WOM Reviews – Ihsahn / Clayshapper / Sons Of Apollo / Ereley / Marko Hietala / L’Homme Absurde / Thoren / Hällas

WOM Reviews - M.I.L.F. / Throne Of Iron / Märvell / Secret Alliance /Slowburn / Rainbow Bridge / Pleonexia / Badd Kharma

Ihsahn – “Telemark”

2020 – Candlelight Records

O primeiro EP de Ihsahn era algo que nos trazia uma enorme expectativa. Por ser o primeiro de dois, este dedicado à sua cidade natal assim como também por neste primeiro trazer um lado mais pesado. Podemos dizer que “Stridig” é um tema que poderia muito bem estar presente numa eventual sequela do “Prometheus”. Não, não é um regresso ao black metal sinfónico dos Emperor, contém muitos elementos da sua carreira a solo, mas tem certamente um cheirinho de trabalhos passados. “Nord” e “Telemark” são mais melódicos e com um feeling prog mais forte mas seguem a mesma linha de peso. Depois a finalizar duas covers, “Rock And Roll Is Dead” de Lenny Kravitz e “Wrathchild” de Iron Maiden, ambas com um feeling muito próprio e que resulta muito bem. O pormenor da secção de cordas presente em todos os temas ajudam também a que seja algo bastante exótico.

9/10
Fernando Ferreira

Clayshapper – “Celestian”

2020 – Edição de Autor

Para quem ficou intrigado com os suecos Clayshapper no ano passado, está aqui algo que poderá ajudar a esclarecer qualquer dúvida. “Celestion”, o segundo EP da banda, traz-nos aquele death metal melódico com alguns toques de doom e de progressivo. Aliás, mais progressivo do que propriamente doom. Imaginem uns Opeth mas sem terem a necessidade de escrever temas de dez minutos, conseguindo encaixar toda a intensidade, toda a melodia e elementos progressivos em temas inferior a dez minutos. O facto curioso deste EP (não sabemos se assim será para o público, mas desconfiamos que sim) é que nos apresenta quatro temas, com voz e depois os mesmos na versão instrumental. E o impacto dos mesmos é diferente mas ambos muito positivo. Não sabemos como vai ser o futuro da banda, mas até agora estamos bem fascinados.

9/10
Fernando Ferreira

Sons Of Apollo – “MMXX”

2020 – Insideout Music

Desde que saiu dos Dream Theater, o baterista Mike Portnoy tem feito uma carreira de super-grupo em super-grupo. Em 2017 foi a vez de juntar forças ao também ex-Dream Theater, Derek Sherinian, ao veterano baixista Billy Sheehan, ao vocalista Jeff Scott Soto e ao guitarrista Ron ‘Bumblefoot’ Thal para formar os Sons of Apollo. O metal progressivo da banda não fica longe do som dos Dream Theater, mas com um sentimento rocker bastante presente.

O segundo álbum de originais, “MMXX”, abre da melhor forma com a excelente “Goodbye Divinity” onde, depois de dois minutos com uma entrada calma e tipicamente progressiva, a banda mostra que não tem problemas em prosseguir com um riff pesado e mais directo. Músicas como “Wither to Black”, “Asphyxiation” e “Fall to Ascend” também seguem esta linha, mas sem nunca descurar alguns momentos mais floreados pelo meio. Acaba por ser neste registo que “MMXX” tem os seus melhores momentos, riffs fortes, peso, e a fantástica voz de Jeff Scott Soto a dar bastante energia a cada tema. Para o fim fica a música mais comprida do álbum, “New World Today” onde os Sons of Apollo entram totalmente em modo prog durante os 15 minutos de duração.

Com os nomes que compõem esta banda, dizer que o nível de qualidade da execução é altíssimo é quase redundante. Não faltam momentos de virtuosismo, como seria de esperar num álbum destes, mas os Sons of Apollo no geral acabam serem capazes de encontrar um equilíbrio adequado e não se deixar levar demasiado. “MMXX” não é um álbum com grandes surpresas, nem foge muito ao esperado. Não será um problema para os fãs do estilo e dos músicos que compõem a banda, mas ao mesmo tempo a banda corre o risco de cair em momentos mais “genéricos” e pouco memoráveis como “King of Delusion” ou “Resurrection Day”, felizmente isso não é o suficiente para descarrilar este trabalho.

