Review

WOM Reviews – Septicflesh / Helsótt / Caelus / Esperfall

Septicflesh – “Modern Primitive”

2022 – Nuclear Blast

Poderá parecer estranho e até polémico mas não tinha grandes expectativas para este trabalho. Não que tenha desgostado dos últimos trabalhos, muito pelo contrário. Mas por ter a sensação de que a banda estaria a encurralar-se estilisticamente na sua identidade musical, onde a brutalidade musical continuava a escalar, sempre acompanhada com as sumptuosas orquestrações, criando um som cada vez mais esmagador e até sufocante e que parecia que dificilmente teria algo mais a apresentar. Não sei se foi algo que os irmãos Antoniou sentiram na hora de trazer para a luz o sucessor de “Codex Omega” mas este álbum sente-se bastante diferente. Continua a trazer o peso bruto mas a par dele, e de um maior foco na melodia e na experimentação dos primeiros tempos. Não, não é um regresso às raízes, mas é um álbum onde temos as melodias tão efectivas como nessa era e ainda uma tentativa (bem sucedida na minha opinião) de quebrar com a fórmula que já aparentava alguns sinais de desgate. É diferente sendo discutível se melhor ou pior mas definitivamente tão interessante quanto o que têm feito.

9/10
Fernando Ferreira


Helsótt – “Will And The Witch”

2022 – M-Theory Audio

Os Helsótt são um dos bons nomes (e sóbrios) do folk metal, conseguindo evitar alguns lugares comuns – que na verdade muitos deles adoramos mas não deixam de ser lugares comuns – sem que por isso deixem de perder impacto. O jejum de música nova já durava há quatro anos mas foi quebrado coim este “Will And The Witch” que não é nada mais do que um álbum conceptual sobre a lenda de como Billy The Kid se tornou o pistoleiro mais rápido do velho oeste. Ora à partida seria o último tema que se esperaria de uma banda de folk metal, mesmo sendo dos Estados Unidos – o que torna natural já faz parte do seu folclore. A banda mantém a sua faceta mais sóbria – ou seja temos o death metal a assumir como sempre grande parte do protagonismo – e os resultados são bastante acima da média para não dizer que são bons. Evocando a máxima de “preso por ter cão, preso por não ter”, teria sido particularmente eficaz se embarcassem nalguns lugares comuns esperados, ou seja, em evoca pormenores musicais relativos à época e história em si. Seria esperado mas também igualmente prazeiroso. Acontece algumas vezes, como no início da “Skin Out” ou da “Navajo Crow”, mas sempre de uma maneira muito subtil. No geral, é o álbum que se esperava e mesmo com quatro anos de ausência, satisfaz plenamente as expectativas.

8/10
Fernando Ferreira


Caelus – “The Voyager, Pt.1”

2022 – Edição de Autor  

Segundo álbum dos Caelus, banda espanhola de death metal melódico que aqui apresenta-se bem melódica e com muito pouco death. E se esta constatação soa a crítica, não é. Apenas uma constatação da realidade sem julgamento. O tom da voz de Salva Ferrando (responsável pelas vocalizações limpas) faz lembrar Sonata Arctica e apesar da melodia abundante e de alguma aproximação a estéticas progressivas, as semelhanças, felizmente, acabam por aí. Como já disse, bem melódico, mas profundo, com uma capacidade emocional de fazer os seus temas interessantes sem se tornarem desesperadamente (ou aborrecidamente) lamechas. Talvez este álbum não seja aquilo que os fãs esperavam após quatro anos desde a estreia, mas qualidade não lhes falta. Fica a curiosidade para ver como vão evoluir daqui.

7.5/10
Fernando Ferreira


Esperfall – “Act I – Origins In Darkness”

2022 – H-Music

Primeira impressão, péssima capa. Que se torna ainda pior quando descobrimos que se trata de uma banda de metal sinfónico – que habitualmente é algo mais requintado e sofistificado. Felizmente a música não é tão básica ainda que tenha algumas dificuldades em descolar dos lugares comuns do género. Bons temas, boa voz operática (definitivamente) mas depois no geral andamos a circular pelos lugares comuns do género que andam a ser utilizados desde o primeiro álbum dos Theatre Of Tragedy em meados da década de noventa. Não sendo mau e sendo até um álbum de estreia interessante, é uma lembrança que os graus de exigência hoje em dia até pode ser um pouco injustos para quem talento mas falha em conseguir destacar-se do tudo que temos ou, pior ainda, já tivemos. Este primeiro acto apresenta uma boa banda, agora é continua a trabalhar para nos apresentarem um álbum ainda mais fulgurante.

7/10
Fernando Ferreira

 


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