WOM Reviews – Forest Mysticism / Krypta Nicestwa / Dimholt / TOMB / Invocation / Svarttjern / Netherbird / Ragnell / Lauxnos

Forest Mysticism / Krypta Nicestwa – “Mirrors of Glaciated Earth”

2019 – Nebular Carcoma

Mirrors of Glaciated Earth é um split de black metal por parte de Forest Mysticism, projecto solo australiano, e dos Krypta Nicestwa, duo polaco. Enquanto que o projeto solo australiano já carrega em si 13 anos de existência, o duo polaco é recente tendo sido formado apenas em 2018, contudo há algo que une todos os intervenientes neste split além do seu amor pelo black metal  que é o seu historial de lançamentos que se traduz em splits, demos e compilações. Em Mirrors of Glaciated Earth há um total de 4 faixas, em que duas equivalem a remixes raw e são presenteados com dois estilos de black metal distintos. Enquanto que os Krypta Nicestwa optam por um  som mais ambiente e calmo com maior recorrência a um vocal distante e claro, na parte de Forest Mysticism há um maior enfase no peso de black metal com uma maior velocidade, maior vigor e maior protagonismo da guitarra que na primeira parte é bastante discreta. Contudo, ambas as partes deste split demonstram um toquezinho do estilo mais cru apesar de ser bastante ligeiro, conseguindo manter um bom equilíbrio entre o raw e o som mais limpo e envolvente. Óbvio que tudo isto muda quando chegamos aos remixes em que ocorre um aumento do factor raw bem  perceptível mas que sinceramente deixa a desejar por mais, porque a verdade é que é basicamente a mesma coisa só que num nível diferente de intensidade (preferia muito mais duas outras faixas de ambas as bandas) . Concluindo, é o excelente trabalho de duas “bandas” que sendo bem distintas, complementam-se bastante bem neste split dando mesmo a ideia de que uma colaboração futura de maior relevo seria perfeita para fãs do black metal e não só.

8.5/10
Review por Matias Melim


Dimholt – “Epistēmē”

2019 – Edição de Autor

Boa surpresa, os Dimholt. A banda búlgara chega com este “Epistēmē” ao segundo álbum de originais após andarem alguns anos desaparecidos. O seu black metal é dedicado ao midtempo mas não dispensa as habituais fúrias de tremolo picking, o que aliado a umas melodias a puxar ao dissonante, acabam por lhes trazer uma aura misteriosa e bem conseguida. Temos alguns repentes de Satyricon de vez em quando mas não há propriamente uma colagem a quem quer que seja. Não é uma paixão à primeira audição para quem não for familiar com black metal. Aliás, mesmo para quem o seja, poderá não encarrilhar com algumas estruturas mais complexas e alguns temas mais longos. No entanto para quem não dispensa boas surpresas e a fuga à norma, “Epistēmē” é mesmo o trabalho mais que recomendado.

8.5/10
Review por Fernando Ferreira


T.O.M.B. – “Thin the Veil”

2020 – Dark Essence Records

Black Metal nunca foi estranho a fusões. De elementos Folk a batidas explosivas e grunhos inseridos num conceito de Sci-fi, o género, desde sempre uniu forças com qualquer som que os homens pudessem criar, a fim de criar a fera mais aterrorizante e humanamente concebível. Sons industriais, o mais próximo possível de uma siderugia! É assim que imagino bandas como Mysticum, Blacklodge ou Aborym; ouso adicionar a fase electrónica de Samael ?! Sim!! No final resulta numa experiência sombria e dolorosa. No final, a sensação que se extrai dessas peças é petrificante. Total Occultic Mechanical Blasphemy, desde 2003 a criar uma linha muito específica de Industrial infused Black Ritualistic Metal, assente num plano pleno em ocultismo, uma série de pensamentos e sons. Muito mais do que apenas música, os T.O.M.B. são a porta de entrada para uma camada espiritual, que vive acima da existência humana. As suas construções musicais sonicamente marcantes, fortes e punitivas, guiam o ouvinte na sua jornada. Não é de fácil assimilação, não é de entendimento imediato. Mais que música, é uma missa. Os tambores batendo! As vocalizações punitivos e caóticos! Escravidão e adoração a Satanás. Pode parecer tolice … ou não ?! A fábrica, ferro, aço fervente … essa imagem de uma fábrica não sai da minha mente, por um segundo, enquanto ouço este álbum. A música tem essa capacidade, criar imagens, orientá-lo através de quadros da (ir) realidade e imagens relacionadas. A percussão está imensamente presente. Além da bateria mais do que óbvia, temos todos os tipos de detalhes rítmicos … mais uma embarcação de sons xamânicos (“Lunar Reckoning” … oh a bateria, como batem na bateria …). Mas o Black Metal não é esquecido, e a banda mostra-o em “Thin the Veil”. Não é Black Metal padrão, pois tem pequenas “gotas” do que poderíamos chamar de Doom, Drone. Ambos os géneros andam de mãos dadas com as atmosferas Industrial e Black Metal deste álbum, criando essa fera tão complexa! Novamente: não é fácil de ouvir, não é de fácil compreensão. Às vezes pode parecer repetitivo, mas faz parte do quadro geral. Aço choca com aço. Esse som, aquele som tão pesado … No geral, e como afirmado mais de uma vez nesta pequena resenha, é uma música “difícil de aceitar”. Às vezes, perde sua melodia instantânea, apenas para substituí-la por … música com som de fábrica.

