WOM Reviews – Endseeker / Runemagick / Nex Carnis / Superstition / Mithridatic / Vermicular Incubation / Morbus Grave / Entrails

WOM Reviews - Endseeker / Runemagick / Nex Carnis / Superstition / Mithridatic / Vermicular Incubation / Morbus Grave / Entrails

Endseeker – “The Harvest”

2019 – Metal Blade Records

Confesso que Endseeker não era um nome que me fosse familiar embora hoje em dia seja difícil, admito, lembrar-me de tudo conforme a memória se vai tornando cada vez mais selectaiva. Isto tudo porque pela explosão de death metal alemão a soar a sueco até seria coisa para guardar na memória. E basicamente é o que temos aqui na estreia da banda teutónica pela Metal Blade, death metal sem grandes contemplações, pé na chapa e cabeças pelo ar, tal como a capa evidencia. No final de contas não é algo que precisemos como ar, mas é sempre um confortozinho para a alma termos mortandade desta qualidade.

Nota: 8.5/10
Review por Fernando Ferreira

Runemagick – “Into Desolate Realms”

2019 – High Roller Records

Os Runemagick são uma banda veterana de death metal sueca formada em 1990. Durante os seus 29 anos de existência, esta banda fez tudo menos parar quieta, tendo lançado 12 álbuns, uma carrada de EP’s e outras coisas pelo meio. Agora, ao nos aproximar-mos do seu trigésimo ano, coincidentemente, os Runemagick lançam o seu décimo terceiro álbum com o nome de “Into Desolate Realms”. Neste projecto, a banda opta por um death metal mais lento, que por vezes trespassa a linha para o doom, sendo claro o posicionamento da banda em termos da balança de peso e virtuosidade. Infelizmente, não conseguem fugir totalmente ao pecado que muitas bandas destes estilos mais lentos costumam cometer, que diz respeito á repetitividade sonora; não só dentro das faixas, como também entre elas. É um daqueles casos em que o álbum é em si uma faixa longa mais do que 11 curtas, contudo neste caso não é pela positiva (mas diga-se que, felizmente, há faixas que se vão destacando umas das outras). Fora deste aspecto, a banda faz um trabalho constantemente positivo: vocal intimidador, guitarras distorcidas com tons bastante hipnóticos e o conjunto de bateria e baixo bastante sentidos ao longo de todo o álbum. Num todo, criam-se aqui e ali umas “melodias” mais ambientes interessantes que de facto ficam na memória, só é pena não serem mais frequentes os empurrões no sentido do death metal mais veloz e estridente como ocorre na faixa Wolves Of Nocturnal Light.

Nota 7.5/10
Review por Matias Melim

Nex Carnis – “Black Eternity”

2019 – Blood Harvest

Regresso dos iranianos Nex Carnis, após o álbum de estreia lançado quatro anos atrás. São apenas dois temas disponibilizados em vinil mas que servem de cartão de apresentação para quem ainda não os conhece. Death metal primitivo e cavernoso que nos faz recuar uns bons anos (décadas) até quando estilo ainda estava a dar os primeiros passos. Isso não significa que seja algo simplório. Não, esta é uma banda que recomendamos conhecer, para quem gosta um pouco de brutalidade à antiga, claro.

Nota: 8/10
Review por Fernando Ferreira

Superstition – “The Anatomy of Unholy Transformation”

2019 – 20 Buck Spin

Os Superstition são uma banda americana recém-fundada (2018) que apresenta agora o seu álbum de estreia intitulado de The Anatomy Of Unholy Transformation. Esta banda insere-se dentro do estilo do death metal a puxar um pedaço para as ondas mais cruas e menos melódicas. Como se pode ver neste álbum, há uma clara preferência por ritmos mais caóticos acompanhados por um trabalho de guitarra também dissonante. Bem…. a minha preferência por ritmos mais bem conotados e óbvios costuma ser bastante explicíta, contudo vão surgindo peças aqui e ali que cada vez mais vou apreciando principalmente dentro dos campos mais extremos, contudo não é o que se verifica aqui. Para sumarizar os aspectos que desgosto neste trabalho: demasiado caos ritmíco (aceleram e desaceleram de forma demasiado brusca e imprivisível), o vocal é distante e demasiado “regurgitado”, há momentos em que se usa tanto prato de bateria (diga-se que não sou nenhum entendido neste instrumento) que sinceramente chega a provocar dores de cabeça, e por fim, na sua generalidade, há tanto enfoque no peso e no caos que acaba tudo soando à mesma coisa. Por outro lado, a guitarra nos momentos de solos molda um pedaço os esforços da banda e acaba ajudando na sua qualidade. Contudo, não é suficiente. Comprendo perfeitamente que haja pessoal com gosto mais pesado dentro da cena do metal, o problema é que esta banda não se fica pelo peso e acaba por, na minha opinião, fazer um trabalho que se arruina a si principalmente à custa dos seus ritmos bastante aleatórios (imaginem um carro constantemente a andar e a parar sem qualquer tipo de lógica e é mais ou menos isso que este álbum me fez sentir).

