WOM Reviews – Crypt Crawler / Expunged / Hideous Divinity / Incardine / Lelahell / Vile Cynic / Domination Campaign / Brutality

WOM Reviews - Crypt Crawler / Expunged / Hideous Divinity / Incardine / Lelahell / Vile Cynic / Domination Campaign / Brutality

Crypt Crawler – “Future Usurper”

2021 – Bitter Loss Records

Será possível ainda termos bandas a surigr no death metal que consigam impressionar pela forma como o seu som soa fresco? Death metal onde as guitarras, guturais e ritmos avantajados na velocidade tendem a ser as características mais comuns e elas estão aqui todas presentes em quantidades generosas. Para além delas também temos uma energia que liga todas as músicas, um sentido de melodia que vai muito de encontro ao metal mais tradicional – nas suas mais variadas vertentes – mas dá-lhe um twist moderno, principalmente em termos de produção. “Future Usurper” é o segundo álbum da banda australiana e vai surpreender muitos fãs de death metal que tal como nós, já tem uma ideia muito definida de como um disco do estilo deverá soar.

9/10
Fernando Ferreira

Expunged – “Into Never Shall”

2021 – Hells Headbangers

Tenho a sensação de já ter estado neste ponto antes. O déjà vú normalmente, no universo da música, tem a conotação negativa de não apresentar nada de novo mas esta sensação de reconhecimento não tem essa carga. A sensação propriamente dita é de estar perante um álbum de estreia de uma banda em 2021 e esse mesmo álbum parecer que foi escrito e gravado trinta anos atrás (ou mais). Há uma taxa de sucesso bastante elevada para este tipo de coisas e em termos de estilos, o death metal deve estar no topo da tabela. Não é descaradamente sueco (a banda é canadiana) mas é um retrato daquilo que o death metal é na sua essência. Em bruto, com as melodias a destacarem-se seja na forma de leads ou riffs e com uma voz unidimensional. E resulta tão bem como das primeiras vezes que ouvimos death metal. O apelo é o mesmo assim como a forma como o recebemos. O que continua a ser surpreendente, certo? Não seria suposto. Bem melhor ainda. Um excelente álbum de death metal e uma banda que poderá estar no início (mais ou menos, apesar de ser o álbum de estreia, já lançaram demos e EPs com fartura) mas demontra ter estaleca de veteranos. Veremos como é que a coisa vai correr.

9/10
Fernando Ferreira

Hideous Divinity – “LV-426”

2021 – Century Media

Três temas, sendo que um deles é uma cover dos Coheed And Cambria – “Delirium Trigger” – parece coisa pouca, não é verdade? E até é. Sabe mesmo a pouco mas tendo em conta da banda que estamos a falar e da forma como se apresentam aqui, antes isto que nada. “Acheron, Stream Of Woe”, é uma bomba de death metal bruto e técnico mas com um ambiente épico fantástico. “Chestburst” não só tem um título fantástico como também é uma outra bomba com um dreito a um solo fantástico. O já citado tema dos Coheed And Cambria está bem conseguido passando facilmente por mais um tema da banda italiana – o melhor tipo de covers. No geral, fantástico mas a saber muito a pouco.

9/10
Fernando Ferreira

Incardine – “Seeds Of Doom”

2019/2021 – Vic Records

A capa e o facto de ser uma reedição da Vic Records sugere que estamos perante uma pérola esquecida de 1989 quando na realidade trata-se de, sim, uma pérola esquecida mas de trinta anos mais tarde. No entanto, há uma reviravolta na história. “Seeds Of Doom” foi o primeiro e único álbum dos Incardine, banda sueca que contou com músicos que depois iriam passar por bandas como Unleashed e Necrophobic e Firespawn, entre outras. A banda começou no boom do death metal sueco, em 1991 e chegou a gravar este álbum em 1993, apesar do mesmo nunca ter sido lançado porque a editora responsável abriu falência. Tendo em conta que já tem quase trinta anos de idade, é surpreendente o poder deste álbum. E nem soa a death metal sueco, aproximando-se mais até do que se fazia do outro lado do Atlântico. Um pequeno tesouro para os apreciadores de death metal.

9/10
Fernando Ferreira

Lelahell – “Alif”

2018 – Metal Age Productions

Death metal com sabor étnico? Quero! Nem é preciso pensar muito já que a junção destes dois mundos é garantidamente boa por norma. E não se trata de reunir apenas umas melodias como gimmick, ou para chamar aqueles que gostam destas melodias como entrada fácil para o metal. Não, o que se tem é death metal bruto, sem concessões mas que faz bom uso das tais melodias, de forma totalmente natural – ou não fosse a banda argelina. Death metal daqueles que até faz crescer pêlo na peitaça. Poderoso e viciante. Lançado em 2018, mas nunca é tarde para chegar a ele. O impacto é o mesmo.

9/10
Fernando Ferreira

Vile Cynic – “Sovereigns Of Death”

2019 – Edição de Autor

O primeiro EP dos norte-americanos Vile Cynic é um portento de violência death metal. Mais death metal do que o segundo EP, editado no dia seguinte e por nós já analisado também nestas páginas, que tem muitos elementos de thrash metal. E resulta muito bem. Neste tipo de coisa é muito difícil conseguir inovar mas neste caso a tarefa é secundária perante o poder metálico destas músicas. Um EP que conquista qualquer um. Que goste de violência metálica, claro está.

8.5/10 
Fernando Ferreira

Domination Campaign – “Onward To Glory”

2021 – Prosthetic

Poderá ser algo infantil mas acredito que assim que se ouve que estamos perante death metal da Tasmânia, fica-se logo com a ideia que será algo devastador e intenso capaz de levar tudo à frente. E não que não tenhamos essa intensidade metálica na estreia do duo Domination Campaign aqui em “Onward To Glory”. Temos, apenas não chega ao poder que se tem interiorizado por anos de inconsciente da personagem dos Looney Tunes. Falando de coisas mais sérias, esta banda começou como projecto a solo de Jason Peppiatt, o vocalista dos Psycroptic, que aqui trata da voz, guitarra, baixo e ainda deu uma perninha na capa. Ao primeiro trabalho há uma sobriedade que surpreende e cativa para quem gosta do seu death metal dinâmico e com muitos argumentos para cativar qualquer deathster que se preze. O equilíbrio perfeito pra um álbum de deth metal em 2021.

8/10
Fernando Ferreira

Brutality – “The Complete Demo Recordings 1987 – 1991”

2021 – Vic Records

Os Brutality foram uma das mais intensas e subvalorizadas bandas de death metal norte-americano. Principalmente nos dois primeiros álbuns. Curiosamente essa brutalidade raramente surge aqui, o que de certa forma também é compreensível pela forma como as condições eram outras e o que se tem é uma verssão muito embrionária da banda. Ainda assim, não deixa de ser interessante olhar para o passado e verificar elementos embrionários da música extrema. Para os coleccionadores é algo bastante interessante (ou seja tentador) de adquirir, num daqueles casos que o valor histórico poderá sobrepor-se ao valor musical.

6/10
Fernando Ferreira

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