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WOM Reviews – Karin Park / André Barros / In The Absence Of Words / Dead Space Chamber Music / Jerry Cantrell / Judas Knife / AUA / Stockhausen & The Amplified Riot

WOM Reviews - Karin Park / André Barros / In The Absence Of Words / Dead Space Chamber Music / Jerry Cantrell / Judas Knife / AUA / Stockhausen & The Amplified Riot

Karin Park – “Church Of Imagination”

2021 – Pelagic

Não seria de todo surpreendente que nós ficássemos rendidos a Karin Park duas vezes no mesmo ano, pois não? Depois da experiência bem sucedida com Lustmord, temos aqui em nome próprio a apresentar mais um álbum de originais (o quinto) que nos traz aquele misticismo muito próprio, aqui num contexto mais electrónico e alternativo mas que não deixa de ser um poderoso guia através de canções marcantes que tanto nos mergulham no indie como no gospel – aquela “Shape Of A Child” é arrepiante e apenas um exemplo entre muitos de um álbum que poderá não ser muito metálico mas que carrega as emoções, a negritude que é expectável encontrar num álbum de metal. É um daqueles vícios para quem não se importa de ter guilty pleasures e nem sequer os considera como tal.

9/10
Fernando Ferreira

André Barros – “Vivid”

2021 – Omnichord

A música é a linguagem universal por excelência que pode causar tanta emoção que nos rouba a palavra. Pelo menos foi isso que senti ao ouvir este disco por diversas vezes. André Barros é um reconhecido pianista, compositor e produtor. Reconhecido sobretudo lá fora – nós já sabemos como a coisa funciona, não é verdade? Não devemos lutar pelo reconhecimento interior, devemos lutar pelo reconhecimento onde lhe dão o devido valor. “Vivid” manifesta-se tanto pelo piano mas sobretudo pelo fantástico trabalho de cordas que dão uma intensidade tal a estes temas que as imagens formam-se na nossa mente enquanto as ouvimos. Podemos dizer automaticamente que é a prática de fazer bandas-sonoras mas eu arriscaria (sem grande risco, na verdadE) que é a prática de fazer emoções em forma musical. Musicais que sentimos que são muito nossas mas que na realidade são universais e transversais a quem as tem. Beleza ímpar, um álbum enorme e absoluto.

9/10
Fernando Ferreira

In The Absence Of Words – “A Collection II”

2021 – Edição de Autor

Segundo álbum – vamos lhe chamar assim – do misterioso projecto In The Absence Of Words. Já é lugar comum termos bandas ou projectos anónimos neste tempo em que se sabe (quase) tudo sobre (quase) todos. Também é difícil a coisa manter-se assim durante muito tempo mas acredito que neste caso vai-se manter durante bastante tempo. Têm sido lançadas várias faixas isoladamente – o termos “singles” creio que não fará muito sentido neste contexto – mas agora foram reunidas, pela segunda vez, num álbum que junta parte dessas faixas. “A Collection II” é uma bela junção de temas de ambient music, etérea e até quase fantasmagórica que servem ao propósito de meditar e relaxar depois de uma época especialmente exaustiva. Não há melhor remédio.

9/10
Fernando Ferreira

Dead Space Chamber Music – “The Black Hours”

2021 – Avon Terror Corps

Dead Space Chamber Music é logo um nome que antevê algo de especial mas acho que não nos poderia preparar para algo assim. Podemos dizer que “The Black Hours” é um álbum de folk, que supõe a exploração de tradições ancestrais mas que se revela bem mais experimental que à partida se poderia julgar. Cria ambientes que entram pelos domínios do industrial pela frieza e desoloção e quando se une a voz, os resultados são verdadeiramente inesperados e sobretudo belos. Ao contrário do que se costuma verificar nos álbuns folk, não é um álbum fácil de assimilar. A veia experimental chega a ser quase tão densa como a porta de um cofre de um banco e é possível que essa mesma veia afaste os que normalmente seriam facilmente convencidos. A nossa garantia é que, mesmo com essa veia, é uma experiência única (e mais intensa) que não devem dispensar.

