O Álbum do MêsReview

Álbum Do Mês – Dezembro 2021

Álbum Do Mês – Dezembro 2021

Para acabar o ano em beleza, apresentamos um forte TOP 20, um dos mais fortes provavelmente de 2021. Este ano não foi o que se esperava. Foi uma recuperação tímida no nosso sector mas algo que é inegável, é a elevada qualidade das propostas que apresentou e como prova maior disso temos esta variada selecção de álbuns que vão do folk ao black metal com alguns grande

20 – Bonded – “Into Blackness”

Century Media

Segundo álbum dos alemães Bonded que continuam a dar forte na arte do thraaaaaaash! Não é para menos, esta continua a ser uma super-banda de thrash metal teutónico/europeu com membros e ex-membros de instituições como Sodom, Assassin, Suicidal Angels, Exarsis entre muitos outros. A brutalidade não faz esquecer a necessidade de ter alguma melodia mas ainda assim é o primeiro que domina as atenções, sempre com aquele contorno metálico tradicional. Esta fórmula resulta bem e faz com que facilmente quem gosta de thrash metal tenha aqui muitos motivos para ficar de orelhas no ar. Há aqui muita matéria neste álbum para fazer com que a banda passe de mais uma super-banda para um grande destaque da cena thrash alemã.

9/10
Fernando Ferreira

19 – Diablation – “Allégeance”

Antiq

O francês é uma língua que soa sempre bem no contexto black metal e esse é imediatamente o primeiro ponto de destaque da estreia dos Diablation. O segundo é a sonoridade que apesar de remontar ao black metal melódico – pelo francês poderá pensar-se em Anorexia Nervosa mas o que temos aqui é bem mais sóbrio e isso é um ponto positivo – consegue superar esses lugares comuns. A sua música encontra muitos espaços para respirar e esse factor é bastante importante pela forma como nos vai envolvendo com as suas muitas nuances. E por fim, a voz. Este tipo de voz é fantástica, consegue ser agressiva mas dualidade o suficiente para transportar outras emoções, o que valida a música para chegar a outros níveis de dinâmicas. É uma estreia muito interessante e que para quem acompanha o black metal melódico definitivamente vai ficar rendido.

9/10
Fernando Ferreira

18 – W.E.B. – “Colosseum”

Metal Blade

Os gregos W.E.B. são um nome que tem vindo a solidificar-se nos meandros da música extrema sinfónica. E com razões para isso. A ideia de misturar o black metal ao gótico e por consequência sinfónico não é nova – que diabos, neste mesmo top temos uma banda que o faz há mais de duas décadas – mas não é preciso ser pioneiro para se ser bom naquilo que se faz. “Colosseum” consegue conciliar toda a agressividade com arranjos majestosos e cinematográficos. Algo que podemos todos concluir de forma unânime que é o seu principal atractivo. O juntar imagens de filmes épicos (ou da criação da nossa mente) à música extrema. Apesar de ser ligeiramente curto do que o esperado, é bem conciso na forma como nos traz a potência sonora com as orquestrações bombásticas sem que um se apodere do outro. E o facto de ser também mais conciso faça com que se sinta que não temos qualquer tipo de gorduras ou fillers. Se souber a pouco, roda mais uma vez que isso passa.

9/10
Fernando Ferreira

17 – The Spacelords – “The Unknown Species”

Tonzonen

Nada como uma viagenzinha pelo espaço sideral que existe dentro da nossa mente – esse local inesgotável (ou assim deveria ser) – patrocinada pela música. Neste caso específico, a música dos The Spacelords que tem aquela capacidade única de nos levar a perder a noção do tempo. Mais importante que isso, faz-nos querer perder a noção do tempo. Três faixas, que vão dos oito aos vinte minutos que longe de serem viagens auto-indulgentes em relação ao talento que obviamente têm. O mesmo é evidente mas o que interessa é a música, ou melhor, a viagem. É por coisas assim que gostamos de ouvir a música, por poder presenciar a magia assim.

