WOM Reviews – False / Cult Of Extinction / Patronymicon

False – “Portent”

2019 – Gilead Media 

Que capa tão estranhamente cativante. Além de bela, tem um impacto hipnótico que obriga à aquisição da edição em vinil. Em termos sonoros, a coisa não anda muito longe. Black metal com tomates a atirar para o épico – ou não estivessemos perante quatro faixas, onde três delas têm duração superior a dez minutos. Não é uma proposta unidimensional mas conseguimos perceber aqueles que a sentem dessa forma porque é denso o suficiente para deixar qualquer um derreado. E são estes álbuns que nos dão especial gozo, aqueles em que temos que absorver e deixá-los crescer. Um álbum à antiga, portanto. Ah, temos que dar um especial destaque à voz de Rachel que é simplesmente monstruosa. No bom sentido.

Nota 8.5/10 
Review por Fernando Ferreira

Cult of Extinction – “Ritual in the Absolute Absence of Light”

2019 – Iron Bonehead  Productions

Com presença em mais que um projecto/banda (Voreus, Imperceptum, Blood Agent e Abominations), desde 2017 que o multi-instrumentista – VOID – alimenta esta Besta de nome Cult of Extinction. 2017 vê nascer a primeira edição da banda (“Black Nuclear Magick Attack”), que chama a atenção da Iron Bonehead, que este ano edita o primeiro Longa-duração (“Ritual in the Absolute Absence of Light”).

Muito à semelhança do que por vezes nos passa na vida, a Música presenteai-nos com ofertas que não são do nosso agrado. Nesses casos, tal como na Vida, temos de saber analisá-las do modo mais objectivo possível, ainda que mantendo a nossa perspectiva/visão acerca de tal.

E em que esfera vive, afinal, Cult of Extinction? Cult of Extinction vive naquela esfera, dentro de uma esfera maior, de nome Black Metal, a que os “peritos/entendidos” decidiram, um dia, chamar de War/Bestial Black Metal. Black Metal, Death Metal, Grind… Cult of Extinction. Não é realidade musical que me diga muito e onde, à excepção de Diocletian e um ou outro trabalho de Beherit, pouco mais roda por aqui.

Uma amálgama de sons, de riffs sem – para mim – ponta por onde se lhe pegue. Houve inclusive momentos em que me questionei se este não seria o resultado de uma parceria entre os Blasphemy e uns Mysticum, sobre a influência de uma larga série de substâncias.

Aqueles que apreciam esta faceta mais extrema e caótica encontrarão aqui pormenores que, por norma, não se encontram nesta linha de Black Metal. A bateria comanda o ataque de um modo deveras autoritário e assertivo; as linhas de guitarra acrescentam a melodia; as linhas vocais são “abafadas”, dando uma ideia de profundidade e peso. Entretanto as linhas de guitarras vão passando, para o ouvinte, melodias. Maior parte das vezes, essa melodia é enterrada por debaixo de escombros de destroços. Pequenos solos pontuam o fluir das músicas. Nestes momentos a música ganha vida, ganha uma outra cor… Mas depressa somos, novamente, fustigados com uma destemida e imparável cavalgada de bateria e perfurantes riffs de guitarra, acompanhadas por vocalizações cortantes. Há ainda momentos reminiscentes de um universo industrializado (imaginem maquinaria fabril…).

De um modo geral: não apresenta nada de imensamente inovador, tendo um ou outro pormenor que poderão agradar/surpreender o ouvinte habitual.

Nota: 3/10
Review por Daniel Pinheiro

Patronymicon – “Ushered Forth By Cloven Tongue”

2019 – Osmose Productions

Após seis anos de ausência os suecos Patronymicon estão de volta para o terceiro álbum que revela logo que não há tanta coisas a ter mudado entretanto nos anos em que estiveram ausentes. Abordagem algo unidimensional ao black metal que tem um bom impacto após repetidas audições. Não é que à primeira esse bom impacto seja invisível. Apenas não é tão evidente e não deixa as suas dinâmicas transparecerem tanto como um pouco mais de calma a saborear “Ushered Forth By Cloven Tongue”, culpa também pela duração acima da média das músicas. Esse crescimento revela ser algo limitado apesar de tudo, sendo um trabalho difícil de digerir. Trabalho em progresso para quem goste de coisas mais impactantes.

Nota 7/10
Review por Fernando Ferreira

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