WOM Reviews – Amorphis / Alestorm / Old Forest / Twisted Mist / Wrek Age / Sanctimoniously / Cold Cell / Mepharis / Eisregen / Goat Funeral

WOM Reviews - Amorphis / Alestorm / Old Forest / Twisted Mist / Wrek Age / Sanctimoniously / Cold Cell / Mepharis / Eisregen / Goat Funeral

Amorphis - “Live at Helsinki Ice Hall”

2021 – Nuclear Blast

O mais recente trabalho dos Amorphis é ao vivo, o que nem é surpreendente, tendo em conta tudo o que estamos a viver. Mas mais do que um lançamento de recurso, este é um álbum ao vivo que se assume mais que justificado pelo sucesso monumental que foi o “Queen Of Time” que data já de 2018 que, como esperado, ocupa grande parte do setlist deste duplo CD. Também temos algumas incursões pequeenas mas certeiras pelo passado da banda (o mais longínquo assim como o mais recente) deixando de parte a fase que para muitos foi uma travessia no deserto (e de certa forma para a banda também). Tal não é inesperado, tendo em conta que estamos a falar de uma banda com um catálogo longo e recheado de coisas boas, seria de esperar que a banda fosse pegar naqueles temas que mais fazem sentido no contexto actual. E essa é uma vantagem. Uma banda com uma carreira tão diversificada e aquilo que temos é um álbum ao vivo que consegue ser homogéneo tanto a tocar temas de 2018 como de 1994. Para os fãs, não há palavras a dizer até porque não é preciso. Este é um álbum a adquirir. Para quem chegou agora – porque nunca é tarde, é uma boa introdução ao som da banda.

8.5/10
Fernando Ferreira

Alestorm – “Live in Tilburg”

2021 – Napalm

Novamente voltam os nossos amigos Alestorm com as suas aventuras que sempre nos lembram que todos temos saudades das algazarras dos concertos ao vivo (concertos ao vivo mesmo, não aqueles em que fica toda a gente de régua a medir distâncias). Desta vez a aventura chega-nos na forma de um álbum live e de de dois covers acústicos de cânticos náuticos. O álbum ao vivo, referente ao concerto de 2019 na Holanda (cá entre nós, bem melhor que a Eurovisão deste ano) mantém a qualidade dos seus antecessores: um bom equilíbrio entre o som de guitarra e dos dois teclados e entre o vocal da banda e do público, um repertório de ampla diversidade que além de incluir o álbum mais recente da banda na altura (“No Grave But The Sea”), aglomera o épico, a festa, a paródia, o romântico do som de Alestom, contando também com a sua melhor música (Rumpelkombo, porque o que é bom vem e vai depressa) e, como já é costume, também é sentido o investimento de banda e de público no aproveitamento do momento. Novamente, um sucesso por Alestorm e companhia.

10/10
Matias Melim

Old Forest – “Mournfall”

2021 – Death To Music Productions

A regularidade editorial poderá ser sempre suspeita e este efectivamente é o terceiro álbum dos Old Forest em três anos (e o sexto da conta global da sua carreira) mas não é preciso muito dele para ficarmos convencidos que estamos perante algo especial. Talvez os apreciadores do black metal mais puro não o sintam dessa forma mas devo dizer que a mistura e partilha de elementos com o doom metal traz uma lufada de ar fresco. Podemos ter os italianos Forgotten Tomb como referência mas aqui o lado mais melódico do doom metal está explorado de forma mais clássica e tradicional. Temperado com a abrasividade da voz tipicamente black metal e as guitarras cortantes, traz uma sonoridade que entra logo sem pedir licença. A par disso temos uma excelência na composição que também é o que faltava para que este seja um álbum a ouvir e lembrar nos próximos anos. Fica a vontade também de pegar no que está para trás.

9/10
Fernando Ferreira

Twisted Mist – “Orbios”

2020 – Music Records

Apesar de não negar que o folk metal teve um boost de popularidade e procura devido a certas bandas chave, tenho que afirmar que o estilo na sua génese – e aqueles que o criaram apesar de não serem  assumidamente ou popularizaram – sempre foi eficaz. Se a música tem impacto por me fazer criar imagens, o folk eleva esse patamar a níveis ainda mais superiores. Como tal o início de “Orbios” tem logo o efeito de conseguir deixar-me cativado. A sua abordagem é mais mística, com um foco maior no ambiente do que propriamente em melodias festivas, mas é esse ponto que considero ter um maior impacto. As melodias são intemporais seja nos momentos acústicos seja nos momentos em que a distorção rebenta. Devo confessar que não esperava o facto de haver um equilíbrio de quase metade entre as duas facetas, mas é algo que não prejudica. Só a produção da parte metálica poderia ser um pouco mais orgânica, mas este é apenas um detalhe, e poderá ser mesmo devido ao meu gosto pessoal. É o terceiro álbum da banda mas é o primeiro que ouço e fiquei fã.