9/10
Fernando Ferreira

16 – Necrofier – “Prophecies Of Eternal Darkness”

Season Of Mist

Existem discos que pela sua simplicidade conseguem conquistar facilmente. Mesmo que essa simplicidade envolva inevitavelmente conduzir por caminhos já muitas vezes trilhados (por muitas pessoas) anteriormente. O encanto do black metal melódico dos Necrofier surge principalmente por essa guitarra estar sobretudo encarregue às guitarras, seja nos leads, seja nos solos. Uma ambiência que não se torna acessível, mas torna-se ainda mais deliciosa para quem gosta de ver a guitarra convertida a e a trabalhar para o “mal”. As referências a Dissection são leves mas é mais o espírito geral do black metal da década de noventa que mais é evocado e é ele que faz com que fiquemos hipnotizados e larguemos toda e qualquer resistência. O facto de ser uma banda norte-americana também é uma boa surpresa, já que o som soa-nos europeu. Seja de onde for, Satanás aprova, e nós também!

9/10
Fernando Ferreira

15 – Psilocybe Larvae – “Where Silence Dwells”

Edição de Autor

Consta que este álbum serve como celebração dos vinte e cinco anos dos Psilocybe Larvae. Como? Vinte e cinco anos? Como é que uma banda pode andar por aqui há tanto tempo e passar despercebida? Bem, várias respostas, na realidade. O facto de ter editado na última década apenas um álbum (e em 2012) pode ajudar a colocar em perspectiva. Mas se a ideia era mesmo comemorar a ocasião, é uma celebração fantástica já que este é um álbum que obriga a conhecer melhor a banda, praticamente. A mistura muito conseguida entre as vertentes melódicas do doom e do death metal que nos traz uma série de temas que fluem muito bem. Como álbum, isto é. Independentemente disso, qualquer um destes temas tem força individiual e este é um daqueles que nos vai acompanhar por muito tempo.

9/10
Fernando Ferreira

14 – Der Weg Einer Freiheit – “Noktvrn”

Season Of Mist

Adoro um disco que não tem pressa. Um disco que apenas se deixa fluir. Quando assim é, essa sensação é transmitida para o ouvinte – que esteja obviamente aberto a isso – que é transportado sem praticamente se dar conta. A sua forma de black metal – e haverão sempre aqueles a afirmar que isto não é black metal – encontra ecos com o post metal e aqui em “Noktvrn” mais que nunca. Neste aspecto e na fusão com outras sonoridades, este álbum dá um passo mais ousado, algo que “Immortal” comprova tão bem. O que para muitos pode ser encarado como uma simples tentativa de comercialização do seu som, para quem aprecia a “viagem”, é apenas mais uma forma de tornar o seu som ainda mais profundo. Não é pós-black metal de acordo com as definições que esse género carrega em cima. E sim, não poderemos incluir como simplesmente black metal porque há aqui tanto a acontecer para além dessa prateleira específica. É um trabalho que assume contornos e até cores bem mais do que aquelas que se pode pensar. Curiosamente, a capa aparentemente minimalista até consegue descrever a imensidão e toda a sua riqueza. É profundo a esse ponto.

9/10
Fernando Ferreira

13 – Navian – “Cosmos”

Indie Recordings

Primeira coisa a salientar deste “Cosmos” (e pelo título até faz todo o sentido): o ambiente. A atmosfera que os Navian conseguem construir é quase como se fosse um elemento à parte, por si só. Tendo em conta que estamos a falar de rock/metal progressivo instrumental, essa componente assume um papel muito importante. A música e as composições são guiadas pelo som da guitarra, quer no ritmo quer quando assume a liderança, com uma voz forte e distinta. É música instrumental que nem se sente como tal. Os riffs principais até podem ser um pouco mais complicados para o comum mortal que é alheio a termos como djent e pós-daqui e metalcores-dali, mas não é preciso ser formado nestes estilos para se poder apreciar este álbum que fala a linguagem simples e acessível a todos das emoções. Uma linguagem muito bem tratada até.

