WOM Reviews – Paranorm / Apokrisis / Chaosfear / Stealth

WOM Reviews - Paranorm, Apokrisis, Chaosfear, Stealth

Paranorm – “Empyrean”

2021 – Redefining Darkness Records

Thraaaaaaaash! Ou deaaaath thraaaash proooog! Pronto, não é tão sonante mas o entusiasmo é o mesmo. Os suecos Paranorm já andam por cá há mais de uma década mas só agora chegam a este álbum de estreia. Um álbum que soa essencialmente clássico sem ser retro. Produção sólida e orgânica, a voz com uma espéscie de rosnar gutural a fazer lembrar em parte o Jeff Walker de Carcass, uma secção rítmica desenvolta com as guitarras a serem bem intrincadas e complexas mas sem aborrecer – um problema que algum do thrash metal técnico apresentava de vez em quando. É um álbum ambicioso por apresentar quase uma hora de música em apenas oito temas mas essa ambição recompensa. Tanto a banda como os ouvintes que gostam deste tipo de coisa. Sem dúvida uma das grandes estreias do ano no estilo.

9/10
Fernando Ferreira

Apokrisis – “Misanthropy”

2020 – Edição De Autor

2020 foi um ano péssimo para a música e para muitos dos seus agentes, mas também foi um ano em que vimos muitas bandas a aparecer. Os Apokrisis são um dos exemplos brasileiros. Um dos bons exemplos brasileiros, com um álbum de death/thrash moderno e poderoso mas também orgânico q.b. “Misanthropy” é ambicioso na forma em que tenta (e consegue na maior parte das vezes) ir para além do básico e daquilo que é expectável perante algo deste género. Nota-se um potencial existente mas também um percurso que é necessário percorrer. Alguma complexidade nos seus temas líricos e também na sua música faz com que não sejam vistos como mais uns. Não, há por aqui muita coisa boa a acontecer. Boa estreia.

8/10
Fernando Ferreira

Chaosfear – “Inside The Extreme World”

2004 – Edição de Autor

Estreia dos Chaosfear. A banda brasileira apresentou em 2004 esta demo de cinco temas que já evidenciava uma qualidade bem acima da média. Inserindo-se na vertente mais groove, onde o thrash ia buscar a agressividade ao death e ao hardcore (principalmente na voz). Engraçado ver como, apesar de já terem quase passado duas décadas, estes temas não perderam em nada a vitalidade.

7.5/10
Fernando Ferreira

Chaosfear – “One Step Behind Anger”

2006 – Old School Metal Records

No álbum de estreia os Chaosfear não só pegam nas boas indicações deixadas pela demo de 2004, como ainda mostram que são capazes de evoluir. Apesar de continuar o caminho entre a fusão com o death metal e o hardcore, curiosamente os temas reúnem algumas sonoridades e influências mais tradicionais que soam refrescantes. Bons solos de guitarra e, principalmente, bons leads, alguns mesmo ali a lembrar death metal, algo que resulta bastante bem neste conceito. Excelente estreia, capaz de prender e tornar qualquer céptico fã. Claro que para isso já tem de haver a semente do thrash plantada mas se não houver, poderá muito bem começar aqui essa bela relação.

8/10
Fernando Ferreira

Chaosfear – “Image Of Disorder”

2008 – Voice Music

Ao segundo álbum dos Chaosfear é possível notar uma evolução, bem sentida. Temos o mesmo teor violento, o mesmo grau de eficácia nos riffs e melodias escolhidas mas depois temos um teor melódico bem contundente. Principalmente nalguns refrões, onde as melodias surgem e já não saem – o tema-título é um excelente exemplo dessa eficácia. Igualmente bom mas com mais pontos de dinâmica em relação à estreia. No geral um álbum que também é obrigatório conhecer da banda brasileira.

8.5/10
Fernando Ferreira

Chaosfear – “Legacy Of Chaos”

2012 – Edição de Autor

Quatro anos de silêncio até chegar este EP que não matou grandes saudades dos brasileiros Chaosfear, já que apresenta apenas três temas. Três bons temas mas que não são o suficiente para verificar em que estado a banda se encontra criativamente. Sem serem maus, também parecem algo distantes do nível a que a banda tinha chegado em “Image Of Disorder”, indo pelos caminhos mais imediatos do groove, sendo que apenas o tema “When The Sky Turns Red” se revela verdadeiramente fantástico, conseguindo ascender da mediania – bom destaque para os solos, todavia.

6.5/10 
Fernando Ferreira

Chaosfear – “Be Light In Dark Days”

2020 – Edição de Autor

Novo longo silêncio editorial dos Chaosfear, que após o EP “Legacy Of Chaos” em 2012 apenas lançaram uma série de singles que não foram propriamente esclarecedores em relação ao que se poderia esperar da banda. “Be Light In Dark Days” é o terceiro álbum e pode-se dizer que reune um pouco de tudo aquilo que a banda já fez – aquela mistura entre a vertente mais tradicional do thrash e do death metal em conjugação com algum espírito hardcore. A diferença aqui é que vemos a banda a aventurar-se por melodias que não estariam desfasadas de um disco dos Soilwork, por exemplo. Mais modernos mais melódicos mas a não conseguir fazer esquecer o passado. Não  sendo mau, também não tem aquele impacto forte que os dois outros álbuns tiveram. Há ainda sumo para retirar daqui, resta saber o que virá de seguida.

6.5/10
Fernando Ferreira

Stealth – “Live For Your Faith”

2020 – Edição de Autor

Apesar do rótulo “heavy metal” no comunicado de imprensa, a capa apontava mais para algo mais moderno e não propriamente tradicional como heavy metal. Na realidade os italianos Stealth têm neste o seu primeiro álbum ao vivo uma sonoridade mais próxima de coisas groove do que heavy metal. É, como já disse, um álbum ao vivo, algo que se espera por parte de uma banda que já conseguiu recolher algum sucesso. Como é o primeiro contacto com a banda, esperava algo forte e que me levasse a querer conferir outros trabalhos – o que não aconteceu. Este é a versão ao vivo do terceiro álbum da banda lançado em 2014, “Fight For Your Faith”, registado nos vários concertos que a banda deu ao longo da digressão de promoção a esse mesmo trabalho. Até aqui tudo bem. O pior é termos diferenças de som que fazem com que ouvir este trabalho como um todo seja uma tarefa ingrata. Nem enaltece os temas/álbum onde se baseia. É o típico caso não é tanto o conteúdo mas a forma como é apresentado. Uma forma que não faz ter interesse pelo conteúdo, que até tem potencial.

4/10
Fernando Ferreira

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