WOM Reviews – Dropdead / Mordaça / Orochen / Zurrapa / Knuckle Puck / Doghouse Swine / Nasty / Noosed

WOM Reviews - Faustian Pact / Lake Baikal / Ossaert / Deadspawn / Beast Of Revelation / Fosch / Aspidium / The Spirit

Dropdead – “Demos 1991”

2020 – Armageddon Label

Compilação que reúne as duas demos que os Dropdead lançaram em 1991 assim como uma faixa para uma compilação. Crust punk/hardcore implacável e furioso que apesar de todo o tempo que separa o momento em que foi registado e o presente, continua a ser tão (ou mais ainda) eficaz. Barulhento, caótico mas ainda assim, bastante essencial para quem é fã da banda ou simplesmente fã desta abrasividade sonora. Quem não conhece a banda, poderá muito bem começar por aqui.

8/10
Fernando Ferreira

Mordaça – “Caminhos Obscuros”

2020 – Mordaça Records

Os Mordaça estão de volta e na melhor altura. Ou pior. Estão de volta quando precisávamos da voz crítica do hardcore de Linda-a-Velha. São seis temas, divididos em cinco originais e uma versão (“Mundo Adversário” dos brasileiros Macakongs 2009) que a tornam sua. Produção crua mas com muita energia a mostrar que apesar de estarmos confinados e resignados a não os poder ver ao vivo, ainda temos a oportunidade de receber a sua mensagem e energia. Sólido e furioso mas sempre com uma mensagem forte por trás. Podemos dizer que “O Pior Ainda está Para Vir” e “Politiquices” representam de certa forma o espírito geral do momento mas é “Vives Entre Nós” (com a participação de Jonhie dos Simbiose e Rato dos Centopeia) dedicada ao insubstituível Sérgio “Bifes” Curto. Resumindo, mais que recomendado.

8/10
Fernando Ferreira

Orochen – “Thylacine”

2020 – Suicide Records

Este é um daqueles grupos que aborrece quem gosta de pegar num rótulo e ficar logo tudo resolvido. Apesar de pós rock e pós metal ser algo que até acenta bem, há tanto mais aqui a acontecer que é redutor usar um ou mesmo dois rótulos. Com uma forte aura estabelecida em todos os quatro temas, há uma densidade que nos faz até pensar em pós punk mesmo sem ter propriamente pontos de ligação. É intrigante e é viciante a forma como esta atmosfera consegue fazer com que sejamos absorvidos sem saber muito bem pelo quê. Melancolicamente belo em vinte minutos que nos fazem render.

8/10
Fernando Ferreira

Zurrapa – “Lambe-me O CUbo”

2020 – Edição de Autor

Os Zurrapa estão de volta e com eles mais uns temas de punk rock para cantar em hino. O humor é uma das armas de arremesso de sempre, embora seja sempre a tocar o dedo na ferida. No livreto do CD, a banda refere que estes tempos em que estão privados de concertos têm sido particularmente difíceis (não só para eles, mas para todos os que vivem de e para a música) mas o confinamento não lhes impediu a imaginação de apresentarem o álbum de forma única. São sete temas antecedidos sempre com uma pequena intro, onde temos um apresentar o tema seguinte. Uma ideia interessante mas que envelhece depressa e poderia ter sido apresentada de outra forma – poderiam haver um pequeno comentário antes de cada tema, seria a plataforma ideal para mandar tudo cá para fora. Produção crua como manda a lei (com a “Fica Em Casa Ou Levas Nos Cornos” a ser especialmente crua tendo sido registada de forma caseira, com cada músico a gravar as suas partes no conforto do seu lar), músicas curtas e que nos imploram para ser tocadas ao vivo com alguns destaques – a espécie de cover da “Ghost Riderts In The Sky” de Johnny Cash, aqui intitulada “Fui Às Putas Com O Teu Pai”. Diversão punk’n’roll como só os Zurrapa sabem apresentar. Sabe é a pouco, mas é como a vida actualmente. É o que temos.

7/10
Fernando Ferreira

Knuckle Puck – “20/20”

2020 – Rise Records

O punk rock com laivos de pop tem um grande trunfo. Soa sempre bem. A desvantagem é que poderá soar sempre ao mesmo. Algures entre estas duas condições é o que temos “20/20”, um álbum que não quer reinventar a roda apesar de evidenciar momentos em que se nota uma maior coesão. Se haverá algo que servirá para descrever este trabalho é mesmo essa, coesão. Estes temas soam-nos sólidos e assim soariam se estivessemos em 2000, em 2010 ou agora, o que não deixa de ser um testemunho em relação à validade do seu som. Para quem não se cansa desta fórmula, não há por não ficar preso a “20/20”.

7.5/10
Fernando Ferreira

Doghouse Swine – “HiFi Music For LoFi Kids”

2018 – Sliptrick Records

O punk, para um género supostamente básico, tem múltiplas faces e facetas, exactamente a comprovar o contrário. Os Doghouse Swine trazem-nos uma abordagem mais apoiada no rock e na boa diversão mas mantendo um som áspero que é mais comum de outra altura. E por áspero não se pense que temos uma produção tosca ou problemas de coordenação. Não, tudo soa coeso e forte. E cru, que é precisamente esse ponto que nos conquista. Isso e as músicas que apelam ao espírito rock’n’roll sem querer ter pretensões de seguir modas. Não há modas, apenas rock’n’roll.

7/10 
Fernando Ferreira

Nasty – “Menace”

2020 – Century Media Records

As memórias que tenho dos Nasty envolvem sempre ver jovens a fazerem capoira em pleno RCA Club. Isso e um som que tem uns breakdowns demolidores. Breakdowns que motivam as acrobacias. Sendo um elemento tão corriqueiro no hardcore, é bastante representativo do que podemos encontrar na música da banda belga. É um dos pontos principais de “Menace”. Violento e castigador mas que acrescenta muito pouco em relação a uma carreira de quase vinte anos. Fica-se com a sensação de que a banda encontrou um padrão e que não vai querer abdicar dele. Provavelmente é o que também deseja o pessoal da capoeira. Pessoalmente esperava algo mais dinâmico.

6/10
Fernando Ferreira

Noosed – “Rise”

2020 – Trepanation Recordings

Os irlandeses Noosed começaram à pouco tempo mas já têm uma série de lançamentos repartidos entre demos e Eps (e até uma compilação que junta dois EPs). A sua sonoridade anda à volta de uma mistura entre uma entrega vocal próxima do industrial, e uma base instrumental que vai beber muito ao sludge e ao death metal mais agreste. São oito temas cuspidos em menos de quinze minutos, bastante directos mas sem grande brilho que os distinga do que já conhecemos. As referências a Napalm Death e a Godflesh fazem sentido até um certo ponto mas é preciso mais para faça a diferença.

5/10
Fernando Ferreira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.