9/10
Fernando Ferreira

12 – Contemplation – “Contemplation”

Edição de Autor

Logo pela intro “Pagan Imersion” fiquei fascinado. É piar muito cedo, eu sei, afinal é a intro. E uma das razões de se desprezar tanto as intros hoje em dia, além do enjoo de termos levado com elas a torto e direito por décadas, é o facto de por vezes serem injectadas a martelo sem haver grande relação com o resto da obra. Não aqui. A intro que mete violino e um instrumento de cordas arraçado de campaniça (mas que não deve ser) é a introdução perfeita para o que se segue, um álbum de doom metal mas que não parece doom metal. Com uma vida e dinâmica que vai muito para além do estilo. O Metal Archives, na sua infinita sabedoria fala-nos de que se trata de death/doom atmosférico e tal até faz sentido mas parece-nos que é algo que vai muito mais além disso, indo por vezes até para campos mais black metal. Esta one-man band por parte de Matthieu Ducheine começa da melhor maneira a sua carreira, com um álbum que demonstra um grande talento para emocionar através da língua do doom metal e prova que essa mesma linguagem é mais diversa do que se poderia esperar.

9/10
Fernando Ferreira

11 – Khemmis – “Deceiver”

Nuclear Blast

É bom ver as bandas que lançaram álbuns por volta de 2017/2018 a voltar a lançar álbuns, agora que parece que o pó pandémico está (mais ou menos) a assentar. Especialmente bom ver os Khemmis a regressarem com um quarto álbum especialmente quando surgem com uma vitalidade destas. Para quem diz que o doom metal é um estilo aborrecido é porque nunca ouviram um álbum dos Khemmis e se começarem por “Deceiver”, de certeza que se vão converter. As muitos dinâmicas injectadas tornam um verdadeiro prazer fazer este caminho com eles. Sobretudo a nível vocal, com conjugação das vozes de Ben e Phil, que é um dos pontos de maior interesse, principalmente quando altenrnam vozes limpas com gritadas/guturais. As músicas também conseguem viver à altura das expectativas e do início ao fim é um álbum praticamente perfeito.

9/10
Fernando Ferreira

10 – Ravenous – “Hubris”

Feast Beast Records/Spiritual Beast

Confesso que por esta altura seria inesperado (ou mesmo improvável) surgir uma banda que pudesse surpreender pela positiva. Surgir não no mundo mas no meu horizonte – isto porque os canadianos Ravenous já têm dois lançamentos anteriores a este “Hubris. A saber, “Eternal Hunger” de 2017 e “Eat The Fallen”, a estreia de 2019. Ambos me passaram ao lado e graças ao impacto deste conjunto de canções, fico cheio de vontade de ir conferir. O seu power metal é dinâmico, grandioso e até orquestral, sem cair propriamente em exageros. Para simplificar, é como se tivessemos os Tyr , os Sabaton e os Powerwolf juntos no mesmo estúdio de gravação a gravar um álbum que recuperasse algum do entusiasmo perdido pelo género. Apesar da longa duração (mais de uma hora) e de alguns temas épicos, este álbum não cansa e é absolutamente recomendado para todos os fãs de power metal que estão cansados de ver as suas bandas a tocarem a mesma coisa. Poderá acontecer-lhes o mesmo (não sei qual o nível de progressão em relação à estreia para aqui) mas o que garanto é mesmo a lufada de ar fresco que este álbum representa para o género.

9/10
Fernando Ferreira

9 – Fere – “Visceral”

Raging Planet

Vou admitir a minha ignorância (ou falta de memória) em relação a esta banda. Daquilo que pude encontrar, este é o seu segundo álbum, sendo que o primeiro, “Montedor”, é de 2018. “Visceral” é, tal como o próprio título indica, intenso e rasgante. Vem das entranhas. Um disco instrumental mas que está longe de ser previsível dentro daquilo que encontramos nos trabalhos neste formato. Podemos encontrar uma espécie de fusão entre o pós-metal e o doom atmosférico, fusão que resulta de forma praticamente perfeita. O ambiente e a atmosfera é o grande elemento que se destaca e é o que fica na memória após estas cinco músicas passarem, mas a sua presença é tal forma forte que temos que voltar a elas mais uma vez. Tal como as plantas carnívoras da capa, a visceralidade do segundo álbum dos Fere manifesta-se de forma subtil mas sem deixar de ser por isso intenro. Um dos discos nacionais do ano, garantidamente.

