WOM Reviews – Darkthrone / Profanatica / Mefitis / Meuchelmord / Undoer / Lvcifyre / Molde / Crom Dubh

Darkthrone – “Old Star”

Peaceville Records

Os Darkthrone são um caso único do underground do black metal. Enquanto muitos consideram que a banda já há muito que deixou o black metal para trás, outros simplesmente não se importam. Quanto a nós, os Darkthrone são o mais próximo que temos daquilo que seria ter os Motörhead a fazer algo diferente a cada disco. Essa é a magia da banda de Fenriz e Nocturno Culto. Nunca se sabe bem que direcção musical vão seguir mas sabe-se sempre que vai soar a Darkthrone. E “Old Star” consegue traduzir isso na perfeição. Soa a Darkthrone sem ser um regresso à sua fase mais popular. E também consegue evoluir sem renegar um mílimetro que seja da sua identidade. Conseguem ser concretos, mais uma vez, sem renegar a sua identidade cada vez mais abstracta. Old Star é um álbum que mostra que eles tiveram certos desde o início, não ligando à opinião dos outros. Lição para todos meus amigos, façam o que queiram desde que sintam paixão e devoção pelo o que fazem.

Nota 9/10
Fernando Ferreira


Profanatica – “Rotting Incarnation of God” 

Season of Mist Underground Activists

Visceral. Caótico. Nauseabundo. Decrépito. Profanatica. A par de Von e Absu, os Profanatica constituem a Decadente Trindade do Black Metal Norte-americano. Sempre fiéis às bases criadas em 1990, Paul Ledney mantém viva a chama, repleta de Ódio e Raiva! Uma descarga, de início a fim, sem qualquer contemplação pelo ouvinte, é o que nos é dado neste que é o 5.º álbum de originais desta Lenda do Black Metal da terra do tio Trump! Os Profanatica têm algo que eu adoro, no que ao Black Metal se refere: são crus, despidos de qualquer artifíco. Soam a Morte e Sangue. Por vezes Lentos e Pesados, outras, Velozes e Perfurantes. O baixo, a marcar o passo, bem vincadamente criando um ambiente sufocante e denso! A bateria: incessante a força com que Ledney castiga as peles… Raw and Rough! Para muitos, esta linha de Black Metal poderá soar apática e simplesmente… barulho. Respeito a opinião. Discordo, mas respeito. Não os considero apáticos, muito menos barulhentos – pelo menos no vulgo sentido da palavra. Não, de modo algum! São senhores de um som muito seu (ainda que a apropriação musical por parte de outras entidades, uhm). “Mocked, Scourged and Pissed Upon”, traz algo mais, algo distinto… ainda que seja Raw and Rough! É Profanatica! É força bruta! E imensamente bem tocado! De certo modo, e aí terei que concordar, os Profanatica acabam por fazer um som um tanto ou quanto unidimensional, no sentido em que não nos dão mais do que têm dado nestes 29: Profanatica. Faz sentido? Eu creio que sim, sinceramente, por mais absurdo que possa soar. Acima de tudo porque são daquelas bandas que – como já foi aqui dito – mantém vivas as bases a partir das quais construiu o seu som. O baixo. Já falámos do baixo? Que peso, meus senhores! Espesso e espesso até mais não! As vocalizações seguem bem a linha de cada u mdos instrumentos: soa a Morte e Decrepitude. The End… esperem um castigo na forma de trio. Muitas outras bandas tentaram replicar a receita musical destes senhores, mas ninguém o faz como os “velhotes”. Não é, novamente na minha opinião, um som que esteja em constante rotação nas minhas playlists, em muito porque, sendo um som tão cheio de força, acaba por desgastar aquele que o escuta… opinião pessoal, claro está! Em jeito de conclusão: aqueles que têm vindo a acompanhar aquilo que os Profanatica têm feito nos últimos (muitos) anos, não se sentirão defraudados; aqueles que não conhecem, ou muito pouco conhecem, preparem-se, pois a sessão será pesada!

