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WOM Reviews – Kolossus / Szary Wilk / Ordo Cultum Serpentis / Maudiir

WOM Reviews - Kolossus / Szary Wilk / Ordo Cultum Serpentis / Maudiir

Kolossus – “K”

2021 – My Kingdom Music

Algo que não nos podemos queixar é do nível de actividade com que as bandas e projectos se têm dedicado nestes tempos de pandemia. Com o primeiro álbum lançado no ano passado, o projecto liderado por Helliminator edita agora o segundo álbum. São também as vantagens de se ser uma one-man band, mais fácil de conjugar e trabalhar para deitar a música cá para fora sem haver, normalmente, as preocupações de ter de levar as coisas para cima do palco. E do ponto vista criativo, até poderá ser uma vantagem, principalmente se tivermos em conta os resultados obtidos por este álbum simplesmente intitulado “K”. Sem ser propriamente melódico, temos uma colecção de músicas que se tornam fáceis de memorizar pelos ganchos melódicos e riffs em tremolo picking bem memoráveis. A ambiência é fantástica e sem grandes exuberâncias atinge todos os objectivos que se propôs a atingir. E até a ir mais além. Uma das surpresas do ano, certamente.

9/10
Fernando Ferreira

Szary Wilk – “Wrath”

2021 – Putrid Cult

Polónia, país conhecido por soberbo Black Metal, e imensas polémicas em torno deste. Bela forma de começar, claro. Formados em 2018, editaram nesse mesmo ano a Demo “Wrota Chaosu”, sendo que este “Wrath” é o primeiro álbum da banda. E a que soa, perguntais vós? Não soa a Behemoth, o que é um ponto a favor do trio. Soa a Black Metal, e arrisco dizer que soa a algum do Black Metal que deste país já saiu. Há melodia a rodos, o que é mais um ponto a favor. A ideia de que o Black Metal não pode assentar numa base descaradamente melódica, arriscando assim perder a sua essência mais visceral e primitiva, é um tremendo erro na minha opinião. E os polacos são mestres a fazer isso! Somos recebidos por uma música de pouco mais de 8 minutos, o que assustaria qualquer um (salvo estivessemos a falar de Black Metal atmosférico), mas está tão bem construída, que somos arrastados para este épico medieval. Muito interessante. Todos os 5 temas são reminiscentes de um Black Metal épico! Aquele que pinta imagens de cenários medievais, sempre com destaque para o trabalho de guitarra, bastante destaque (“Behind the Curtain of Death” é um excelente exemplo de tal). Os temas são relativamente longos, estando todos acima dos 5 minutos de duração, mas em momento algum sentimos que estejamos a ser levados pelo aborrecimento. Fãs de Black Metal polaco, antigo, devereis checkar este trabalho!

8/10
Daniel Pinheiro

Ordo Cultum Serpentis – “Derej Najash”

2021 – Signal Rex

Uma realidade cada vez mais frequente na música actual é o acto de colaborar com músicos situados em localizações distintas da nossa. Músicos de várias partes do Globo, como visões similares de um género, que se unem com vista à criação de música, de arte. Não deixa de ser interessante o simples imaginar de como será o processo criativo, afastado daquela máxima primordial de pessoal enfiado numa sala de ensaios a partir tudo e mais alguma coisa. Mudam-se os tempos, mudam-se os métodos, I guess. Ordo Cultum Serpentis é um desses exemplos; músicos em localizações geográficas distintas (Coreia do Sul e México), a criar Arte. Este primeiro, editado no mais nobre formato (Tape), foi editado pela Signal Rex, e o duo apresenta-nos 2 temas, 2 temas bastante longos, que se movem no Black Metal, no Death Metal e no Doom Metal, sendo que ambos se assemelham a pequenos rituais, o que faz sentido tendo em conta a herança cultural da nação de onde cada um dos músicos vem. A nível de sonoridade, e ainda que tenhamos já referido as similaridades, há que frisar que as transições (se podemos usar o conceito sequer) são muito bem executadas, criando uma fluidez muito natural. Mais que um híbrido, O.C.S. é uma experimentação sonora. Como que um puzzle, em que os músicos fazem por juntar as peças da forma perfeita. Conseguem-no? Conseguem criar momentos de imenso desespero, por exemplo, ofegantes e sufocantes. A que se assemelha? A Black, Death e Doom Metal. Há, efectivamente, uma carga substancialmente superior de Death Metal, seja nas vocalizações, seja no trabalho de guitarras, mas quando o duo tira o pé do acelerador e se aventura por linhas mais Doom, é aí que as composições ganham força e sentimos a avassaladora força da música. A produção é podre o bastante, permitindo que tenhamos “acesso” aos detalhes, ainda que sintamos aquele que há algo soterrado sob aquela parede de som. Curioso para ver de que forma soa um álbum…

7/10
Daniel Pinheiro

Maudiir – “La Part du Diable”

2021 – Edição de Autor

“La Part du Diable” é é o mais recente trabalho do músico originário do Canadá, Frédéric Bergeron, mais conhecido por F. Após a edição de um single em 2020, ao qual se seguiu um EP (“Le Temps Peste”), o regresso dá-se com este conjunto de 5 temas. 5 temas que têm como base o Thrash Metal, essencialmente aquele de inspiração Norte-americana, ao qual o músico adiciona vocalizações reminiscentes de Black Metal. De referir que, para lá destes Maudiir, o músico faz parte de uma outra banda – Trinity Blast – de Thrash Progressivo, pelo que está explicada a base instrumental de Maudiir… O 2.º tema é, a nível da percurssão, uma aproximação ao Black Metal, mas ainda assim não há uma completa “assimilação” do género. Pessoal das guitarras, este álbum / músico / banda, é para vós! Isto seria um Black Metal Thrash Progressivo. Freaky! No 3.º tema já temos mais Black Metal, mas ainda assim não há uma transição completa. Este trabalho agradará, talvez, ao pessoal do Thrash que também gosta de algum Black Metal (com imensa melodia, maioritariamente). É dar uma oportunidade que pode surpreender.

6/10
Daniel Pinheiro

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