WOM Reviews – Cecile Delpoio / Threshold / Dragonfly / Science Of Disorder

Cecile Delpoio – “Tuolla”

2022 – Edição de Autor

Espantoso. É por demais gratificante embarcar em análises de trabalhos e artistas que desconhecemos por completo e depois ser-se surpreendido desta forma. “Tuolla” é um ambicioso álbum conceptual por parte de Cecile Delpoio que não só canta (encanta e hipnotiza) neste trabalho como também está por trás de toda a história onde o mesmo álbumse baseia. Uma sonoridade mística e etérea que nos faz lembrar tanto Enya como até LLoreena McKennitt, mas com um cunho pessoal, que vai do clássico, operático até ao folk mais ambient sem deixar de ter, a espaços, um feeling épico. Sem dúvida um disco capaz de apaixonar qualquer um que seja sensível à beleza da música universal e da forma como a mesma nos pode emocionar e marcar.

9/10
Fernando Ferreira


Threshold – “Dividing Lines”

2022 – Nuclear Blast

Os Threshold são um dos nomes com mais classe dentro do metal progressivo. A carreira da banda conta já com mais de trinta anos de carreira, não tendo indicações de abrandar. Tudo bem, este “Dividing Lines” surgiu cinco anos após o excelente ”Legends Of The Shires”, mas não deixa de ser um lançamento que faz compensar toda e qualquer espera. Um trabalho mais cinzento ao anterior, mais melancólico talvez, mas que carrega toda aquela classe que atrás falei. Uma classe que até se aproxima mais de um metal progressivo mais próximo de uns Fates Warning do que propriamente nuns Dream Theater, com o foco nas ambiências e melodias e não propriamente nuns rasgos de peso que possam existir. Sendo por excelência que nos obriga a prestar atenção nas letras e nas canções como um todo. Glynn Morgan continua a ser o vocalista, ele que substituiu (pela segunda vez) Damian Wilson na voz. Vale pela coesão e vale pela forma como tanto os temas mais pequenos como os mais épicos exigem o mesmo tipo de atenção e como é um álbum que obriga a essa atenção e absorção lenta, que dá sempre mais prazer mas que vai contra a corrente das tendências actuais. Que acaba por ser também o que mais apreciamos encontrar num disco. Threshold ainda são um dos nomes com mais classe dentro do metal progressivo. Esta é apenas mais uma evidência.

8.5/10
Fernando Ferreira


Dragonfly – “Domine XV”

2022 – Art Gates 

Os Dragonfly são uma das mais bem sucedidas bandas de heavy metal espanholas e curiosamente até começaram na Argentina. “Domine” foi o seu álbum de estreia, álbum agora que é homenageado não só pela banda, através de uma regravação de todos os seus temas, num pacote especial composto por dois temas onde temos os actuais membros da banda a interpretar os temas originais com arranjos novos assim como temos no segundo vários convidados a juntarem-se à banda para dar o seu cunho pessoal – que no tema “Sólo Depende De Ti” nos faz ter uma série de duelos de solo de guitarra inspirados. Uma forma interessante de dar a conhecer e também revitalizar um trabalho importante na carreira da banda.

8/10
Fernando Ferreira


Science Of Disorder – “Apoptose”

2022 – Black Market Music

Terceiro álbum dos suiços Science Of Disorder que nos trazem death metal moderno e que apesar disso, já explicamos, trazem algo cheio de interesse. Não quer esta afirmação dizer que o death metal moderno (ou todo o metal, já agora) seja por si só desinteressante. Apenas apresenta um conjunto de soluções que à partida já estamos um pouco cansados pelo que é sempre bom ter alguém a fugir a esse paradigma. Também quer isto dizer que os Science Of Disorder o fazem na perfeição. Não o fazem, até porque carregam aquele estigma do groove e do metal que era muito comum encontrar nos períodos pós-“Roots”, que carrega muitas das soluções do nu metal. O que queremos dizer é que “Apoptose” é um trabalho ao qual é fácil encontrar outros trunfos, como umas melodias que nos fazem lembrar (ainda que levemente) coisas como Celtic Frost. Não se prendam em nomes, é death metal moderno mas é nas vocalizações mais melódicas que a coisa resulta em pleno e quando tempos um toque meio gótico a surgir. Será esta provavelmente a direcção a seguir pela banda e aqui resulta de forma a que este não seja mais um disco banal entre tantos outros.

7/10
Fernando Ferreira


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