WOM Report – Sworn Enemy, Terror Empire, Challenge @ RCA Club, Lisboa – 26.10.18

Anos atrás, seria quase impensável termos uma noite que juntasse na perfeição o espírito hardcore e o metal. A união faz a força e a música não poderia ser excepção e embora nem sempre seja assim, naquela noite de celebração no RCA Club, foi efectivamente se passou. Foi uma noite especial a vários níveis. Não só festejávamos o décimo quinto aniversário do álbum do Sworn Enemy, “As Real As It Gets” como seria a oportunidade de ver pela última vez em Lisboa os Challenge depois do seu fim anunciado e, claro, conferir todo o poderio metálico por parte dos Terror Empire.

A noite começaria com uma sala ainda algo vazia, mas isso não foi impedimento para uma actuação cheia de raça e energia, que provocou logo sérias movimentações acrobáticas em frente ao palco. O poder dos Challenge é só comparável à sua humildade e isso é notório a cada actuação que dão, onde nunca faltam os agradecimentos a todos os fãs, bandas e agentes do underground que mantém a cena viva. Com malhões como “Our Streets” e “Legends Never Die” (que a banda dedica sempre ao seu amigo Sérgio e que agora seria dedicada também a outro Sérgio, ao “Bifes” que tão cedo partiu de nós), não haviam dúvidas em relação à perda que temos todos com o fim da banda das Caldas da Rainha. Alguns problemas técnicos encurtaram a sua actuação e quebraram o fluir da mesma, mas o hardcore nunca foi perfeição, o hardcore sempre foi o sentimento e o extravasar de emoções fortes e isso certamente não faltou. Ainda falta uma despedida para fazer, dia 25 de Novembro no Porto.

Com uma toada mais metálica, seria de prever que houvesse uma quebra de interesse pelos mais cínicos mas tanto a experiência como a qualidade e poder da música dos Terror Empire impediram que algo assim acontecesse. E se houve alguma timidez por parte do público, bujardões como “Times Of War” e “Burn The Flags” ajudaram a que as acrobacias, sempre impressionantes de se observar, tivessem lugar no espaço em frente ao palco, ao qual Rui Alexandre apelidou de Golden Circle, sendo que este era do povo, livre de encargos, hardcore style. O thrash metal da banda de Coimbra é das coisas mais acutilantes que temos no nosso underground e a sua brutalidade não deveria ser estranha a todos os fãs de Sworn Enemy que estavam presentes e que à partida poderiam não estar tão receptivos. As pontes feitas com o hardcore já existem há algum tempo e as fronteiras são derrubadas quando se tem uma actuação bem sólida e segura que foi do agrado de todos os presentes.

Para finalizar, a banda pela qual se esperava e que era o motivo da reunião naquela noite de sexta-feira: Sworn Enemy. A banda tem vindo a celebrar o décimo quinto aniversário do seu emblemático álbum de estreia, “As Real As It Gets”, que é uma bujarda épica de hardcore metalizado, onde o thrash é parte mais que integrante assim como outros elementos de metal extremo. A banda norte-americana tocou o álbum na íntegra, com algumas das faixas a formarem sequências verdadeiramente explosivas. O público ficou logo ao rubro desde o primeiro acorde de “Sworn Enemy”, o primeiro tema do alinhamento. Os números de espectadores poderiam ser inferiores aos que uma banda destas mereceria mas tiveram o entusiasmo e a resposta por parte dos mesmos bem à altura. No entanto, não era para menos porque a abordagem dos norte-americanos convida ao movimento. Mesmo a quem não tem por hábito extravasar fisicamente.

Apesar da posição de cabeças de cartaz, a atitude dos Sworn Enemy foi sempre pautada pela humildade que lhes é reconhecida, onde nem faltaram um pedido de aplausos para os Challenge e Terror Empire – referir-se pelos nomes às bandas de abertura é sempre um sinal de respeito. Ou seja não basta pregar, tem que se fazer também. Depressa “As Real As It Gets” é tocado na íntegra – Sal Lococo, o vocalista e único membro original, referiu isso mesmo quando disse que quinze anos de história tocados em trinta minutos – e ainda houve tempo para ouvir a novidade “Prepare For Payback” do álbum a sair no início do próximo ano e a passagem pelas já inevitáveis “Punishment” dos mestres do crossover nova-iorquinos Biohazard e a “We Hate” que desagua invariavelmente na secção final da “Domination” dos Pantera. Com as portas já abertas e inesperadamente, a banda ainda voltou para o encore, tocando a também emblemática “I.D.S.”, colocando o ponto final de forma perfeita a mais uma grande noite de música pesada no RCA Club. São celebrações destas que estão na base da sobrevivência do underground, tanto no metal como no hardcore.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Hell Xis Agency


 

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