WOM Reviews – Arcaine / Carnosus / Exhumed – Gruesome / Brain Stem / Heboïdophrenie / Re-Armed / Abyssous / Imperial Domain

WOM Reviews - Arcaine / Carnosus / Exhumed - Gruesome / Brain Stem / Heboïdophrenie / Re-Armed / Abyssous / Imperial Domain

Arcaine – “Life Decays”

2020 – Black Sunset / MDD

Desde a Suíça, os Arcaine juntaram-se em 2015 para começar o seu projecto de death metal. Uma coisa que já pode deixar em desvantagem esta banda é o facto de serem todos “músicos experientes e com experiência noutras bandas” por poderem estar a deixar a barra demasiado alta no que toca ao que os fãs esperam ouvir. Felizmente, saltam bem mais alto que a barra! Uma coisa que acho que a banda prefer ver referido é o facto dos seus temas serem orientados para a crítica do estilo de vida antropocêntrico que todos vivemos em que aos poucos e poucos estragamos irreversivelmente a Mãe-Natureza, um tema que apesar de nobre pode já se estar a tornar cansativo (pelo menos para mim, já que parece que todas as bandas relacionadas com a Cruzada Verde vêm bater às minhas mãos). Em termos estritamente musicais, não há palavras melhores que “este álbum é do caraças!”. Este é um death metal mais ou menos manipulado com influências modernas e a verdade é que do ínicio ao fim é uma experiência extremamente bem articulada que prende o ouvinte. Além dos bons solos, todos os momentos de acompanhamento são interessantes e conseguem hipnotizar qualquer um. Do meu lado, as únicas críticas são “gostaria ligeiramente mais disto se fosse X ou Y” portanto deixo esta review por aqui. Muito aconselhado.

9/10
Matias Melim

Carnosus – “Dogma Of The Deceased”

2020 – Satanath Records

É bom ver quando uma banda luta no underground até chegar ao seu álbum de estreia. Melhor ainda quando o álbum de estreia é uma bomba poderosa como esta. Os suecos Carnosus trazem-nos uma bomba de death metal meio thrash meio melódico (e atenção que quando se fala em death metal melódico, a parte da melodia deve-se exclusivamente a leads e harmonias de guitarras bem metálicas e próximas do heavy /thrash tradicional) que é um absoluto vício. Raramente temos um álbum onde ficamos completamente derreados logo à primeira e aqui podemos dizer que foi mesmo amor à primeira audição. Tudo o que deveria correr bem num álbum corre aqui. Temas que são bem construídos na forma como cativam o ouvinte (partindo-se do príncipio de que gosta de death/thrash, claro) e bem dinâmicos entre si. É tão fácil repetirmos as audições, as mesmas sucedem-se sem que se dê conta.

9.3/10
Fernando Ferreira

Exhumed / Gruesome – “Twisted Horror”

2020 – Relapse Records

Repetindo o modus operandi do ano passado, em que fizeram um split com os Gatecreeper, os Exhumed agora juntam-se a outros pesos pesados do death metal, desta feita os Gruesome. Engraçado que estes últimos sejam mais conhecidos como emularem o som dos Death mas é da parte dos Exhumed que se encontra uma malha a fazer lembrar os tempos de “Leprosy” da seminal banda de Chick Schuldiner, principalmente com o tema “Rot Your Brain”. O título também é uma mistura dos mais recentes trabalhos das duas bandas, “Twisted Prayers” dos Gruesome e “Horror” dos Exhumed. Death metal é prato forte, por ambas as bandas, mas se tivermos que escolher os favoritos, vamos recair nos Exhumed que estão a atravessar um excelente momento de forma física como se consegue comprovar até pelo canhão que é “Horror”. Obrigatório.