 

8/10
Daniel Pinheiro


Mefitis – “Emberdawn”


Chaos Records

Estando quase em 2020, não sei como é que é possível ainda vermos capas como a deste álbum. “Não que seja algo horrível, já vimos bem piores, mas definitivamente não tem um impacto pujante o suficiente para que capte a atenção do habitual fã de black metal. Nem o habitual nem o esquisito. E como marketing é péssimo, já que não indica o que temos aqui, que é um excelente trabalho de black metal levemente melódico e cheio de dinâmicas. Levemente old school, com alguns lugares comuns, mas também o que não tem isso hoje em dia. Trata-se de um álbum de estreia do duo norte-americano que deixa uma excelente impressão. Se estivermos de olhos fechados.

Nota 8.5/10
Fernando Ferreira


Meuchelmord – “Waffenträger”


Purity Through Fire

Ora bem, que temos nós hoje aqui? One Man Project, da Alemanha, componeente lírica: Segunda Guerra Mundial.Uhm… dúvidas se levantam assim que se faz uma pequena pesquisa acerca das ligações deste senhor, mas muitos dirão que estarei a exagerar e a Música e a Música. Bem, verdade seja dita, a música é boa. De imediato me sinto projectado para os 90 e para uma qualquer localização gélida neste nosso globo! Há melodia e há força! Esqueçam, se assim conseguirem, as filiações editoriais do Sr. Cernunnos e o raio a quatro, e apreciem aquilo com que eles nos obsequia neste “Waffenträger”: Black Metal com melodia, Black Metal gélido. De momento em momento há uma adição de Doom Metal ao som, dando-lhe uma dinâmica deliciosa! Deliciosa da forma mais desprezível e visceral, claro! Há momentos em que a raiva se mostra controlada e somos transportados para paisagens devastadas pela acção humana, como em “Wolga-Bataillon”.

Não, nada de novo nos é oferecido, mas é realmente isso que desejamos de cada vez que “mergulhamos” num novo álbum? O trabalho aqui apresentado é bom, é bastante bom inclusivé, mas não necessita de reinventar o género ou a roda, bastando-lhe fazer bem aqui que se comprometeu a fazer: Black Metal… com momentos Doom! Tem raiva e força, tem guitarras acutilantes e vocais plenos de desespero e ódio! What more can I ask for?! Este trabalho funciona muito bem como um todo. Como anteriormente referido, tem elementos que me remetem para aqueles anos dourados – opiniões, eu sei – do Black Metal, em que a Música vivia sem artifícios sonoros, mas sim da real qualidade dos seus compositores. Que mais dizer? É um trabalho directo e feroz. Aqueles que gostam de bom Black Metal encontrarão, aqui, um bom espécimen e não sairão defraudados. E é isso… Black Metal daquele bom!

8/10
Daniel Pinheiro


Undoer – “Survival Is a Myth”

Edição de Autor

Naturais de Ankhara, Turquia, os Undoer são uma banda bastante nova, sendo 2017 o ano de criação, e o EP, “Survival Is a Myth” o trabalho de estreia. Os Undoer tocam um Black Metal rápido, há Death Metal aqui e ali, atenção! Uma bateria que, de início a fim, não dá sinal de cansaço nem vontade de colocar um travão na sua prestação. Porventura será essa a razão do meu “não agrado”, visto que em certas alturas é demasiado dona da linha instrumental dos temas. Não há aqui a tentativa de criar atmosferas e momentos de introspecção, como tanto se vê no que hoje em dia é uma boa parte da cena Black Metal mundial, mas sim fustigar o ouvinte com riffs acelerados e pesados ritmos de bateria. Nada de novo, então. Plain and simple, na minha opinião. Nada que ficará marcado na memória colectiva, arrisco dizer.

A mim, pelo menos, não agarrou, não convenceu a esse ponto…

Há melodia, sim, bastante até. Há solos interessantes, também. As vocalizações são agradáveis e plenas em raiva que, de “braço dado” com a construção instrumental, compõem o bicho que é Undoer. Mas não passa disso. Provavelmente a falha – ler: não satisfação com este trabalho – é minha, por querer mais e mais da Música que ouço, mas todas estas perspectivas/consruções, já foram levadas a cabo N vezes, antes desta. Mas quem sou eu para “exigir” inovação e mais e mais? Pois…

