WOM Reviews – Many Blessings / The Ruins / Dee Calhoun / Svin / Phil Stiles / Casa Loma / Mosaic / Nobody

WOM Reviews - Many Blessings / The Ruins / Dee Calhoun / Svin / Phil Stiles / Casa Loma / Mosaic / Nobody

Osi And The Jupiter – “Appalachia”

2020 – Translation Loss Records

Este não é um álbum fácil de ouvir. Aliás, nesse ponto, esste é um dos trabalhos mais difíceis de analisar. Por um lado, a sua qualidade fala logo mais alto – aliás, logo nas primeiras audições. Por outro, é tão hermético e tão minimalista que torna difícil abordar a sua análise como fazemos normalmente. A música é para nos fazer sentir emoções mas existem emoções que por vezes são bem complicadas de sentir. A banda sonora perfeita para um pesadelo (ou uma sucessão deles) é a melhor descrição que lhe poderiamos fazer.

8.5/10
Fernando Ferreira

The Ruins – “Creature”

2020 – Edição De Autor

Suave. Contra mim falo, porque nunca dispenso a música extrema na minha vida mas em tempos em que o extremismo fora da música começa a meter nojo, começa-se a dar mais valor à música que nos fazem parar um bocado para relaxar – pedir para pensar numa altura em que todos parecem demasiado excitados para tal tarefa se calhar já é demasiado. “Creature” tem esse dom, com um rock alternativo que nos faz cantar e emocionar, como se fosse a banda sonora de um filme (o filme da nossa vida) a que só nós é que conhecemos apesar de imaginarmos a cantá-la com uma multidão de amigos ( aqueles que não temos). As ruínas são dinâmicas e vão do folk ao alternativo, sem nunca deixar presente a distorção das guitarras – porque isto do suave também não quer dizer que não seja distorcido – e a criatura que resulta delas embala-nas sem qualquer tipo de dificuldade. Estava mesmo a precisar.

8.5/10
Fernando Ferreira

Dee Calhoun – “Godless”

2020 – Argonauta Records

Trabalho a solo de Dee Calhoun, mais conhecido como Screaming Mad Dee dos Spiral Grave e After Therapy e outros projectos ainda. Inserindo-se dentro do doom metal, era com curiosidade que pegámos neste “Godless” que nos mostra uma faceta mais despida, mais southern rock (acústico) e até em certos momentos, neo-folk. De uma forma distorcida. Sendo “apenas” um álbum acústico, o interesse dos fãs mais acérrimos da distorção poderá ser diminuto, mas há por aqui muita alma que sobrevive de forma exemplar a várias audições. Há apenas a questão de que se trata de um trabalho enorme – treze faixas em mais de uma hora de música – e que teria mais impacto se fosse mais conciso ou até dividido em dois volumes, com mais temas para ficar a conta certa para cada lado.

7.5/10
Fernando Ferreira

Svin – “Virgin Cuts”

2018 – Mom Eat Dad Records

Já lá vai bastante tempo mas nunca é tarde para pegar em música experimental que nos dá volta ao miolo. Música experimental, muito sentida (bem mais do que pensada), “Virgin Cuts” é desconfortável mas também rebelde na forma como se insurge perante as nossas expectativas. Para os amantes de música electrónica e experimental, este disco não terá sido uma má aposta.

7/10
Fernando Ferreira

Phil Stiles – “The Anchorite”

2020 – Epictronic Records

Phil Stiles poderá ser um nome misterioso para os nossos leitores, mas se referimos Final Coil talvez já lhes diga algo. O vocalista da banda progressiva britânica apresenta agora a sua estreia a solo, uma estreia que se move mais pelos campos do chillout e até industrial, que resulta de forma bastante eficaz. Inesperadamente eficaz. Ao ponto de pensarmos que um álbum seria bem recebido. Confesso que são os momentos chillout que resultam melhor do que os de industrial (como “Antipathy”) mas é um bom EP de estreia.

6.5/10
Fernando Ferreira

Casa Loma – “This Is Coping”

2020 – Pure Noise Records 

Trabalho a solo de Nik Bruzzese dos Man Overboard que é bastante refrescante apesar de ser um trabalho que se insere mas na vertente folk/pop, bem descontraída e bem relaxante, sendo um contraste bastante interessante daquilo que os Man Overboard fazem. Não sendo propriamente memorável, é agradável o suficiente para conferir com umas audições. Destaque para a capa que nos traz uma foto-montagem manhosa e que junto com o título, é uma poderosa mensagem emrelação à originalidade. Ou falta dela.

6.5/10 
Fernando Ferreira

Mosaic – “Harvest: Songs Of Autumnal Landscapes And Melancholy”

2020 – Eisenwald

Não é um trabalho novo dos Mosaic. É antes um lançamento que comemora os quinze anos da banda e que reedita em parte metade do lançamento de 2015, “Harvest | The Waterhorse”, compsoto por mais algumas raridades, ambientais e afins, com apenas a duas faixas a apresentar o bom e velho black metal pagão, retiradas de outros Eps e splits. É um lançamento sobretudo para fãs mas que que não tenham apanhado já referido lançamento atrás indicado, já que não acrescenta muito mais.

6/10
Fernando Ferreira

Nobody – “Atmosfear”

2020 – Inverse Records

Depois da estreia no início do ano, os Nobody estão de volta e os problemas encontrados na altura são basicamente o que encontramos agora. Boas ideias em termos instrumentais, com bons apontamentos mas depois a aquela voz arranhada à lá black metal acaba por estragar tudo.  E esse espectro, já presente no álbum de estreia, torna complicada a audição. Fica-se sempre a questionar se o que estamos a ouvir é ou não para levar a sério ou não. Por esta altura já se perceber que é mesmo assim e deste registo não há previsão de passarem.

4/10
Fernando Ferreira

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