9/10
Fernando Ferreira

Brain Stem – “Symptoms of Annihilation – Stage 2”

2020 – Edição de Autor

Oriundos da terra das boas-maneiras, os Brain Stem são um quarteto de death metal formado em 2016. Para já não há álbuns lançados, contudo há 2 EPs e aqui vamos ver o segundo lançado em Março que equivale a uma “Parte 2” do lançado já em 2018. Passando então ao “Symptoms of Annihilation – Stage 2”, este é um EP bem rijo de death metal com uma duração de 16 minutos, o tempo suficiente para estes canadianos vos deixarem com a cabeça a andar à roda. Este disco ganha com a sua cadência e constante brutalidade que, bastante invulgarmente na cena, dão espaço ao baixo agressivo – aliás o baixo chega a ter mais momentos de destruição isolada que a guitarra. Parece-me que de facto, o adjetivo que melhor descreve o tipo de som deste EP é “intoxicante”, talvez por sugestão da capa do mesmo mas a sonoridade de facto leva à imaginação de putrefação química apocalíptica, além de que tem uns ritmos muito bem apostados que garantem um equilíbrio junto ao caos coordenado do estilo de death metal. Este é definitivamente um daqueles casos em que não admiraria ver estes músicos mais tarde a se tornarem conhecidos fora da cena underground, porque efetivamente este é bom death metal (e nem sequer se dedicam a grandes solos de guitarra, que normalmente são a coisa que mais cor dá ao som).

8.5/10
Matias Melim

Heboïdophrenie – “Cannibalism For Dummies”

2020 – Great Dane Records

Existem aqueles que assumem o deathcore, existem aqueles que confundem o deathcore com slam e existem aqueles, como os Heboïphrenie que estão a cagar-se para os rótulos e mandam cá para fora brutalidade adorável como este “Cannibalism For Dummies”. Temos death metal a atirar ao bruto, temos deathcore com alguns breakdowns (poucos, felizmente) e temos solos de guitarra e leads inspirados. Algo que nos soa muito bem com tudo isto junto e que no final nos traz um álbum que em vez de soar igual a todos os outros, é marcante o suficiente para marcar a diferença – a instrumental “Doomsday” é um bom exemplo.

8.5/10
Fernando Ferreira

Abyssous – “Mesa”

2018 – Iron Bonehead Productions

Ao falarmos de death metal, tem-se uma ideia bem definida daquilo que vamos encontrar, tal como quando acontece com o black metal. Os Abyssous mostram como as fronteiras criadas pelas mentes humanas são tão frágeis (ou mais) quanto os instrumentos da sua criação. Negro e cavernoso, “Mesa” foi um EP com sabor a álbum, não pelo número de faixas (até porque metade são intros, outros e interlúdios), nem pela duração, mas pelo impacto com que deixou no ouvinte. Doentio e sufocante, mas sem deixar de ser competente tecnicamente mesmo que a produção primitiva sufoque também essa técnica. Quem descer ao abismo? Podem muito bem começar por aqui.

8/10 
Fernando Ferreora

Agregator – “Semmibõl, A Semmim Át”

2017 – Edição de Autor

Que power! Não se percebe um boi do que eles estão a dizer, e não é por causa do gutural, e poderá ser uma banda que nunca vamos ver em cima de um palco (tudo pode acontecer, mas apesar dos tempos que estamos a viver, trata-se de uma banda húngara praticamente desconhecida em Portugal) mas esta forma de fazer death metal melódico é sem dúvida vencedora. As melodias colam-se facilmente e são bastante memoráveis, a produção poderosa, moderna e, importante salientar, bem orgânica faz o resto. Demorámos a chegar aqui mas ainda bem que não perdemos este trabalho.

9/10
Fernando Ferreira

Imperial Domain – “The Deluge”

2018 – Inverse Records

Nome obscuro do death metal melódico sueco que em vinte anos lançou três ábuns, sendo este o último. Não podemos falar pelos outros trabalhos mas aqui temos melodia elaborada e longe de lugares comuns. Uma abordagem por vezes apoiada em teclados (de forma bastante súbtil e sóbria, o que é perfeito para o que temos) e em leads de guitarra memoráveis. A voz é um gutural que não chega a ser muito puxado, mas é algo que resulta muito bem neste contexto. Conseguindo fugir do óbvio, é um retrato do passado ao mesmo tempo que demonstra estar com os pés no presente. O que não deixa de ser refrescante.

9/10
Fernando Ferreira

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