9/10
Fernando Ferreira

8 – Devil Cross – “This Mortal Coil”

Fighter

A capa indica logo, apesar do acabamento digital, que estamos perante uma banda que aposta tudo no heavy metal tradicional. Não ficamos desiludidos. Aliás, fica-se logo fã à primeira audição. Os mais cépticos e descrentes do som sagrado poderão alegar que se trata da mesma fórmula de sempre – e isso é válido para todos os géneros com algumas décadas nas pernas e que não tenham muito mais por onde inovar sem propriamente. Terão quando dizem isso, não é por quebrar barreiras que este álbum é excelente. É mesmo por colocar ao de cimo aquilo que muitos se esqueceram, ou vão esquecendo lentamente: a alegria de tocar heavy metal pulsante, honesto e orgânico. Alegria que depressa se torna contagiante para quem reconhece o seu poder nas suas diversas formas, sobretudo na mais pura.

9/10
Fernando Ferreira

7 – Lucifer – “IV”

Century Media

Regresso inesperadamente cedo dos Lucifer, que até nem é de estranhar tendo em conta que “III” foi lançado quando a pandemia estava instalada desconfortavelmente nos escaparates que impossibilitou quase toda a promoção em cima dos palcos. É bom ver que a mesma não foi forte o suficiente para desanimar as hostes luciferianos e aqui estão eles, um ano e pouco depois a lançar mais um álbum de originais. Álbum que digo já que não surpreende. Por esta altura já não há surpresas, apenas certezas. Certeza de que estamos perante uma banda que trata o rock como realeza. A ele e a nós que o apreciamos e que com músicas como “Archangel Of Death” e “Nightmare” nos sentimos acarinhados. É retro e pode ser visto como o ponto alto de uma moda que olha mais para o passado do que para o presente ou futuro, mas o que é que isso interessa quando estamos perante grandes temas? Que se lixe a progressão se a mesma nos dá música medíocre. Precisamente o que não se tem aqui. Rock, occult rock, doom rock (se calhar stoner já é forçar a barra), chamem-lhe o que quiserem, é (e continua a ser) excelente!

9/10
Fernando Ferreira

6 – Hypocrisy – “Worship”

Nuclear Blast

Oito anos é uma quantidade absurdamente estúpida para se estar sem um disco de Hypocrisy. É notória a aposta de Tägtgren na última década para Pain ou até mesmo para o projecto com Lindemann do que propriamente trabalhar no próximo álbum de originais da mítica banda de death metal. E é natural, perfeitamente natural, a partir que no mundo cada vez mais selvagem da música é difícil de sobreviver. Havendo um caminho, é natural que se siga esse mesmo caminho. Para todos os que esperaram quase uma década  por este álbum, os níveis de expectativa estavam altíssimos. Não podendo falar por todos, posso dizer que essas expectativas não foram defraudadas. Temos aquele death metal melódico esperado mas longe de ser previsível – a “Dead World” é bastante imprevisível – e com contornos bem pesados que mostra que o músico pretende deixar os Hypocrisy bem assentes onde sempre ficaram, no death metal.

9/10
Fernando Ferreira

5 – Archspire – “Bleed The Future”

Season Of Mist

Obviamente que ao termos um novo disco dos Archspire, as atenções voltam-se todas para eles. Nem é de estranhar. Principalmente quando já se estava à espera há pelo menos quatro anos. Brutal mas sempre tecnicamente esclarecido, “Bleed The Future” vai exigir que exista uma maior atenção que estamos habituado. A música não é só violenta, não é só impressionante tecnicamente como também vai para além da simples exibição destas duas características e apresenta oito temas que são um mimo para quem gosta de ver o death metal puxado ao limite. Tal como é habitual, a coisa despacha-se ao fim de meia hora e fica-se satisfeito tal é a dose cavalar de metal que nos é injectada. Ainda que se possa sentir que não fizesse mal ao mundo mais dois temas, é uma dose que só deve precisar reforço daqui a dois ou três anos. Se o sistema imunitário estiver a fraquejar, sempre podem voltar a ele. Não há rejeições no organismo, garantidamente.

