WOM Reviews – Cirith Ungol / The Defiants / Skyblood / Angel Witch / Karthago / Ossian / Santa Cruz / Cyhra

Cirith Ungol – “I’m Alive”

2019 – Metal Blade Records

Regresso quase efectivo dos mestres do heavy metal clássico. Quase porque só vamos considerar mesmo quando lançarem um novo álbum. Até lá, temos este álbum ao vivo, o primeiro na carreira da banda – sem contar com o bónus incluído a caixa de 2017, “Legacy”. E é um verdadeiro luxo, com uma retrospectiva bastante extensa pelos temas incontornáveis da banda norte-americana. São noventa minutos de heavy metal, cru como a banda sempre apresentou. Para quem for mesmo fã, ainda tem disponível um DVD com duas actuações e ainda com entrevistas à banda. A qualidade da imagem que tivemos acesso é, tal como o som, crua, mas que se enquadra no som vintage dos Cirith Ungol. Heavy metal também não precisa desses cuidados excessivos. Apenas de alma. E esta é imortal.

Nota 8/10
Review por Fernando Ferreira


The Defiants – “Zokusho”

2019 – Frontiers Music

Com três quartos da formação dos Danger Danger, liderada por Paul Laine, que se prolongou pelos anos selvagens do rock melódico, a estreia do Defiants, segundo rezam as crónicas, foi um dos melhores álbuns de 2016. Acredito, mas não ouvi, passou ao lado. Mas “Zokusho”, que é uma palavra japonesa que significa “sequela” ou “próximo capítulo” é então o meu primeiro contacto com a banda e o seu trabalho e sim é um disco cheio de grandes refrões, com riffs e vocais ainda poderosos. É o tipo de disco que revela magia, aquela que os seus interpretes captaram na época de ouro e a fazem perdurar no tempo de forma magistral suportada num som moderno e que funciona sempre! Costumo dizer que ouvir rock é divertido, enche a alma e deixa-nos sempre com um sorriso…este é um desses discos.

Nota 10/10
Review por Miguel Correia


Skyblood – “Skyblood”

2019 – Napalm Records

Mats Léven é um daqueles cantores que gostava que tivesse sucesso. Não só pelo facto de já ter estado em quinhentas mil bandas, todas (ou quase todas) dignas de menção mas por ter um timbre perfeito para o heavy metal, clássico ou não. Foi com surpresa que recebemos este trabalho auto-intitulado, que marca uma fase nova da carreira após a saída dos Candlemass. Consta que Skyblood é um projecto em que depositou todas as suas energias e no qual já tem vindo a trabalhar há bastante tempo, tendo até sido responsável por muito do que se ouve aqui em termos instrumentais. Não é um trabalho fácil de definir estilisticamente. Heavy metal é definitivamente, mas encontramos aqui ecos de power metal e hard rock também em igual medida. O facto de não se conseguir colocar um rótulo facilmente também é testemunho da sua qualidade. Uma excelente surpresa que esperemos que depois de agora plantada, dê muitos mais frutos.

Nota 8/10
Review por Fernando Ferreira


Angel Witch – “Angel Of Light”

2019 – Metal Blade Records

A história dos Angel Witch já tantos avanços e recuos, tantos reinicios e fins, que por vezes até o fã mais atento fica perdido para saber o estado actual. Ultimamente a banda tem estado a viver tempos de maior estabilidade em relação às primeiras décadas da sua carreira, embora isso não signifique um aumento de produtividade. Sete anos após “As Above, So Below” a banda regressa com oito temas e com um dos seus álbuns mais clássicos. Claro que a estreia auto-intitulada está para além de ser tocada mas este “Angel Of Light” apresenta argumentos suficientes para que nos conquiste aos poucos. Confesso que para mim nunca houve um álbum dos Angel Witch que fosse imediato e este não foi excepção, mas aos poucos este é um daqueles que nos vai conquistar sem dificuldades. Tendência para a construção de temas épicos, com um peso e dinâmicas impressionantes, este é um excelente álbum de regresso de uma das mais clássicas bandas de culto da chamada NWOBHM.

Nota 8/10
Review por Fernando Ferreira


Karthago – “Együtt 40 Éve!!!”

2019 – Hammer Music

Quarenta anos, uma marca difícil de atingir no mundo da música (mais ainda sem qualquer mudança de formação!) mas é precisamente essa marca que os húngaros Karthago atingiram e por isso resolveram lançar este álbum acústico ao vivo que vai buscar alguns dos seus grandes sucessos. Cantado em húngaro poderá haver um pouco de barreira de linguagem mas a música é uma linguagem universal que é fácil de perceber para quem tem a mente aberta. Fica a curiosidade para ouvir os temas no seu estado natural.

Nota 7/10
Review por Fernando Ferreira


Ossian – “A Reményhozó”

2019 – Hammer Music

Um dos nomes maiores do som sagrado da Hungria está de volta para o seu vigésimo terceiro (23!) álbum de originais e aquilo que apresenta é mesmo aquilo que sabe fazer melhor, hard’n’heavy de bom gosto, com uma boa produção e cantado em húngaro. Lançado em Abril deste ano, consta que o álbum chegou à dupla platina em três meses. É bom ver que a música pesada noutros países ainda tem o peso que merece. E neste caso é inteiramente merecido.

Nota 8/10
Review por Fernando Ferreira


Santa Cruz – “Katharsis”

2019 – M Theory Audio

Os mais distraídos repararão logo aos primeiros instantes de “Katharsis” que algo está bastante diferente. E está mesmo. Para já a banda passou por uma revolução em termos de membros. Em Março de 2018, a banda debandou toda nas vésperas de uma digressão pelos E.U.A., deixando apenas o vocalista e guitarrista Archie Cruz sozinho. Após várias tentativas frustradas de montar uma banda nova, Cruz e o produtor Kane Churko composeram e gravaram tudo o que se pode haver aqui. É como se fosse um álbum a solo. E se calhar até deveria ser como tal. Não quero ser aquele velho do Restelo que detesta mudanças – embora efectivamente as deteste – mas a verdade é que o som da banda surge actualizado quando não tinha necessidade de o fazer. Modernaço e não de uma boa maneira. As melodias não deixam de estar cá mas parece que aquel espírito do hard rock tradicional desapareceu. Continuamos a ter bons temas mas aquela sensação de se estar a ouvir uma banda completamente diferente não deixa estar presente. A versão de Cyndi Lauper da “Time After Time” no final também não ajuda. Vamos dar o benefício da dúvida porque há por aqui bons temas mas esperemos que a banda não siga por este caminho.

Nota 6/10
Review por Fernando Ferreira


Cyhra – “No Halos In Hell”

2019 – Nuclear Blast

A expressão euro-metal refere-se, na minha cabeça pelo menos, à aproximação de algum metal à música electrónica pop que surgiu na década de oitenta onde podemos enquadrar esse mega sucesso da não mentos fantástica Sabrina, “Boys Boys Boys”. Não na forma mas nas melodias. É para esse estado de espírito que “No Halos In Hell” me coloca. Esse tipo de melodias que se infiltram na nossa mente mesmo quando não queremos. Não é um fenómeno que dure muito tempo e é um pouco como este trabalho, infelizmente. Apesar de ser imediato, é tão imediato que no final parece que não nos fica nada. Há mérito na forma como os temas estão construídos e seria excelente para ter sucesso comercial por essas rádios fora se vivessemos noutra época. Falta-lhe é um pouco mais de consistência.

Nota 6/10
Review por Fernando Ferreira


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