8.5/10
Fernando Ferreira

Wrek Age / Sanctimoniously – “Azorean Heavy Metal 1980-2000 Collection Vol.3”

2021 – Mars Productions

Assim chegamos ao terceiro volume, com duas propostas bastante distintas. De um lado a demo dos Wrek Age editada “We Love It Loud”, originalmente editada em 1990, que revela um som bastante cru, próprio também das limitações técnicas propícias da altura. Dá-nos que pensar no “e se” e também de pensar como seriam estas músicas com uma produção diferente. Do outro lado temos os Sanctimoniously, que se inserem dentro do black/death metal melódico. Temos a promo “The Fire Still Burns” de 1997 e ainda a demo “Always Cruelty”, registada no mesmo ano mas que nunca chegou a ser editada mas que vê assim resposta justiça. Demo até que tem uma (ligeiramente) melhor produção embora demonstre que a banda ainda tinha um percurso a fazer. Pena foi, tanto uma como outra, não terem tido hipótese de percorrer esse caminho evolutivo mais um pouco.

Fernando Ferreira

Cold Cell – “The Greater Evil”

2021 – Les Acteurs De L’Ombre Productions

Formados em 2012 na Suíça, os Cold Cell são uma banda de um black metal mais espiritual e atmosférico. The Greater Evil é o seu quarto álbum lançado em 9 anos e apresenta-se como um trabalho de crítica social aos radicalismos da era contemporânea através da metáfora bastante direta (ex.: “making atrocities great again”; “ignore the facts/Spread the fakes/In small doses/Easy to accept”). Musicalmente é um trabalho complexo, mas mesmo assim leve de se ouvir na medida em que as sonoridades são tão interessantes ao ouvido que o peso próprio do subgénero fica em segundo plano perante a arte apresentada pelos suíços. Dentro dos trabalhos de teor mais político (disfarçado sob metáfora) este é um dos que mais impressionou devido à subtileza da conjugação da arte e da critica social (muitas bandas tendem a se perder na questão da mensagem e acabam por ignorar qualquer tipo de subtileza expressiva) e à qualidade do trabalho instrumental deste álbum. Tanto sonoramente como a nível de conteúdo, é um trabalho que merece ser ouvido.

8.5/10 
Fernando Ferreira

Mepharis – “Sic Luceat Lux”

2014 – Edição de Autor

Interessante estreia dos polacos Mepharis. Um regresso ao passado feito com gosto embora tenha que admitir que a estética da produção relembra mais 1994 do que 2014 mas ainda assim a mistura de doom e death metal melódico surge de forma bastante energética e até vai por vezes para caminhos mais thrash. Cheira a salganhada? Talvez, mas garanto que não é manta de retalhos nem parece que cada faixa é uma banda diferente a tocar. De alguma forma isto faz tudo sentido. Aquela “Iscarioth” parte tudo mesmo. Fica curiosidade para ver o que banda fez desde então.

8/10
Fernando Ferreira

Eisregen / Goat Funeral – “Bitterböse”

2021 – Massacre Records

Não me recordo de ver um split divido em dois cds. Principalmente quando cada parte da banda tem pouco mais de vinte minutos. Será que já se faz tão poucos CDs quee plástico das fábricas esteja em saldo? Não percebo sinceramente. E claro que dúvidas destas só podem surgir em trabalhos dos Eisregen. Curiosamente a música que apresenta aqui até está bastante acima da média daquilo que costumam fazer, o que é uma excelente surpresa. Black metal melódico mas bem estranho e com as habituais escorregadelas góticas mas que no geral, no contexto destes seis temas, resultam muito bem. Inesperadamente bem. Talvez seja pela companhia de split, os Goat Funeral que fazem um black metal mais a roçar o doom metal e com um espírito mais soturno e com uma qualidade fantástica. Isto torna-se mais surpreendente por se saber que é um projecto de membros dos Eisregen. O que resumindo tornou um split que há partida vinha fisgado para levar no lombo é afinal um lançamento de qualidade que me faz dar mais uma hipótese aos Eisregen assim como conhecer a fundo o trabalho dos Goat Funeral. Não percebo é na mesma porque raio lançar um split em CD duplo de vinte minutos.

8/10
Fernando Ferreira

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