8/10
Fernando Ferreira 

Jerry Cantrell – “Brighten”

2021 – Edição de Autor

Há músicos/bandas/pessoas que não temos que conhecer a fundo para sermos fãs ou no mínimo ter um respeito e reverência especiais. Jerry Cantrell é uma dessas pessoas, um músico que através da sua banda de sempre ou a solo marcou a face da música pesada, nas correntes mais alternativas. Ousaria a acrescentar nas correntes mais tradicionais do alternativo. Se formos a ver, os Alice In Chains não está assim tão distante de um hard’n’heavy. Pelo menos não tanto como estão uns Nirvana. Isto para dizer que mesmo sem acompanhar a sua carreira a solo, o entusiasmo por este trabalho era palpável. Com uma banda monstruosa atrás, onde se incluem convidados que fazem (ou fizeram) parte de bandas como Guns N’ Roses e Dillinger Escape Plan, este conjunto de temas apresenta-nos um espectro mais alargado – daí a necessidade de ser a solo – mas que continua a soar a Cantrell. A sua voz e os trejeitos próprios da sua composição estão cá todos, mesmo num disco que até tem uma toada bastante mais country do que o esperado. Mas resulta e este é um disco para os fãs de Alice In Chains e não só apreciarem com tranquilidade. De uma forma que hoje em dia já não se faz.

7.5/10
Fernando Ferreira

Judas Knife – “Death Is The Thing With Feathers”

2021 – Translation Loss

Antes de qualquer consideração, Judas Knife é um grande nome para uma banda. Mesmo para uma banda que tenha mais importância nas melodias do que mais no peso. E que isso não soe a uma crítica, porque não é, de todo. A sonoridade tem forte reminiscências do som alternativo ainda que distante do pós hardcore referido no comunicado de imprensa. A sensibilidade melódica é acima da média, assim como a capacidade para fazer verdadeiras canções que vão para além do que é costume num contexto mais comercial. É por esse ponto que se é rapidamente conquistado, ou pelo menos as probabilidades disso acontecer são grandes.

7/10 
Fernando Ferreira

Stockhausen & The Amplified Riot – “Have We Lost Our Mind Or Have We Found Our Soul?”

2021 – Artificial Head

O que fazer quando uma banda é composta por três músicos e depois fica apenas um? Arranjar uma bateria programada e seguir em frente. Dentro do espírito alternativo, pitadas de punk, de rock clássico e até um bocado do espírito da música de vanguarda da década de oitenta, temos um espectro de temas inesperadamente alargado mas que infelizmente não esconde as suas limitações. Estes temas poderiam ter ficado bem melhores se não tivessem uma batida por trás igual do início ao fim de cada tema. Dentro do espírito livre que poderia ter, acabou a meio do caminho. Ainda assim de assinalar a perseverança.

5/10
Fernando Ferreira

AUA – “The Damage Organ”

2021 – Crazy Sane

E agora um bocado de música deprimente? Mas daquela que não nos impele à acção para cortar partes do corpo ou assim. Não, uma que tem efeito de espalhar apatia de tal forma que até parece que a velocidade da música está a ser constantemente manipulada, só para nos trocar as voltas. Quando pensamos que estamos e entrar na coisa, muda aí isso só para ver como se seria se o coração batesse mais devagar e se o oxigénio demorasse mais um bocadinho para chegar ao cérebro. E onde quer que fosse. Indie apático, é uma boa descrição ou chillout do mafarrico que é orgânico mas nos tira a vontade de mexer. Uma espécie de veneno exótico (mas urbano) que não mata, não aleija, mas pode chatear aqueles que não gostam de ficar no seu efeito. Experimental e desafiante, não é para todos, e isso tem o seu interesse.

6/10
Fernando Ferreira

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