WOM Reviews – Nervosa / Booby Trap / Pitch Black / Buried Alive / Gama Bomb / Cryptic Shift / Furious Trauma / Goat Tyrant / Angriff / Shaark

WOM Reviews - Nervosa / Booby Trap / Pitch Black / Buried Alive / Gama Bomb / Cryptic Shift / Furious Trauma / Goat Tyrant / Angriff / Shaark

Nervosa – “Perpetual Chaos”

2020 – Napalm Records

O regresso tão aguardado das Nervosa, após uma cisão que poderia muito bem ter significado o fim da banda. Prika foi a única que se manteve e podemos dizer que com três caras novas, não há muito a mudar – portanto os mais preocupados poderão respirar de alívio. O death/thrash da banda continua bem potente e Diva Satanica acaba por dominar as atenções com aquela entrega demolidora que já se esperava dela. Schmier dos Destruction apadrinha o regresso (com “Genocidal Command”) num álbum que, arrisco a dizer, não seria muito diferente com o alinhamento anterior. Esta é a identidade da banda, e por muito que exista espaço para contribuições individuais – que acredito que haja – o som vai ser sempre este. E ainda bem. Haja alguma coisa neste mundo que não vá pelo cano abaixo.

9/10
Fernando Ferreira

Booby Trap / Pitch Black / Buried Alive – “Bastards United”

2020 – Firecum Records

Excelente ideia. Excelente, excelente! Este foi o meu nível de excitação ao saber da existência deste three-way split que junta três nomes míticos da nossa cena sendo que Booby Trap são aqueles que mais activos têm andado nos últimos tempos. É precisamente por eles que começamos, com altos níveis de intensidade onde o seu crossover surge mais acutilante que nunca, onde incluem uma cover para “Dead Cities” dos The Exploited. Quanto aos Pitch Black havia muita curiosidade da minha parte, afinal a banda tem estado sem mostrar som novo desde 2009. Sendo uma das referências para a nova vaga de thrash metal no início do século e conseguindo construir uma reputação invejável em cima dos palcos, os Pitch Black têm sido assolados por problemas de entrada e saída de membros mas que agora estão de volta e também em excelente forma. A produção não tem aquele estalo que se desejava, mas estes malhões batem como se não houvesse amanhã – cover dos Dove incluída, “Innocent Birth”. E se houver, estaremos todos um bocado doridos. A fúria thrash dos Pitch Black está de volta e ainda bem. Last but not least, outro exemplo do thrash do norte de Portugal, Buried Alive que quebram um jejum menor de cinco anos e regressam com aquela potência que lhes é característica, não desiludindo perante a excelência que foi antecedida. São quase setenta minutos de thraaaaaaaaaash lusitano ao mais alto nível.

9/10
Fernando Ferreira

Gama Bomb – “Sea Savage”

2020 – Prosthetic Records

A boa diversão dos Gama Bomb está de volta. Eu sei que passaram apenas dois anos – há ausências que são maiores mas custam menos – mas este é tipo de produto que precisamos estar a correr no nosso sistema com alguma frequência. Tudo bem que o impacto da banda ao vivo não se pode comparar com aquele que tem em disco, mas ainda assim, o facto de termos mais uma série de temas onde a diversão thraaaaaaaash é sem dúvida um dos grandes atractivos. Como não poderia deixar de ser, continuamos a ter as referências cinematográficas e o bom humor (“Miami Supercops”, esse clássico com Bud Spencer e Terence Hill e “She’s Not My Mother, Todd”, referência a “T2”). Tudo junto, thrash metal daquele que precisamos de ouvir, para fazer exercício, para rir, para saltar e para partir merdas. Serviço público, basicamente.

9/10
Fernando Ferreira

Cryptic Shift – “Visitations From Enceladus”

2020 – Blood Harvest

Apesar de já ter muitos lançamentos na sua discografia, “Visitations From Enceladus” é a estreia oficial nos álbuns dos britânicos Cryptic Shift e podemos dizer que é uma estreia muito interessante. Mais que interessante, é especial. Primeiro tenho que dizer que antes de começar a ouvir ou procurar informações sobre este lançamento, pensava que fosse mais um EP, pelo simples facto de ser composto por apenas quatro temas. Pois bem, fui bem enganado. O ambiente sci-fi remete-nos para dois nomes, Voivod e Vektor e a cacofonia gerada em alguns momentos parece que é o mesmo efeito de termos os dois a tocar ao mesmo tempo, de forma mais ou menos harmoniosa. Sim é um caos controlado ao qual não podemos fazer mais do que assistir. O início com o épico de vinte e cinco minutos é o suficiente para nos deixar presos. Tanto que os três tema seguintes são quase encarados como faixas bónus. É um álbum surpreendente com uma espécie de death/thrash técnico que não é fácil de absorver e não será para todos. Mas para quem procura será certamente uma das revelações de 2020.

