WOM Reviews – The Way Of Purity / The 69 Eyes / Cradle Of Haze / Genuínos Extractos Nihilistas G.E.N. / Dreams in Fragments / Coronatus / Empathica / Astralium

The Way Of Purity – “Schwarz Oder Rot”

2019 – WormholeDeath

Confesso que não tinha especial curiosidade por este lançamento. Com uma imagem algo estranha, deu-me a ideia de que era mais uma banda apostada em chocar (ou pelo menos intrigar já que hoje em dia muita pouca coisa é capaz de chocar) do que propriamente em trazer música de qualidade até nós. Não poderia estar mais errado. Apesar de não haver propriamente surpresas em relação à sonoridade – metal de inspiração gótica – os resultados são efectivamente fantásticos. Temas orelhudos e com profundidade que nos fazem lembrar nos anos noventa quando o género estava em franca expansão. Nem sempre estamos certos e é bom estar errado perante música deste calibre. Excelente surpresa!

Nota 9/10
Review por Fernando Ferreira


The 69 Eyes – “West End”

2019 – Nuclear Blast

Regresso de uma banda que, de uma forma geral, com mais ou menos sucesso, não sabe fazer maus discos. “West End” mantém a tendência com o som clássico que a banda foi desenvolvendo, pegando aqui e ali na sonoridade de outras bandas icónicas quer no rock como no metal g´tico. Temos a voz icónica de Jyrki 69 que nos soa tão bem em refrões como “27 & Done”, a segurança e sobriedade da secção rítmica assim como as guitarras que dão a cor necessária. É um tipo de som que não deixa de glorificar a década de oitenta, mas como também soa actual. Melodias marcantes, grandes temas, não há muito mais que fique a faltar.

Nota 8.5/10
Review por Fernando Ferreira


Cradle Of Haze – “XII”

2019 – darkSIGN-Records

Tal como o título do disco evidencia, este é o décimo segundo trabalho dos alemães Cradle Of Haze, uma marca sempre impressionante e até, de certa forma, caída em desuso nos actuais tempos de singles, mp3 e outras coisas para consumir no momento. Os Cradle Of Haze reuniram para este trabalho nove temas fortes onde as ambiências electrónicas se mostram prevalecentes mas não dispensam aquele toque de rock gótico. De vez em quando lá vão buscar umas melodias mais folk mas nada que os faça desviar do caminho previamente traçado e percorrido aqui também. É inevitável a comparação com Rammstein em alguns temas, principalmente pela entoação dada por Thorsten Eligehausen, mestre mor dos Cradle Of Haze, no entanto nada que ponha em causa a identidade do projecto.

Nota 7.5/10
Review por Fernando Ferreira


Genuínos Extractos Nihilistas G.E.N. – “Memories”

2019 – Edição de Autor

Quando se lê uma descrição de uma banda como pós-rock, alternativo e Gothic Mock (sim desconfiamos que seja um erro de ortografia mas como aparece em dois locais do press release e como o “r” ainda está distante do “m”…), é de desconfiar. Normalmente esta pluralidade de géneros é algo bastante ao lado. Com a dupla expectativa de encontrarmos ou algo bastante ao lado ou algo realmente novo, pegámos em “Memories” e não ficámos desiludidos. Bem, em relação às expectativas que tínhamos, definitivamente, mas em relação à qualidade do seu som, impossível. Os meandros por onde se movem é por entre o rock/metal gótico, com a capacidade de criar boas canções, com uma excelente e memorável voz (e memoráveis melodias vocais, já agora), ficando no final com uma excelente surpresa para todos os que gostam de um bom gothic metal.

Nota 8.5/10
Review por Fernando Ferreira


Dreams in Fragments – “Reflections of a Nightmare”

2019 – Rockshots Records

Os Dream In Fragments são uma banda suíça que se estreia no panorama metaleiro com o seu recém-lançado álbum, Reflections of a Nightmare. A banda apresenta-se com este álbum, como um grupo dedicado ao estilo sinfónico e melódico, sendo os aspectos que mais contribuem para esta combinação de géneros a presença constante de piano/teclado programado como também o vocal feminino limpo e de excelência – fica também o aviso que pretende ficar-se pelo estilo angelical e que qualquer registo de agressividade está extinto neste departamento (há uma introdução de outros vocais pelo meio que de seguem um caminho mais agreste, mas com excepção de uma faixa, servem mais de apoio que outra coisa).  Já nos restantes instrumentos é adotada uma posição mais variada se bem que continua a haver sempre um pendor para o ambiente pacífico já proporcionado pelo vocal. Mas há momentos mais pesados e imponentes neste álbum, não se preocupem. Este álbum desenvolve-se de uma forma bastante fluída, sendo que as próprias faixas, individualmente, seguem uma determinada evolução sem estarem sempre presas a grandes repetições de tons, o mesmo podendo ser dito em relação ao álbum num todo que não se repete de forma alguma. De uma forma geral, o álbum divide-se em dois blocos: o vocal e o instrumental, o primeiro zela pela harmonia total da peça e o segundo confere um ambiente algo volátil que agiliza a audição. É uma audição relativamente leve mas de qualidade que segue nas pegadas de bandas como Nightwish com uma certa redução em solos “flashosos” e em “epicidade sonora”. Definitivamente aconselhado áqueles que preferem estes estilos mais melodiosos e ligeiramente sinfónicos e áqueles que gostam de ambientes sonoros mais evolutivos.

