WOM Reviews – Maybeshewill / Sleepmakeswaves / Plastic Woods / Vandemonian

WOM Reviews – Maybeshewill / Sleepmakeswaves / Plastic Woods / Vandemonian

Maybeshewill – “No Feeling Is Final”

2021 – The Robot Needs Home Collective / Wax Bodega / New Noise / Bird’s Robe

Dá ideia que não houve o mínimo de esforço e cuidado com esta capa, não é verdade? Nem nome, nem título de álbum, toma lá uma foto de uma paisagem (bem, bonita) e está bom. E até se percebe. Quando se tem música tão grandiosa como aquela que se pode ouvir aqui, nem é preciso perder mais tempo com o quer que seja. O som é grandioso e cinematográfico, como quase sempre se deseja no pós-rock e aquilo que nos dá é uma autêntica viagem memorável por uma série de tapeçarias sonoras, uma viagem que vamos querer repetir muitas mais vezes no seguro. É grandioso este trabalho, de uma forma quase insuperável. Estão aqui todos os defeitos e pontos fortes do pós-rock como estilo e também a conclusão de que os pontos fortes ofuscam por completo quaisquer que sejam os seus defeitos.

9/10
Fernando Ferreira

Sleepmakeswaves – “Live At The Metro”

2021 – Bird’s Robe

Esta é definitivamente uma altura em que ficamos todos enjoados de álbuns ao vivo. Principalmente dos álbuns ao “vivo”, ou seja, que são registados em eventos de stream. Nada contra – todos temos que fazer o que se puder para sobreviver e é um produto tão válido como outro qualquer – é apenas o número de oferta ser desenquadrado com a procura ou sequer com o interesse. Neste caso a opção é outra, é ir buscar aos arquivos um concerto de 2015. O interesse neste caso poderia ser reduzido, afinal já passaram quase sete anos, no entanto este concerto foi mesmo especial. A banda estava em pico de forma, a recepção calorosa do público é bem sentida (algo que torna bem especial um concerto, não é? Algo que damos mais valor agora que nunca) e como um todo este é mesmo um momento no tempo que merece ser guardado.

9/10
Fernando Ferreira

Plastic Woods – “Dragonfruit”

2021 – Spinda

Plastic Woods, nuestros hermaños da Andaluzia, têm aqui em “Dragonfruit” um daqueles álbuns mutantes e esquizofrénicos. No melhor dos sentidos, apesar do que possa parecer. E porquê? Porque consegue apresentar um conjunto coeso de canções e mesmo assim navegar de pontos tão distantes como do rock progressivo seja numa vertente Jethro Tull ou Renaissance para algo já a beirar o stoner/doom, com a quase sempre presente piscadela à psicadelia e passagens por jazz e flamengo. Parece uma grande misturada? E é, se formos analisar faixa a faixa, mas na apreciação de “Dragonfruit” como álbum, não é algo que se sinta, pela maneira como flui. Um álbum sensibilidades à antiga mas que sabe tão bem apreciar nos dias de hoje, principalmente no contexto mais descartável que a música moderna tem.

8.5/10
Fernando Ferreira

Vandemonian – “Xenophilia”

2021 – Edição de Autor

A premissa para este álbum é de que se trata de um álbum turbulento para tempos turbulentos. Eu particularmente discordo, já que apesar do mundo estar a ir para as couves a passos largos – e por mundo refiro-me principalmente às sociedades ditas civilizadas – este “Xenophilia” consegue oferecer um, ou vários até, raio de esperança e luz. É fácil nos perdermos na música deste álbum, tal como esperado para qualquer álbum de pós-rock, mas a parte surpreendente é a forma como nos é apresentado sem recorrer aos lugares comuns – que na maior parte das vezes são inevitáveis, neste género. A razão estará provavelmente na fusão com uma sensibilidade prog que nunca está, na minha opinião, longe do pós-rock mas como sempre é a música emocional que fala mais alto e é ela que nos fica gravada no coração tão facilmente. O álbum foi gravado e misturado pelo guitarrista Nick Braren no seu estúdio Upaya Sound https://upayasound.com

8.5/10
Fernando Ferreira

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