WOM Reviews – Clouds / Cosmic Reaper / Trouble / Korseld / EyeHateGod

WOM Reviews - Clouds / Cosmic Reaper / Trouble / Korseld / EyeHateGod

Clouds – “Dor”

2018/2021 – Personal Records

É este o ponto positivo das reedições, poder chegar a novo público de que, por qualquer motivo, antes não estava acessível. Algo bastante válido quando temos cada vez mais bandas a lançarem os seus trabalhos de forma independente, o que torna apetecível depois as editoras disponibilizarem esses mesmos trabalhos de forma a terem uma distribuição (em princípio) mais generalizada. Isto tudo para dizer que “Dor” é o terceiro álbum desta banda de death/doom melódico e atmosférico e é um sonho para quem já tinha saudades deste peso e melancolia de extrema qualidade. O andamento é fúnebre – diria até bastante próximo do funeral doom – mas a beleza é tanta que este não é um factor problemático, pelo menos para mim não é, poderá ser para quem não seja de todo fã de bandas como Desire. Um estrondoso álbum que não se aconselha a ouvir todos dias pelo menos para quem tem dificuldade em parar de chorar ao pensar na tristeza eterna que nos rodeia.

9/10
Fernando Ferreira

Cosmic Reaper – “Cosmic Reaper”

2021 – Heavy Psych Sounds

Capa emblemática, quase cinematográfica. A música não é tão cinematográfica assim, ou pelo menos até pode ser (até ao ponto do que o stoner/doom metal consegue ser). A sonoridade é arrastada como se prevê e hipnótica. Já falei algumas vezes da arte que é preciso ter para que a música chegue ao campo do “hipnótico” e não fique pelo “aborrecido”. Dependerá sempre do amor que se tem ao género e este trabalho de estreia auto-intitulado parece-me que é bem mais próprio para quem o ama de morte. Só esses poderão sentir o apelo dos temas arrastados, da forma como até o tempo começa a recuar até parar. Ou perder o seu sentido. Por isso, mesmo tendo um público alvo (em príncipio) reduzido será um álbum que recomendo para quem goste de saborear as coisas boas da vida com calma. E com bastante fuzz e distorção.

8.5/10
Fernando Ferreira

Trouble – “Psalm 69”

1984/2021 – Hammerheart Records

Reedição de um clássico. Um clássico que até já foi reeditado algumas vezes e que até quando saiu originalmente em 1984 tinha um título diferente (era auto-intitulado). É um clássico do doom metal. Apesar dos Candlemass serem apontados como aqueles que fizeram dar um novo fôlego ao doom metal – e tal é verdade – os Trouble começaram a carreira com um álbum estrondoso, que pega nos pergaminhos deixados pelos Black Sabbath e adicona-lhes uma atitude muito própria. Até de certa forma revolucionária, um groove que na altura não se ouvia assim tanto, grandes riffs, grandes solos e a voz de Eric Wagner que é única e grande parte da identidade da banda. Este é um clássico do metal que se mantém muito actualizado apesar dos quase quarenta anos de existência. E soa tão excitante hoje em dia como na altura. Pesado, metálico e com letras cheias de bom gosto – algo que na altura levou a que a editora os apelidasse de White Metal, apesar da banda nunca ter-se declarado cristã, as letras apenas reflectiam a perspectiva positiva de Eric Wagner, baseada, sim, na sua educação cristã. Fés(es) aparte, este é um álbum clássico obrigatório em todas as audiotecas que se prezem.

9.5/10
Fernando Ferreira

Trouble – “The Skull”

1985 / 2021 – Hammerheart Records

Segundo álbum e mais um clássico. Este é ainda mais doom, talvez não tão revolucionário, com um espírito doom mais acentuado – e também com muitas sementes lançadas que depois poderíamos encontrar em bandas como Candlemass e Cathedral. A fórmula é aperfeiçoada mas isso não faz com que este seja um álbum mais forte que a estreia. É ambicioso – “The Wish” tem onze minutos de duração – e variado, e embora o doom seja obviamente predominante, temos muitas canções midtempo (a puxar ao uptempo), onde o groove continua a ser uma arma bastante letal, até nos momentos mais lentos. “The Wish” e o tema-título são dos grandes destaques que temos por aqui, mas faziam falta temas mais a este nível para tornar este álbum ainda mais forte.

