WOM Flash Reviews – Livløst / Hellvetron / Man Daitõrgul / Abigorum / Widower / Kludde / Darchon / Deadspace

Livløst – “Cold Skin”

Downfall Records

Para álbum de estreia, temos que dar o devido mérito aos Livløst, afinal os noruegueses conseguiram fazer andar à nora por causa da primeira faixa “I”, um exprimento em noise de sete minutos e meio. “Será que é a promo errada?”, “será que isto é o género deles?”, “Será que a placa de som está marada?” Seja como fora, é algo que soa desfasado do black metal que a banda apresenta nas seis faixas seguintes. Vertente mais compassada, “Cold Skin” vive sobretudo dos ambientes que consegue estabelecer em faixas com duração acima da média. Tirando a primeira faixa, esta é uma estreia bastante interessante.

Nota 7/10
Review por Fernando Ferreira


Hellvetron – “Trident Of Tartarean Gateways”

Iron Bonehead Productions

Está aqui um trabalho dos diabos. Ou melhor, do diabo. Literalmente. O ambiente criado logo com a abertura “Opening – Queen Of The Void” é gélido – até se ouve o vento e tudo – e cria um forte impacto. Os norte-americanos Hellvetron têm de ser reconhecidos pela forma como conseguem juntar o doom/death metal a uma forte presença de black metal e o seu impacto só não é mais bem conseguido porque infelizmente a produção é algo demasiado crua para que nos consiga impressionar. O reverb é sempre bom para criar a sensação de espaço mas neste caso específico aquilo que temos é a voz (com eco) um pouco mais à frente, seguida pela bateria enquanto as guitarras parece que estão noutro estúdio, a serem transmitidas por telefone ou coisa que o valha. Claro que é um exagero mas nitidamente este é o ponto onde acabamos por encalhar. Principalmente porque temos quase uma hora de música distribuída por nove temas onde alguns são de duração elevada, o que torna algo difícil a atenção não dispersar. Mais uma questão de forma do que de conteúdo.

Nota 6/10
Review por Fernando Ferreira


Man Daitõrgul – “Gosk e’ Vidʒera”

Edição de Autor

De Espanha chega-nos este projecto de Nagh Ħvaëre que apresenta um black metal levemente melódico com algumas surpresas. O início de “Gosk e’ Vidʒera I” traz-nos percussões acústicas que nos interessam mas as mesmas são substituídas pela sonoridade algo caseira (e típica de uns anos atrás) de um black metal compassado. Musicalmente não sendo mau, acaba por ser a forma que nos falha em impressionar em diversos pontos. A bateria tem uma sonoridade pouco atractiva (demasiado artificial), a voz está demasiado à frente na mistura – e o uso de efeitos na mesma acaba por torná-la… caricata – e as guitarras não têm o punch que deveriam ter. No entanto não deixo de enaltecer esta iniciativa. Trata-se de uma espécie de banda sonora, toda a carreira deste projecto, de um livro em que foi criada uma própria linguagem que é aquela que é usada nas letras. No papel é mais interessante do que se tem na realidade, o que é pena, porque há aqui potencial por muito mais. No final deste álbum temos o tema “Kuoleva Lupaus”, uma cover dos Horna que infelizmente sofre dos mesmos problemas de tudo o que ouvimos no álbum. Bom esforço mas encontro por aqui barreiras que impedem de apreciar verdadeiramente este trabalho.

Nota 4/10
Fernando Ferreira


Abigorum – “Exaltatus Mechanism”

Satanath Records

Álbum de estreia deste projecto que une Aleksei Korolyov (o dono da Satanath Records e que também pontua nos projectos Satanath e Taiga), Sandra Batsch e Tino Thiele (dos Trond). Inicialmente era tudo feito por Aleksei, uma verdadeira one-man band, no entanto com a expansão a trio parece haver algo a ganhar. Nunca nos tinham impressionado verdadeiramente mas agora, apesar de não nos deslumbrarem, apresentam algo mais sólido dentro da união do black metal ao doom. Melodias mais marcantes e temas mais cativantes. Estão portanto no bom caminho. Esperamos mais desenvolvimentos.

Nota 6/10
Fernando Ferreira


Widower – “Cataclysmic Sorcery”

Black Market Metal Label

Thraaaaaaaaaash! Mas do negro e blasfemo, essa é a receita para o sucesso dos Widower. A fórmula do black/thrash por agora já está bem mitigada no entanto, quando bem feita tem sempre um excelente impacto, como aqui neste álbum de estreia dos norte-americanos. Curto o suficiente para não enjoar mas longo o suficiente para deixar uma boa marca ainda que seja uma proposta unidimensional de thrash metal bem enegrecido que faz bom uso de dinâmicas. Resultado positivo para este primeiro trabalho, base para continuar a fazer coisas boas, tal como Satanás aprecia.

Nota 8/10
Fernando Ferreira


Kludde – “In De Kwelm”

Consouling Sounds

Onze depois, aqui está o segundo álbum dos Kludde que apresenta a banda algo diferente. Para já, temos que referir que a banda cessou funções em 2009, um ano após o lançamento de álbum de estreia – “In Den Vergetelheid . Depois, da mistura entre o black metal e o sludge aí praticada, com a balança a pender mais para o lado do sludge, a banda recupera o feeling mais black metal, o que resulta numa espécie de black’n’roll bastante interessante. Um bom regresso dos mortos que merece ser conferido. O épico final “De Laatste Reis”, só por si, vale o disco.

Nota 8/10
Fernando Ferreira


Darchon – “Oionos”

Mercenary Music

Por norma, o conceito de black metal lo-fi é algo que consideramos ser parvo. Porquê ter algo que soa mal se pode soar bem? No entanto, e a bem da incoerência, existem muitos trabalhos lo-fi ou pelo menos com uma produção abaixo do que consideramos ser boa, que consideramos serem bons. Como este “Oionos”. Há efectivamente aqui uma atmosfera (ou aura) que nos soa bem. Que cria a atmosfera necessária para o género e para apreciarmos um bom álbum de black metal. A nossa questão é de termos a dúvida se isto tivesse um som melhor – pelo menos mais amplo no seu alcance – se esse mesmo ambiente não era atingido e, talvez, até superado. Um debate com dificuldade de atingir um consenso acima da média. Todavia, este segundo álbum desta one-man band grega não deixa de ter um impacto positivo.

Nota 8/10
Fernando Ferreira


Deadspace – “The Grand Disillusionment”

Edição de Autor

A capa é bem clara em relação ao que os Deadspace fazem. Black metal depressivo mas sem deixar que se embrulhem bem no aspecto depressivo da coisa, porque normalmente isso resulta em álbuns bem aborrecidos. Com garra e uma produção suficiente, não é difícil perceber porque é que eles nos surgem como os “reis do black metal depressivo da Austrália”. Há realmente algo que se destacca nestes dez temas, em relação ao expectável daquilo que o género normalmente nos apresenta. O que até nos faz querer investigar os outros anteriores três álbuns.

Nota 8/10
Fernando Ferreira


 

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