8.5/10
Fernando Ferreira

Furious Trauma – “Decade At War”

2020 – Massacre Records

Regresso desta banda dinamarquesa quando tal já não era propriamente expectável. “Roll The Dice” foi editado há mais de vinte anos e a banda viria a cessar funções em 2003. Voltaram com este quarto álbum e o que é que devemos esperar deles? Uma espécie de death thrash de extremo bom gosto onde o tempo parece que não passou. Para bem e para o mal, mas neste caso, o mal não nos assiste. Ou seja, para mim esta vertente mais tradicional que surge aqui não é um problema de todo. É até muito bem vinda, fazendo com que o peso mais perto do death metal traga o melhor de ambos os mundos. Sem ser esperado, este é um álbum que surpreende pela positiva. Como bónus temos ainda duas regravações dos temas “Born Of The Flag” (do primeiro álbum “Primal Touch”) e “Chaos Within (do “Eclipse”).

8/10
Fernando Ferreira

Goat Tyrant – “Into The Greater Chasm”

2020 – Fallen Temple

Depois de algum tempo de ausência, os polacos Goat Tyrant regressam, finalmente, com o seu álbum de estreia. A sonoridade mantém-se inalterada, com um black/thrash/death metal próprio das sonoridades primitivas do metal extremo. Tem um toque de classe com alguns leads bem inspirados e que nos transportam para o underground pulsante, onde tudo era novo e a cada demo, EP, álbum lançado, novas fronteiras eram trepassadas. Claro que isso aqui não acontece, mas consegue capturar igualmente esse entusiasmo e o poder que esse ambiente tinha. Boa estreia.

7.5/10 
Fernando Ferreira

Angriff – “Sodomy In The Convent”

2021 – Firecum Records

O regresso de uma banda nacional às actividades é sempre de salutar, principalmente quando essa banda era uma das boas representações da thrash metal. O regresso foi o ano passado e e foi mesmo para gravar este álbum – normalmente começa-se por uns concertos para abrir o gosto à coisa mas tendo em conta o ano que foi 2020, faz todo o sentido que a ausência de concertos tenha motivado este álbum. Primeiro destaque, os Angriff em 2021 são um duo. Segundo, a sonoridade está muito… formatada. Apesar de José Rocha (sim, esse mesmo, do Mangualde Hard Fest Mangualde) tocar na bateria (mais baixo e guitarra ritmo), a mesma, devido ao seu demasiado mecanizado, acaba por trazer um feeling demasiado digital. Será uma questão de gosto pessoal. Já nas músicas propriamente ditas, temos uma abordagem directa e sem grandes tretas e com algumas surpresas nos solos (“No Saviours No Gods” tem solo de Chris Holmes [ex-W.A.S.P.] e as “Acolytes Of Hardship” e o tema-título de António Baptista [ex-membro da banda e agora nos Basalto]. Desde a intro “The Bishop” a lembrar S.O.D. até à final “Farewell”, este é um trabalho que sacrifica a dinâmica ao poder mas que não deixa de ser interessante e agradar aqueles que já não esperavam, como eu, que a banda lançasse alguma coisa.

6.5/10
Fernando Ferreira

Shaark – “Deathonation”

2020 – Slovak Metal Army

Da República Checa chegam os Shaark, donos de uma sonoridade que anda entre o death e o thrash metal como uma bola de ping ping. É uma abordagem que é algo datada que não consegue impressionar para os patamares de qualidade que temos hoje em dia, mas ainda assim consegue trazer alguns momentos de diversão metálica. São esses que apreciamos. Onde se inclui uma surpreendentemente fiel versão ao original da “Speed King” dos Deep Purple.

6/10
Fernando Ferreira

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