Nota 8/10
Review por Matias Melim


Coronatus – “The Eminence Of Nature”

2019 – Massacre Records

Os Coronatus são uma banda alemã formada em 1999 que ao longo dos anos tem vido a lançar vários álbuns com temáticas normalmente focacionadas no naturismo dentro do folk/sinfónico. Resumidamente, tematicamente assemelham-se bastante aos Eluveitie. O seu mais recente álbum, The Eminence of Nature, é agora lançado com uma composição de 9 músicas, sendo também apresentadas outras 9 que correspondem às suas versões instrumentais. Para mim este álbum começou no 0 e acaba por subir e acaba oscilando e começando a estabilizar para valores médios-bons de qualidade. Assim sendo, começo por explicar o 0 inicial. Detestei a primeira faixa por 2 motivos. Primeiro, por me parecer um aproveitamento de um slogan que está na moda, mas que começou a perder sentido desde o primeiro dia que foi enunciado, “No Planet B”. Isto é uma review musical e não me vou alongar nisto, apenas digo que acredito totalmente na crise ambiental em que vivemos e que temos que atuar juntamente para a redução dos impactos que fazemos, apesar de ter muitas críticas sobre alguns que passaram de ambientalistas a populistas verdes. Dito isto, este título parece-me só servir para chamar a atenção (tanto assim que chamou a minha) e desde os 8 anos que o meu médico me diagnosticou com alergia extrema a este tipo de aproveitamentos. Segundo, esta faixa tem uma sonoridade tão positiva que de repente me pareceu que estava a ouvir uma fusão de hippie e de metal. Em termos líricos prefiro nem dizer nada, apenas que chegando ao refrão já estava pronto para pegar no meu cesto de vime e ir apanhar flores para o monte mais próximo (ou não porque isso é destruir o Planeta A) e sinceramente estava pronto para deixar esta review a meio. Felizmente não o fiz, já que a banda melhora bastante posteriormente com as suas apostas esporádicas numa maior intensidade ora de folk ora de sinfónico. Dito isto, a banda é extremamente volátil na sua sonoridade e cada faixa é mais imprevisível que a anterior, e isso é positivo para mim. Além dos intrumentos menos vulgares, têm solos moderados interessantes e um vocal bastante bom (tanto o feminino como o masculino) com as frequentes batidas que reforçam a veia metal da banda. Contudo, como é óbvio, nem toda a volatilidade é boa e por vezes há uns retornos ao som da primeira faixa que não são nada bem vindos.  Com tudo isto dito, acho que este é álbum interessante no mínimo; começa mal mas recupera bastante bem com sonoridades verdadeiramente impactantes, acho que será um álbum extremamente acessível á maioria mas principalmente para os apreciadores de estilos sinfónicos; para esses, têm aqui uma boa pérola. Tendo isto em conta, vou fingir que não ouvi a primeira faixa.

Nota 7/10
Review por Matias Melim


Empathica – “The Fire Symphony”

2019 – Edição de Autor

Confesso que houve um certo sentimento de déjà vú ao ouvir logo a intro “Invocation”, a abrir “The Fire Symphony”. Banda italiana, orquestrações em catadupa. Um reciclado de Rhapsody parecia estar no horizonte. Não será no entanto a maior inspiração dos Emphatica. Embora o elemento sinfónico seja realmente omnipresente, não deixamos de ter um foco mais voltado para os reinos do gótico, algo que a voz de Alessia De Benedictis também ajuda. O tal déjà vú pode ser o suficiente para que se forme logo uma opinião e não haja forma de lhe dar a volta, no entanto, tentando abafar isso, nota-se que a banda empenhou-se a sério na construção dos seus temas que vão para além do óbvio do metal sinfónico de orientações góticas. Boas melodias e boas canções sustentam e aguentam “The Fire Symphony” contra todos os lugares comuns. Com sucesso.

Nota 8/10
Review por Fernando Ferreira


Astralium – “Land Of Eternal Dreams”

2019 – Rockshots Records

Odeio ser aquele que diz “mais uma banda italiana de metal sinfónico a lançar um álbum de estreia” mas efectivamente os Astralium são italianos, tocam metal sinfónico e estão a lançar o seu primeiro álbum. Aquilo que os distingue no entanto da concorrência é a forma como o fazem sem que se dê conta que são novotos. Som profissional e poderoso, temas com poder (sim e lugares comuns a acompanhar todo o poder) e grandes executantes, a começar pela que dá mais nas vistas, Roberta Pappalardo. Temas como “My Life Is My Eternity” e “Hope Is Gone” demonstram que a Rockshots teve bom olho em escolher esta banda para o seu catálogo. O futuro decerto que trará coisas ainda melhores, mas para começar, está muito bom.

Nota 8.5/10
Review por Fernando Ferreira


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