8/10
Fernando Ferreira

Trouble – “Trouble”

1990 / 2020 – Hammerheart Records

Passamos para 1990 e encontramos uns Trouble bastante diferentes. O cenário da música pesada também estava transfigurado. A pressão para chegar ao mainstream era mais que muiita – quando não era directa por parte das editoras, ela existia a nível inconsciente com os músicos a querem chegar mais longe em termos de sucesso. É sempre complicado falarmos de sucesso/reconhecimento versus qualidade, porque nem sempre aquilo que é aclamado na generalidade (e esses apreciadores mudam consoante os tempos avançam) é o que mais tem qualidade. Aqui a banda sentiu a necessidade de fazer algo diferente, algo mais cool, mais bluesy. Poderíamos até dizer stoner, mas na altura ainda não era uma coisa – mais uma vez à frente do seu tempo. Essa mudança resultou na minha opinião, não será um dos trabalhos que é citado quando se fala de Trouble mas é um testemunho como é possível evoluir para algo diferente e ainda manter a sua identidade. . E resultou na minha opinião. Pode não ter resultado de forma a que banda tivesse o sucesso e/ou reconhecimento que merecia mas este é um dos seus grandes álbuns.

8.5/10
Fernando Ferreira

Trouble – “Manic Frustratrion”

1992/2020 – Hammerheart Records

Aqui sim, há uma quebra com o passado. Os Trouble avançam para uma sonoridade mais groove, mais psicadélica. É uma quebra com o passado mas isso não quer dizer que seja mau. Aliás, o trabalho auto-intitulado que precedeu este álbum já fazia prever esta direcção mas não deixou de ser uma surpresa, boa acrescente-se. Este groove, esta direcção meio funky, meio stoner resulta por completo e embora se perceba a razão de ter deixado muitos fãs desiludidos, não deixa de ser excelente música, que continua a soar tão refrescante hoje em dia como na altura. A diferença é que agora poderá ser melhor compreendido na generalidade do que foi na altura. E daí talvez não. E a forma como acaba com a “Breathe…” a fundir-se no excerto do clássico de Donovan, “Atlantis”, é simplesmente fantástico, a justificar as comparações com os Beatles que normalmente surgem quando se fala deste álbum. Diferente mas muito bom!

8.5/10 
Fernando Ferreira

Korseld – “Dödens Dal”

2021 – Edição de Autor

O riff da “Håll Fanan Högt” que abre este EP é mesmo familiar, não conseguindo no entanto conseguir apanhar de onde exactamente é que ele se associa a algo a que já ouvi. Produção limpa, com o som da guitarra a ser bastante beneficiado mas que no conjunto de todos os seus instrumentos, soa desprovido do elemento orgânico, algo que acontece sobretudo na bateria. Uma questão de gosto pessoal. Em relação ao som convém acrescentar que a masterização foi feita por Dan Swanö. Musicalmente é um cruzamento entre o death metal melódico e o doom, onde os teclados trazem mais ambiência mas nota.-se que a banda tem ainda um caminho a percorrer de forma a que todas estas influências diferentes se conjuguem de forma harmoniosa. O início promete.

6.5/10
Fernando Ferreira

EyeHateGod – “A History Of Nomadic Behavior”

2021 – Century Media Records

Tenho que confessar apesar de ter mudado muito a minha apreciação de música nos últimos anos, as expectativas ainda me conseguem pregar rasteiras. Ajuda também quando se tem um longo intervalo entre trabalhos, neste caso concreto dos EyeHateGod, sete anos. Mas a questão que é importante ter presente é se a música é boa, independentemente das expectativas. E neste caso, não sendo má, parece ser uma pálida sombra do tornado sludge que sempre tivemos. Aliás, aqui o sludge até parece que está mais convertido em stoner/doom meio desinspirado – vá, também nem tudo é mau. Enquanto os riffs até trazem aquele groove lamacento, mas há sempre algo atrás da orelha que nos indica de que não era isto que se estava à espera e de que este parece um álbum descaracterizado. Poderá ser uma rasteira dessas malvadas expectativas mas também há algo que nos diz que não.

6/10
Fernando Ferreira

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