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WOM Reviews – Mad Sin / Cruel Hand / Fucked And Bound / Val Sinestra / Trainwreck / Of Wolves / He Danced Ivy / The Bates

WOM Reviews – Mad Sin / Cruel Hand / Fucked And Bound / Val Sinestra / Trainwreck / Of Wolves / He Danced Ivy / The Bates

Mad Sin – “Unbreakable”

2020 – Century Media Records

Os Mad Sin estão de volta e com um álbum que é também um testamento forte para a sua carreira. Apesar do psychobilly não ser um estilo que me passe muitas vezes pelas mãos, quando passa é de arromba – o contrabaixo exerce um forte poder hipnótico.. Os Mad Sin são uma das instuições do género na Alemanha e aqui provam bem porquê. Humor mordaz, melodias que são épicas e músicas memoráveis. E tudo num álbum variado que sem uso de gimmicks (quem achar que a sonoridade é estranha para uma banda punk, é porque não sabe o que é rockabilly e psychobilly). Os saltos constantes entre o as várias vertentes mas mantendo sempre a mesma identidade é aquilo que faz que este seja um álbum que é uma diversão ouvir do início ao fim, a garantir as movimentações no circle pit caseiro.

8/10
Fernando Ferreira

Cruel Hand – “Dark Side Of The Cage”

2021 – Dead Serious

O título é fantástico, muito representativo dos tempos em que vivemos e também perfeito para ilustrar a raiva que os Cruel Hand têm dentro de si pronta a esalhar cá para fora. Musicalmente tão (surpreendentemente) melódicos como agressivos, é o equilíbrio perfeito entre o hardcore e o crossover e com aptidão para fazer temas bem orelhudos. São quatro temas que não chegam para matar a fome que eles próprios provocam. Nada como dar mais umas quantas voltinhas.

8.5/10
Fernando Ferreira

Fucked And Bound – “Suffrage”

2018 / 2020 – Quiet Panic

“Suffrage” é uma daquelas pedradas no charco às quais não se consegue ficar indiferente. Pelo menos não por muito tempo. Aqui temos uma nova capa mas a mesma pujança sonora, crua e agressiva, como se estivesse a acumular dentro de si anos e anos de agressão apenas para agora chegar a um ponto de ruptura e que vai tudo à frente. Dinâmico e poderoso, “Suffrage” ainda só tem dois aninhos mas cheira-nos que será tão poderoso daqui a vinte anos como é agora e como foi no dia do seu lançamento. E claro, que se é para reeditar, faz todo o sentido que seja agora em 2020.

9/10
Fernando Ferreira

Val Sinestra – “Zerlegung”

2020 – This Charming Man Records

Apesar de nos serem apresentados como uma banda de punk/hardcore de Berlin, há por aqui muito mais do que “apenas” isto. Essa irreverência está sem dúvida presente – nuns temas mais do que outros (como “Nein”) mas há um espírito mais alternativo e até noise rock que se insurge ao longo de “Zerlung”. O ponto onde se nota que a sua música é pouco usual mas bastante efectiva é quando nos apercebemos de que nem nos interessa aprofundar muito a questão. Confesso que as letras em alemão nem sempre são apelativas aos ouvidos mas até isso resulta por aqui. Extremamente catchy, de uma forma pouco usual, “Zerlung” é uma das boas surpresas de 2020” da música punk onde se prova que até aqui pode haver alternativa.

8/10
Fernando Ferreira

Trainwreck – “Trainwreck”

2020 – Discos Caveira

Bomba punk. Daquelas viciantes e também incrivelmente curtas. Cinco temas que não chegam a cinco minutos mas que se vão multiplicando pelas constantes audições. É sem dúvida um grande vício do qual não se quer largar. Daqueles que fazem bem ao corpo, mente e espírito. Sem grandes tretas, apenas rock and roll a rasgar. Perde-se a conta às vezes que já ouvi estes temas, de forma compulsiva, e não enjoam, haverá melhor prova de qualidade?

8.5/10
Fernando Ferreira

Of Wolves – “Balance”

2020 – Trepanation Recordings

Adoro discos inconformados. Mesmo sem terem essa intenção. Discos que nos apontam para várias direcções, não por ser porreiro confundir e arreliar o pessoal mas por ser essa a sua verdadeira natureza. Algo que “Balance” tem com fartura. Não é exagero a descrição no comunicado de imprensa que junta no mesmo prato nomes como punk, metal, hardcore, stoner, sludge. Hardcore talvez seja mesmo aquele que mais se eleva, nos meus ouvidos, no final da equação. Mas hardcore com um groove gingão (aquele mesmo à lá stoner/sludge) que impele ao movimento. “Balance” é cheio de momentos mágicos e surpreendentes. Pelo momento quase místico e transcendente de “Jesus Jihad”, o épico tema-título e “Clear Cutting Bloodshed Heart To Hand” ou a mais (aparentemente) tradicional “Killing Spree”. Longe de ser um disco típico, é sem dúvida um que nos consegue fazer encetar uma viagem bem variada.

8.5/10 
Fernando Ferreira

He Danced Ivy – “Optimistic Cynic”

2018 – Edição de Autor

O nome é daqueles estranhos que não se percebe o sentido mas que é catchy e fica na cabeça. A música não é assim tão misteriosa mas tem o mesmo resultado final. Este EP vai juntar ao punk e hardcore mais melódico uma aura pop – calma pessoal, podem largar as forquilhas – que se enquadra bem. Por muito que não se queira, os dias de sucesso do rock (com muitas honrosas ecepções) já passaram há muito e é esta mistura híbrida que junta melodia, peso e emoção que tem mais efeito junto às camadas mais jovens. Não fazendo juízos pessoais de valor nem indo para os meus gostos pessoais, é fácil perceber o porquê do sucesso. E também de bandas como os He Danced Ivy serem potenciais portas de entrada para sons mais pesados. A qualidade é evidente.

8/10
Fernando Ferreira

The Bates – “Unfucked Live”

2020 – Glitterhouse Records

Os The Bates são um dos nomes grandes do punk alemão. Confesso que da cena alemã, o nome que me é mais reconhecível é mesmo o dos Die Toten Hosen. O facto de estes serem outro dos nomes grandes da cena dá-me curiosidade acrescida para ouvir este álbum ao vivo. Começa de uma forma estranha, com uma longo intro de uma mulher a dizer algo em alemão que… pronto, não percebo a razão de ser aqui, mas deverá fazer o seu sentido. Mais sentido faz mesmo é a música. Estas gravações foram captadas em 1992 e evidenciam a banda no seu auge. A gravação é perfeita para o estilo, crua e capta todo o poder da banda e também a sua versatilidade, conseguindo saltar a barreira do punk e chegar até aqueles que gostam de coisas mais rock.

8/10
Fernando Ferreira

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