máscaras a abafar-nos os gritos de entusiasmo – mas banda e fãs não quiseram esperar mais. Desta vez, o Hard Club não passou a gravação com as regras da DGS, mas como éramos “lindos, inteligentes e espectaculares” (usando as palavras de Dan Vesca), todos (ou quase…) cumprimo-las mesmo sem ser relembrados para fazê-lo.

Não tenho propriamente saudades dos atrasos nos concertos ditos “underground”, mas não pude deixar de sorrir com este cheirinho a normalidade que os Lyfordeath proporcionaram (ainda que, certamente, não tenha sido com esse propósito). Foram só cerca de dez minutos, mas quando estamos sentados e não vemos um concerto ao vivo há algum tempo, parece mais. Iniciaram com “Tenebrae”, o primeiro vídeo oficial de “Nullius In Verba”.

A noite podia ser dos seus “irmãos” Sotz’, mas desde logo percebeu-se que o público estava igualmente satisfeito por ver a banda de abertura – e não me refiro ao número de t-shirts vestidas, que era bastante razoável. Não sei se foi isso que incentivou Gil Dias a tratar-nos a nós também por “irmãos” (foi apenas a segunda vez que os vi e, honestamente, não me recordo se na primeira foi já este o tratamento), mas o ambiente justificava-o; a qualidade da música em si (uma combinação simultaneamente agressiva e obscura de thrash/death) e a expressividade da sua actuação colocou-nos todos “na mesma página” durante quarenta minutos e fez-nos sentir parte da mesma família.

“Popol Vuh” foi de seguida apresentado mais ou menos pela mesma ordem da versão de estúdio. O nível de familiaridade banda-público era ainda mais latente e não tardaram as piadas entre ambos – especialmente no que toca à famosa predilecção de Vesca por gatos (“miau car***o!”). Concerto que é concerto tem de incluir problemas técnicos – o próprio Vesca afirmou – e coube à guitarra de Pedro Magalhães manter essa tradição. O que quer que fosse foi resolvido com alguma brevidade, aparentemente pelas mãos dos promotores, pois o vocalista pediu uma salva de palmas para a Tuga Gesso por “terem tudo”.

“Popol Vuh” conta com três convidados, mas com um a morar em Itália (Stefano Franceschini dos Aborted, no tema “Tree Of Knowledge”), era mais que óbvio que não estariam todos presentes. Por outro lado, quando Vesca perguntou quem gostava de Dark Oath, a surpresa não foi muito grande quando o guitarrista esquerdino Sérgio Pinheiro entrou em palco para tocar “Eye Of Balaam”. Não que ser esquerdino tenha qualquer influência no seu talento, mas com o cabelo à frente e o jogo de luzes de fundo, não consegui nenhuma foto da cara do rapaz e é para que possam identificá-lo na galeria…

Mais uns probleminhas técnicos – agora com a guitarra de João Rocha – na última música, “Prospects Of Pakal”, já Ricardo Pereira dos Moonshade estava em palco para ajudar a cantar. E acabou por ajudar também a passar o tempo enquanto o problema era resolvido. É provavelmente a minha música preferida do álbum e a entrega de ambos os vocalistas foi simplesmente contagiante. Não que a de Vesca (ou do resto da banda) não o tivesse sido por si só. Aliás, após vários concertos de Sotz’, posso assegurar o seu crescimento, tanto a nível musical como prestação em palco.

No final, o público pediu mais uma – “Popol Vuh” tinha sido apresentado mas ainda têm o EP “Tzak’ Sotz’” na bagagem. Mas já só havia tempo para a selfie que se tornou habitual.

Texto e fotos por Renata Lino
Agradecimentos Tuga Gesso


 

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