WOM Reviews – Osi And The Jupiter / Wino / Action & Tension & Space / Turkey Vulture / Charlie Barnes / Throneum / Illuminated Manuscripts / Quilmoloncm

WOM Reviews - Osi And The Jupiter / Wino / Action & Tension & Space / Turkey Vulture / Charlie Barnes / Throneum / Illuminated Manuscripts / Quilmoloncm

Osi And The Jupiter – “Appalachia”

2020 – Einsenwald

Não demorou muito tempo até que os Osi And The Jupiter nos voltassem a brindar com nova música. E que nova música aprsentam. Apesar de ser apenas um EP de três faixas, os níveis de assombração com que nos brindam aqui são astronómicos. Folk místico tal como a capa e o próprio título sugere, onde não deixa de estar presente aquele feeling norte-americano que nos foi incutido nos filmes e que acabamos por sentir como nosso. Arrepiante e sem dúvida um dos grandes Eps de 2020.

9/10
Fernando Ferreira

Wino – “Forever Gone”

2020 – Ripple Music

Devo dizer que não esperava um álbum assim. “Wino” Weinrich é um dos nomes de referência do doom metal tradicional e apesar do seu segundo álbum ter sido um álbum acústico, lançado dez anos atrás, “Forever Gone” é assombroso pela forma como se apresenta despido de pretensões e como a voz assume proporções nunca antes atingidas – sempre aberto à discussão, mas é o que temas como “No Wrong” nos faz sentir, de forma honesta, mesmo que seja uma sensação errada. Apesar de não ser propriamente folk, há ago aqui em como Wino vai buscar as tradições antigas de contar histórias, que estão na base do folk, algo que não se disvirtua pela presença da bateria e baixo ou da guitarra em certos temas. Para os fãs e até mesmo para aqueles que não são fás, recomendado. Vai mudar a vossa maneira de ver o músico norte-americano.

9/10
Fernando Ferreira

Action & Tension & Space – “Explosive Meditations”

2019 – Kapitän Platte

Esta altura, em que estamos confinados em casa e a derreter lentamente, poderá não ser a melhor para embarcar em meditações explosivas. É porque são mesmo explosivas. Deveneios instrumentais que nos fazem largar as réstias da pouca racionalidade que ainda conseguimos manter. E é tão tentador embarcar nesta viagem. Três faixas, quarenta minutos, uma viagem do caraças. Que se lixe, porque não, o que temos a perder? Qualquer coisa fora disto deve ser melhor, não? Para mergulhar e ir ao fundo sem olhar para trás.

8.5/10
Fernando Ferreira

Turkey Vulture – “Time To Pay”

2020 – Edição de Autor

O início à laia de violoncelo faz-nos pensar em folk pirata – provavelmente o estilo mais estranho que o metal encarregou-se de criar, mas vocês percebem – mas a sonoridade dos Turkey Vulture está longe de ser assim tão… convencional, como alguns se poderão lembrar. A sonoridade é crua – parece-nos que reduzida a voz, bateria e baixo (ainda que por vezes nos pareça termos mais do que uma pista do instrumento), portanto bastante minimal. A voz por vezes é mais áspera, outras limpa e o feeling oscila entre o celtic punk e o psychobilly. É estranho, mas nem por isso mau. Quer é mais.

8/10
Fernando Ferreira

Charlie Barnes – “Last Night’s Glitter”

2020 – Superball Music

Este álbum teve um efeito poderosissimo em mim. E não o digo de forma desrespeitosa ou sequer irónica, mas a voz de Charlie Barnes, nestes temas onde a guitarra acústica é quem nos comanda os destinos de forma tão suave, fez com que tivesse uma instrospecção violenta que me indicou o quanto estava cansado. Isto andar a fazer reviews e a ouvir constantemente gajos e gajas aos berros engana e faz-nos pensar que somos alguns deuses imortais à solta atrás dos nossos arquinimigos, quando tudo o que somos realmente é uns corações moles que precisamos de algumas lullabys para dormir uma sesta – isto porque também está um calor enorme, superior ao que se espera no Inferno, ou Santarém, conforme o distrito onde se encontrem. Melodias que nos embalam e apaixonam. Não deixam rendido o lado metálico mas fazem-nos sentir uma paz que precisamos de sentir. Como aquela a seguir a levar com um barrote na tola (e até despertarmos).

7/10
Fernando Ferreira

Throneum – “Oh Death… Oh Death… Determinate, Preach and Lead Us Astray…”

2020 – Godz Ov War Productions

Isto é esquisito. Bem esquisito. E os Throneum já têm uma carreira bem longa – pelo que vou presumir que toda esta esquisitice não tenha surgido aqui por acaso, caída dos seus aos trambolhões. Death metal blasfemo e bem esquisito com aquelas ambiências claustrofóbicas do black metal. Há esquisitices que nos cativam, pela estranheza e neste caso, após diversas audições, ficamos na dúvida. É desagradável e inquietante e mesmo assim não conseguimos deixar de ouvir. Já é alguma indicação, não é? Para quem gosta de música desconfortável e desafiante como alguns dos trabalhos dos Bethlehem em início da carreira, este álbum é bem recomendado.

6.5/10 
Fernando Ferreira

Illuminated Manuscripts / Quilmoloncm – “Split”

2020 – Xenoglossy Productions

Proposta bem incomum que junta dois projectos também eles, bem incomuns. Este Split é baseado no conto de Jorge Luís Borges “Tlön, Uqbar, Orbis Tertius”, com um conceito bastante interessante e filosófico acerca da forma como a realidade deve ou não ser percepcionada. Cada um dos projectos pegou num do aspectos do conto enquanto musicalmente, aquilo que temos é, em ambos os casos, algo dentro do doom/sludge cavernoso e experimental com uma pitada de drone à mistura. A parte curiosa é que não existe grande diferença entre as duas abordagens, conseguindo mais do que tornar o lançamento coeso, tornando-o quase como apenas duas faces da mesma moeda. A diferença acaba por estar no minimalismo dos Quiloloncm onde o baixo tem grande preponderância. Apesar de todo o potencial, o resultado final fica mais válido pelo factor experimental do que propriamente pela eficácia.

6/10
Fernando Ferreira

The Neverly Boys – “Dark Side Of Everything”

2020 – Alchemy Recordings

Sem expectativas, já disse que essa é a forma como muitas vezes encaro a música, mas isso também não é algo que garanta imunidade. Neste caso dos The Neverly Boys até conseguiu-se quebrar essa quebra não oficial com o primeiro tema “Burn Hollywood”, com um feeling a puxar ao folk e com as letras a terem um bom impacto. Infelizmente o que veio de seguida não esteve à altura nem das expectativas nem daquilo que é esse tema. Rock/pop um bocado inconsequente como aquilo que se houve na rádio. Confesso e admito que alguns temas são agradáveis mas no geral este é um trabalho que não tenho vontade de pegar novamente e que nem posso recomendar. Curiosamente, a última faixa é uma das melhores. Começa e acaba bem, o pior é mesmo o entulho no meio.

4/10
Fernando Ferreira

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