Nota 3/10
Review por Matias Melim

Mithridatic – “Tetanos Mystique”

2019 – Xenokorp

Confesso que tive que dedicar a este “Tetanos Mystique” mais audições do que as previstas. Este é um death metal (ou death/black) que é tudo menos imediato mas que tem algo de muito único (se é que tal ainda é possível nos dias de hoje).Riffs intricados e retorcidos, é como se estivessemos de regresso a alguns álbuns da década de noventa que na altura nos pareceram abusivos mas que depois marcaram toda uma nova geração e forma de fazer música extrema. No entanto, apesar de se estarem a passar milhentas coisas ao mesmo tempo, continuamos a ter a sensação de que estamos perante um álbum e não apenas uma tentativa de colagem falhada entre vários riffs e licks complicados, aliados a ritmos pouco usuais. Essa estranheza está sempre presente embora se vá atenuando com as audições, mas a magia está mesmo nesse processo.

Nota: 8/10
Review por Fernando Ferreira

Vermicular Incubation – “Chapter Of The Vermin Domain”

2019 – Vomit Your Shirt / Miasma Records

Fui apanhado de surpresa por este álbum. E por esta banda! A cena nacional de brutal death metal continua a borbulhar de coisas boas e este é mais um exemplo. Um álbum que pode chegar e vencer qualquer coisa que venha lá de fora. Brutalidade técnica com fartura num género que por si só é unidimensional mas que acaba por ter sempre saídas para quem tem criatividade suficiente para o dominar. É o que encontramos neste primeiro álbum que poderá não ter o suficiente para se destacar da concorrência mas que é um primeiro passo sólido em direcção a futuro que só nos poderá deixar a todos orgulhosos. De destacar as participações especiais de Quentin dos Hurakan, Aiden dos Maggot Colony, René dos Slamentation, de John dos Phrymerial e de Sérgio Afonso dos nossos Bleeding Display. Esperamos agora comprovar esta potência toda em cima de um palco.

Nota 8/10
Review por Fernando Ferreira

Morbus Grave – “Awakening The Dead / Throne Of Disgust”

2019 – Chaos Records

Reedição em CD por parte da Chaos Records das duas demos dos Morbus Grave editados neste mesmo ano em cassete pela Unholy Domain Records. E é curioso reparar que em vez de termos uma banda, parece que temos duas. Os italianos sofreram uma mutação sonora (para melhor, ressalve-se) que é apreciável em dois trabalhos separados por quatro meses, sendo que “Throne Of Disgust” goza de uma produção mais forte, ainda que tenha na mesma aquele crivo old school que faz com que esta pareça uma reedição de algo lançado em 1989 e não 2019. Nada que os aficionados não gostem, tem qualidade para isso.

Nota: 7/10
Review por Fernando Ferreira

Entrails – “Rise Of The Reaper”

2019 – Metal Blade Records

Death metal sueco, talvez o mais imortal dos subgéneros, aquele que nos soa sempre bem, ou quase sempre. Confesso que nesse aspecto, “Rise Of The Reapter” não teve o efeito imediato que os seus antecessores tiveram, principalmente o último, “World Inferno” teve. Se por um lado as guitarras estão lá, a bateria revela-se com um som demasiado… digital. Poderá ser algo dos meus ouvidos mas a verdade é que foi uma sensação incómoda que demorou a passar, exigindo várias audições. A sonoridade desajustada não permitiu que temas como “Miscreation” e “Gravekeeper” soassem tão pujantes como o esperado. De qualquer forma, é inegável que esta segunda da vida da banda tem sido bastante positiva, para eles e para nós que não passamos sem esta dose de death metal sueco nas nossas vidas. Para quem não é tão picuinhas a esse respeito, esta é a bomba death metal que se antecipava. Já para quem é… poderá custar um pouco a entrar. Mas depois passa.

Nota 7.5/10
Review por Fernando Ferreira

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