6/10
Review por Daniel Pinheiro


Invocation – “Attunement To Death”

2020 – Iron Bonehead Productions

Os chilenos Invocation estão a evidenciar uma qualidade crescente no underground do death metal mais blasfemo. O mais recente lançamento, este EP “Attunement To Death” é uma bujarda crua de brutalidade onde a dinâmica não é esquecida, algo fundamental, principalmente tendo em conta que os temas são de duração algo acima da média – de outra forma, este trabalho poderia ser algo difícil de suportar. Acredito que a banda já está no ponto para lançar o álbum.

8/10
Review por Fernando Ferreira


Svarttjern – “Shame Is Just A Word”

2020 – Soulseller Records

Nunca os noruegueses Svarttjern estiveram tanto tempo longe. O que só nos fez ansiar mais por este “Shame Is Just A Word” onde o seu black metal nos surge com argumentos melódicos  com um certo feeling thrash (e não, não tivemos esta sensação apenas pela cover dos Exodus, “Bonded By Blood” que surge como sétima faixa) mas o black metal continua a ser o prato principal que encontramos aqui. Trabalho bastante dinâmico ao nível das linhas de guitarra, cheio de nuances que fazem com que estejamos quase numa montanha russa. Negro, cru e muito, muito bom, são os principais adjectivos que nos surgem a cada audição.

8.5/10
Review por Fernando Ferreira


Netherbird – “Into the Vast Uncharted”

2019 – Eisenwald

Com uma carreira iniciada em 2004, os suecos Netherbird são uma banda já conhecida por vários. 3 anos após o seu último álbum, lançam agora o 5º intitulado de Into the Vast Uncharted, um álbum difícil de caracterizar pelos termos mais específicos de subgéneros. Assim sendo, é melhor optar por uma caracterização relativamente generalizada do estilo que apresentam. É um estilo épico e por vezes melódico que carrega em si o peso de um black metal moderado e mais ambiente que transmite constantemente a ideia de aventura mítica ao longo do seu desenvolvimento de 36 minutos. O álbum desenvolve-se com recurso a ideias cósmicas pelo menos através dos títulos das faixas, se quiserem saber de letras terão que investigar vocês mesmos. Num todo, o álbum  é de audição ligeira mas sinceramente não me mexeu em ponto nenhum em específico, falta aqui um elemento que surja como caracterizante da banda e que de facto dê sentido à audição como por exemplo o recurso a um ou outro solo flashoso que marque a audição (há solos aqui e ali, mas não dão sensação de nada). É sempre uma questão de opiniões, mas a verdade é que sem um acompanhamento lírico não há nada que me una a este álbum além do ritmo mais ou menos memorável porque, fora disso. o álbum não tem nenhum aspeto que se destaque (apesar do bom trabalho de guitarra, note-se). É um álbum bom mas pouco impactante para mim.

7/10
Review por Matias Melim


Ragnell – “Rebirth In Darkness”

2019 – Satanath Records

Trio mexicano dos infernos que nos trazem um black/death metal bem interessante. A banda norte-americana surpreende-nos pela forma como trazem uma série de ganchos próprios do black metal escandinavo, nomeadamente o tremolo picking mas nunca deixam de lhe dotar com a força do death metal. A junção dos dois géneros nem sempre é pacífica ou até clara, e de certa forma aqui também é um pouco complicado dizermos para qual os dois pende mais a balança, tendo em conta a voz usada que tanto se enquadra por momentos num ou noutro. O toque de classe são mesmo os coros majestosos que surgem de vez em quando e dotam todo um trabalho de uma dinâmica acrescida. Bem conseguido e uma excelente surpresa para quem os está a conhecer pela primeira vez.

9/10
Review por Fernando Ferreira


Lauxnos – “Crushed By Waves”

2019 – Symbol Of Domination

A cena russa é realmente um poço de surpresas, pelo que os Lauxnos inserem-se facilmente nessa categoria com este terceiro álbum que apesar de não nos trazer grandes novidades no que diz respeito aos avanços do black metal perante o pós metal (ou vice-versa), traz-nos uma boa dose de melodia e peso sem nos deixar convencidos que se trata de uma deturpação de ambos os estilos. Até a vertente mais tradicional do black metal atmosférico poderá estar em vantagem mas neste caso específico, tudo flui tão facilmente que não nos lembramos sequer de qualquer moda “pós-qualquer-coisa”, entretanto já esmorecida… Daqueles álbuns que não sendo avassaladoramente marcantes, terá sempre um bom pecado a cada audição.

8/10
Review por Fernando Ferreira


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