Fãs de bandas como Marduk, por exemplo, poderão encontrar nestes Undoer uma banda a seguir, nem que seja pela velocidade imprimida no seu Black Metal, a intensidade, a velocidade  “Foul Gathering” ganha uma tonalidade diferente daquilo que até então tinha sido o apanágio do EP: mais completa, mais sólida. No geral o EP irá, sem dúvida alguma, agradar a muitos! Não tem como não o fazer. Agrada-me em larga medida? Já referi que não, que esta linha de Black Metal já me diz pouco – ou nada – mas há valor e qualidade. Takes no prisioners… mas faz uma pausa da sessão de tortura para introduzir belos riffs de guitarra. Estes pormenores dão vida às músicas, como que relegando para um segundo plano aqueles riffs unidimensionais, simples, sem interesse.

A banda ganha, na minha opinião, naqueles momentos em que introduz riffs de guitarra mais melódicos, que somente acelerados, criando algo bastante agradável para o ouvinte. E “Foul Gathering” é, sem dúvida alguma, o tema do EP… mas só quando envereda pela linha de riff já referida. O ritmo abranda e surge algo diferente… mas já foi referido acima. Pessoal daquele Black Metal mais… “generalista”, dêem uma oportunidade a estes Undoer.

6/10
Daniel Pinheiro


 

Lvcifyre – “Sacrament”

Dark Descent Records

Os Lvcifyre são uma banda inglesa de blackened death metal (pelo menos assim se introduzem) com alguns elementos que os vão aproximando do raw black metal. Com uma carreira que teve início em 2007, esta banda já lançou diversos trabalhos, sendo que o que aqui será examinado corresponde ao 4º: um EP intitulado de Sacrament. Constituído por 5 faixas, em que a última corresponde a um cover dos polacos KAT, o EP corresponde a todas as características que são frequentemente associados a estes estilos mais obscuros sendo ainda de referir que envolve alguns elementos mais utilizados para a construção do ambiente demoníaco, usado para a introdução de uma ou outra faixa. O som que os Lvcifyre demonstram neste peça é de extrema brutalidade dominada por uma componente mais aguda que grave, principalmente no que diz respeito à bateria – é com este som mais seco da bateria que há uma aproximação ao raw. Outra característica de Sacrament remete para os seus ritmos caóticos que levam a que, por vezes, os diferentes instrumentos se atropelem uns aos outros (sendo que nestas situações, costuma ser o vocal o mais audível do grupo); infelizmente esta característica leva a que haja uma certa ofuscação que impede a apreciação de alguns solos com a devida atenção. Com isto, tiro a conclusão de que este EP é para quem adora o seu metal o mais bruto possível e, apesar de com os tempos cada vez gostar mais de estilos mais extremados de metal, este trabalho não se junta aos meus gostos devido a um excesso de caos e desordem – contudo, isto não se aplica ao cover final do EP que de facto deixa um sabor melhor que os seus parceiros, principalmente por apostar de uma forma mais equilibrada em todos os elementos, em que a velocidade se torna prioritária.

Nota 5/10
Matias Melim


Molde – “The Messenger”

Satanath Records

Álbum de estreia do duo irlandês Molde que nos traz um black metal dinâmico e bem interessante. Temos andamentos mais compassados que com os ambientes black metal funcionam como uma lufada de ar fresco – embora este tipo de coisa não seja algo profundamente original, todavia o resultado é mesmo este. Actualmente a viver a sua segunda encarnação, temos crença que agora iremos ouvir mais deles, e este trabalho promete. Recomendamos a faixa “The Ancestral Isles”.

Nota 8/10
Fernando Ferreira


Crom Dubh – “Firebrands”

Ván Records

Banda britânica muito interessante que se move pelos campos do black metal levemente melódico e épico, com os temas a deixarem-se levar pelo instrumental para paragens por vezes inesperadas. São as melodias das guitarras que ficam encarregue de ser o motor para essa viagem a que não nos importamos de fazer. Há no entanto a ressalva que por vezes nos perdemos do ponto em que estamos no álbum. Ou seja, as faixas não são imediatamente memoráveis embora tenhamos aqui alguns ganchos auditivos que possam ajudar nesse ponto. Um segundo trabalho que tem valor.

Nota 7.5/10
Fernando Ferreira


 

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