8/10
Filipe Ferreira

Ereley – “Diablerie

2020 – Massacre Records

Ereley são uma banda checa de Metal Progressivo; a sua formação deu-se em 2014, e este ano podemos ouvir o seu segundo álbum “Diablerie”. A voz limpa alternada com gutural funciona lindamente, instrumentalmente bem concebido, metal progressivo no seu melhor, músicas de longa duração, uso de guitarras distorcidas, misturado com sons de teclado bem obscuros.

Destacam-se os Temas “Diablerie” e “ Enchantress”, as letras narram-nos uma história complexa sobre o inconsciente, como lidamos com sentimentos: alegria, ódio, loucura e tristeza. Salientando que nossa alma nasce “pura” e ao longo da vida podemos tomar decisões que nos levam para o lado da luz ou da escuridão. Recomendo sem dúvida para quem gosta de um bom Prog, podemos comparar com bandas como Evergrey, Symphony X e Fates Warning.

8.5/10
Nídia Almeida

Marko Hietala – “Pyre Of The Black Heart”

2020 – Nuclear Blast

Ao que tudo indica, este álbum já foi lançado mas na sua versão finlandesa mas o que temos aqui é uma versão melhorada portanto soa (é) um trabalho completamente novo. Seja como for, tenho que começar pr dizer que o Marko Hietala sempre me cativou pela sua voz poderoa, uma voz capaz de se tornar cansativa para quem não for apreciador mas que depois de a interiorizar, principalmente o seu potencial emocional, torna-se inesquecível. O seu timbre inconfundível surge aqui aliado a diversos estilos, do prog ao folk e claro o hard rock. Sente-se que é um trabalho onde Hietala se divertiu à grande pelo que não tem em si a expectativa de apresentar uma obra-prima da sua carreira. Ainda assim temos momentos bastante fortes e díspares em termos de géneros. “Stones, “For You” e “Runner Of The Railways” já dá para ter uma boa ideia da sua abrangência. Um bom álbum para os fãs.

7.5/10
Fernando Ferreira

L’Homme Absurde – “Belong”

2020 – Edição de Autor

Podemos dizer que temos acompanhado a carreira dos L’Homme Absurde (desde que era uma one-man band) e eles conseguiram apresentar uma personalidade própria que nunca foi estanque. “Belong”, o terceiro álbum continua esse movimento em frente mas sem se descaracterizar. Isto porque existem muitas bandas que começam dentro do black metal,ou pós-black metal, e aos poucos vão adocicando a sua música, deixando o peso para trás. Não é o caasod e tudo. E aqui os “L’Homme Absurde” acabam por ter talvez o seu disco mais pesado por um lado, mas por outro também é bastante melancólico, com as melodias exploradas serem desde logo vencedoras. Não concordo que a banda se tenha deixado ficar refém de influências mais hardcore ou metalcore (simplesmente não consigo ouvir isto aqui, lamento), o que me parece é que eles estão simplesmente mais fortes que nunca e com um grande futuro à sua frente. O burburinho é mais que justificado.

8.5/10 
Fernando Ferreira

Thoren – “Gwarth II”

2020 – Drylands Records

Este não é um álbum fácil de ouvir. Há para já uma curiosidade perante a qual temos que reagir. Temos a indicação de que se trata de death metal instrumental. Tendo em conta que muitas das vezes o que distingue o death é a voz, fica muito pouco para podermos classificar isto como death metal. Picuinhices, admite. Bem, “Gwarth II” é um trabalho bem complexo, com guitarras irrequietas que estão a debitar notas estranhas tão rápido como mudam de tempo. Para quem gosta da fusão de música extrema com jazz, este poderá ser um prato em cheio, embora tenha de fazer a ressalva, a parte da música extrema propriamente dita não é aquilo pelo qual esperam quando se refere death metal. Interessante para ver os limites da música pesada mas não propriamente pela música em si.

5/10
Fernando Ferreira

Hällas – “Conundrum”

2020 – Napalm Records

Os suecos Hällas estão de volta para o segundo álbum, mas não é preciso muito de “Conundrum” para ficarmos com a sensação de que a estreia foi lançada em 1976 e não em 2018. Ainda assim, apesar do som assumidamente datado, há por aqui um encanto enorme. Tenho noção de que não será fácil de encaixar por parte de muitos fãs do rock progressivo actual, porque isto é uma coisa mesmo vintagem, mas a classe que é esbanjada por aqui é demasiado alta para que possa ser passada em branco.

9/10
Fernando Ferreira

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