WOM Report – Visions Of Atlantis, Chaos Magic, Morlas Memoria, Glasya @ RCA Club, Lisboa – 22.02.20

Uma das queixas que mais temos ouvido nos últimos tempos é da quantidade absurda de concertos (de qualidade, saliente-se) que temos tido, uma fenómeno conhecido popularmente como arromba-carteiras. Apesar de ser um problema real, o que há a reter é que isso não impediu que o público comparecesse ao chamado dos Visions Of Atlantis que se estreavam em Lisboa depois de terem passado pelo Porto no dia anterior. O cartaz era de luxo, até porque aos Chaos Magic e Morlas Memoria, juntavam-se ao cartaz os nossos Glasya, estando reunidas as condições para a grande noite que se verificou.

A intro de “Heaven’s Demise”, tema-título do álbum de estreia dos Glasya foi o tema de abertura que se esperava e antecipava e o impacto é sempre grande quando surge Eduarda Soeiro a empunhar a lança, em modo guerreiro. Mais impressionante é sempre ver a forma como materializam os temas que foram registados imaculadamente em estúdio. Apesar da sala não estar propriamente cheia, foi bom apreciar que muitos foram de propósito para ver a banda portuguesa. E quem não foi, definitivamente que não saiu desiludido. Vários momentos altos – os solos de Bruno Prates e claro a entrega vocal de Eduarda, que esteve no seu melhor – mas um deles foi sem dúvida a participação de Paulo Gonçalves na “The Last Dying Sun”, a repetir no palco do RCA Club, aquilo que já fez no álbum.

Confesso que esta entrada elevou a fasquia para o que se seguia e que, infelizmente (e na minha perspectiva) não foi superada pelos Morlas Memoria. A banda alemã de metal sinfonico, com fortes tiques góticos estava a visitar o nosso pais pela primeira vez, na digressão que acompanha os Visions Of Atlantis. Todavia, o registo operático de Leandra Johne não deixou de impressionar assim como os momentos em que puxou da flauta e acrescentou algo de diferente a um som que sofria por ser “demasiado igual”. Não haja qualquer dúvida em relação à entrega da banda, que também conseguiu arrecadar boas reacções por parte do público sempre que estas foram solicitadas. O momento alto ficou para o final com a “Mine Of Pictures”, tema-título do último trabalho de originais que data já de 2017.

Já os Chaos Magic conseguiram-nos surpreender pela positiva. Bem, teremos de ser sinceros, não foi propriamente uma surpresa já que a conhecíamos a banda de Caterina Nix, quando ainda era “apenas” um projecto que contava com os préstimos de um tal de Timo Tolkki. Com “Furyborn” (e já sem Tolkki), a banda deu um passo em frente e materializou-se mesmo como uma banda e não apenas um projecto que tinha Nix como destaque. A surpresa agradável foi sobretudo pela forma como se destacaram daquilo que era a corrente da noite. Apesar de se poderem categorizar como metal sinfónico, há um feeling mais hard rock e mais tradicional por trás das músicas, que nos renderam bons momentos como os duelos de solos entre a guitarra e a… keytar – quão anos oitenta é vermos alguém com uma keytar?

Com uma sala visivelmente mais cheia, era a vez dos senhores da noite subirem ao palco e pela reacção com que provocaram com a sua entrada e primeiro tema, “Release My Symphony”, que também é o primeiro tema do último álbum de originais, “Wanderers”, álbum esse que dá nome também a esta digressão dos Visions Of Atlantis que terminava o seu curso também naquela noite. A recepção entusiástica foi totalmente merecida por aquilo que a banda entreou ao longo de um alinhamento generoso, e cheio de dinâmicas. A dupla de vocalistas Clémentine Delauney e Michele Guaitoli esteve bastante dinâmica na partilha da voz – sendo que Clémentine acabou por ter sempre um bocado de protagonismo – e nas várias danças que encetaram, num espaço algo reduzido.

O foco esteve nos trabalhos mais recentes, sendo que os dois álbuns mais recentes da banda forneceram doze temas para o alinhamento sendo que foi o já mencionado último álbum, “Wanderers”, com um total de sete músicas, o preferido. De qualquer forma, o público não nos pareceu estar incomodado com isso, já que até um momento mais intimista no tema-título, onde Clémentine cantou tendo como companhia apenas a pista de piano pré-gravada acabou por resultar muito bem. Esse momento também serviu para ajudar à dinâmica do concerto que se quer sempre com várias nuances.

No entanto, nesse aspecto, teremos de apontar que o facto da banda (ora através de Michele ora através de Clémentine) fazer sempre uma intro falada ao público sobre o tema que se seguia fez com que o ritmo se perdesse um pouco, além de que o tom teatral nem sempre foi bem conseguido. Seja como for todos estavam satisfeitos no final, banda incluída, tendo garantido que voltaria ao nosso país – e numa nota de curiosidade, pareceu-nos Michele Guaitoli dizer novamente que se tratava da primeira vez que visitava o nosso país (pela segunda vez, já que aquando a prestação da banda no Vagos Metal Fest disse o mesmo). Provavelmente ouvimos mal, provavelmente queria-se referir que era a primeira vez em Lisboa. Que voltem sempre e que seja tão bom como se fosse (eternamente) a primeira vez.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Amazing Events


 

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