WOM Reviews – Tetramorphe Impure / Yagow / Moon Coven / Matalobos / Lord Mortvm / Mepharis / Dunerider / Infirmum

WOM Reviews - Tetramorphe Impure / Yagow / Moon Coven / Matalobos / Lord Mortvm / Mepharis / Dunerider / Infirmum

Tetramorphe Impure – “Dead Hopes/The Last Chains”

2021 – Solitude Productions

Para quem gosta de doom metal (doom/death ou até mesmo funeral doom), está-se sempre aberto a novas bandas, pelo que foi assim que recebi esta compilação que se assemelha a um álbum de originais por parte dos italianos Tetramorphe Impure já que junta as duas faixas do EP “Dead Hopes” e as duas da demo “The Last Chains”, resultando em quarenta minutos de música que é digna de ser conhecida. Não temos grandes diferenças entre as duas fases – que assumimos ser distinta já que a demo é de 2008 mas não temos muita certeza de quando o EP foi editado – sendo uma viagem fantástica pelo mundo do doom metal mais pesado mas também mais introspectivo e melancólico. Admitindo que não encaixa exactamente no quesito do funeral doom, em termos de feeling encaixa perfeitamente. Boa surpresa e excelente banda.

9/10
Fernando Ferreira

Yagow – “The Mess”

2021 – Crazy Sane Records

Este é o som que me coloca numa disposição contemplativa. E que também me transporta para o espírito fantástico e saudoso do Reverence (e que acredito que seja em muito semelhante ao do Sonic Blast Moledo). Rock psicadélico e meio arrastado que tem um efeito relaxante simultaneamente à forma como expante a consciência humana. Fantástico pela forma como faz perder o sentido do tempo, como é místico e como consegue ser retro mas ao mesmo tempo actual e tão no momento. É disco para ouvir de seguida sem interrupções mas que se tirarmos um tema do contexto continua a ter o mesmo poder. “The Mess” é tudo menos confusão. É esclarecimento num mundo de confusão. Recomendado, claro está.

9/10
Fernando Ferreira

Moon Coven – “Slumber Wood”

2021 – Ripple Music

A genialidade necessária (e muitas vezes não reconhecida) para fazer um álbum de stoner/doom é um assunto já demasiadas vezes abordadas nestas páginas mas tenho de confessar que é a música que impele a que esse assunto continue a regressar. Seja por a vislumbrar-mos ou por não a encontrarmos. “Slumber Wood” será um desses trabalhos, pelo lado positivo. Misturando stoner e doom com um certo espírito psicadélico, é de génio apreciar a forma como a banda consegue através da repetição atingir altos níveis de eficácia. Eficácia, obviamente, verificada por quem tem amor ao género. Mais do que termos ritmos lentos a pastelar, este é um daqueles álbuns “transformers” – “more than meets the eye”. Fantástico e enorme na forma como cresce a cada audição.

9/10
Fernando Ferreira

Matalobos – “The Grand Splendour Of Death”

2020 – Concreto Records

Matalobos é um nome catchy. Pelo menos para quem fala português (e obviamente castelhano), por isso esta primeira abordagerm do segundo álbum dos mexicanos é logo recebido com curiosidade. Curiosidade que fez com que houvesse um impacto positivo perante a sua mistura old school de doom e death metal melódico. Clássico, desde o primeiro instante. “The Grand Splendour Of Death” é um álbum que não se perde em exageros necessários como fazer temas com mais de dez minutos ou coisa que o valha – não que haja algum problema com isso, a questão aqui é não forçar e isso tem como resultado o álbum ser fluído e fácil de se voltar a ele. Melancolia e melodia sem cair no ridículo e sem perder o punch emocional. Fantástico e recomendado.

8.5/10
Fernando Ferreira

Lord Mortvm – “Diabolical Omen Of Hell”

2021 – Helter Skelter Productions / Regain Records

Não sabia bem o que esperar por parte desta one-man band norueguesa. Ou melhor, julgava que sabia, tendo em conta o país de origem, a capa, o nome do álbum… mas os níveis de doom aqui evidenciados são surpreendentes. E excelentes também, diga-se de passagem. A sonoridade arrastada também tem muito de sludge mas a entrega vocal de Lord Mortvm parece mesmo que estamos perante um mafarrico ancestral que veio à terra para provocar o caos e confusão. E consegue, de forma exemplar. Uma estreia que será mais recomendada aos fãs de doom do que black metal e provavelmente esse será o seu grande ponte forte.

8.5/10
Fernando Ferreira

Mepharis – “Eternal Night”

2021 – Edição de Autor

Aqui está o segundo álbum dos polacos Mepharis. Depois de passarmos pela sua estreia, “Eternal Night”, havia expectiva em relação a este segundo álbum principalmente por surgir sete anos após a estreia. Apesar da longa diferença temporal entre os dois, este assume-se como o segundo passo natural e até nem se registam muitas diferenças. Temos o feeling death/doom melancólico que encontra maior eco na voz de Cygan e as melodiasdos leads a serem o ponto mais forte e eficaz. Curiosamente, a componente thrash até está mais presente (com limites) sobretudo a nível da guitarra ritmo. A ter um defeito é mesmo de ser algo curto, podia ter sido acrescentado mais um tema ou outro aos sete aqui contidos – sendo que um deles é a cover dos Anathema “Restless Oblivion, que está excelente. Bom segundo álbum e comprovadamente uma grande banda.

8.5/10 
Fernando Ferreira

Dunerider – “Ruins”

2021 – Edição de Autor

Cavernosa estreia da one-man band francesa Dunerider. Cavernosa e arrastada, com aquele groove que deve tanto ao stoner como ao sludge. Não é indicado para quem tem resistências a ser bafejado pela brisa escaldante do deserto. É isso que sai das colunas logo no início da “Warlords”, épico que abre este álbum. É uma estreia ambiciosa e que se insere bem no nicho referido atrás, nem se mostra minimamente preocupada se consegue cativar para além dessas fronteiras que não são tão vastas quanto isso. Como apreciador de doom, este é um trabalho ao qual mergulho facilmente mas compreendo que não será assim para todos. Ainda assim, recomendo a quem gostar de ver o tempo a andar um bocado mais devagar. A vida torna-se bem mais relaxante desta forma…

8/10
Fernando Ferreira

Infirmum – “Walls Of Sorrow”

2020 – Inverse Records

Não há grandes informações acerca deste projecto, apenas que é composto por apenas um músico, Timo Solonen. A sonoridade é arrastada própria do doom metal mas o groove até parece que é mais próprio do stoner embora tenhamos por vezes alguns assumos de melancolia introspectiva. Ou por outras palavras, temos uma vasta panóplia de coisas típicas de tudo o que é doom condensados num só sítio. Esta multiplicidade de disposições poderá prejudicar o fluir da audição mas por outro lado, é um festim para quem aprescia o género.

7/10
Fernando Ferreira

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