9/10
Fernando Ferreira

4 – Gåte – “Nord”

Indie Recordings

É oficial, estou irremediavelmente apaixonado por esta banda. Os Gåte são um excelente exemplo de como é possível pegar nas tradições ancestrais e fazer excelente música que continua relevante nos dias de hoje. A alma e a atmosfera capturada neste grupo de canções é simplesmente fantástica e apaixonante e este disco assume-se como uma experiência espiritual que é OBRIGATÓRIO ter. Nem que seja apenas uma vez. De certeza de que vos vai tocar de alguma forma. E como isso vai acontecer, de certeza que vão voltar a ele durante mais umas vezes. Mesmo que seja um disco que merece colocar o mundo em suspenso. O mundo e o tempo. É exigente a esse ponto mas generoso ao ponto de dar muito mais de volta. Uma experiência que é recomendada/obrigatória para quem é fã do folk escandinavo e para todos os que gostam de bandas-sonoras ou simplesmente de viajar ao som da música.

9/10
Fernando Ferreira

3 – Daxma – “Unmarked Boxes”

Blues Funeral Recordings

Dos Estados Unidos, chegam Daxma, que já se tinham apresentado em 2017 mas apenas agora regressam com o segundo álbum. E é aquele álbum ideal para fisgar quem andava distraído por altura do primeiro. O doom metal melancólico cheio daquela aura atmosférica do pós metal – que em muitos momentos do trabalho acaba por dominar os escaparates por inteiro – é-nos oferecido de uma forma apaixonante e totalmente irresistível. Não é o sentido de tristeza nem a emotividade melancólica que nos captura, embora seja um trunfo bastante eficaz, mas é antes o sentido de beleza que faz com que olhemos para esta verdadeira obra de arte com admiração. Há aqui momentos de verdadeiro fascínio musical – “Hiraeth” é um destaque mas no geral o destaque é relativo já que este é um álbum para ouvir do início ao fim. Um dos tesouros de 2022.

9.5/10 
Fernando Ferreira

2 – Cradle Of Filth – “Existence Is Futile”

Nuclear Blast

Os Cradle Of Filth, tal como qualquer outra banda com décadas de carreira, teve muitos altos e baixos ao longo dos tempos. Não vou ser rigoroso ao ponto de dizer que a última coisa boa que fizeram foi o “Dusk And Her Embrace” ou o “Cruelty And The Beast” mas também não vou alegar que a mística dos primeiros álbuns permaneceu intacta conforme foram lançando trabalhos e rodando músicos, sendo Dani Filth o único nome que se manteve constante em todas as fases. E é nele que recai também sempre a orientação conceptual, orientação sempre interessante mesmo quando a música não acompanha. Este álbum tem sido apontado como muitos como um regresso às origens amadas. Não discordo, mas essa tendência é algo que pode ser apontada aos últimos trabalhos que têm sido, na minha opinião acima da média. É um álbum que vai buscar alguma da imponência orquestral do “Damnation And A Day” (o factor mais memorável do álbum, ainda mais que a música em si) e lhe junta uma violência metálica que tem aquele sabor característico. Não é um regresso às origens, é apenas a banda a seguir o caminho que tem seguido nos últimos anos, um caminho que nos permite, nós ouvintes, ter regularmente álbuns fantásticos. Este é (tudo mas) apenas mais um.

9/10
Fernando Ferreira

1 – Exodus – “Persona Non Grata”

Nuclear Blast

Sete anos é muito tempo para o mundo estar sem um disco dos Exodus. E faz sentido sendo que Gary Holt esteve ocupado com os Slayer. Entre ter os Slayer a dar concertos ou os Exodus a lançar álbuns, é preferível ter os Exodus a colocar bujardas destas cá fora. Thrash metal com uma dose de intensidade acima da média e com especial inspiração. Talvez fosse a fome de disco que fez isso ou seja a nossa fome de thrash bruto mas seja como for e arriscando saltando o teste do tempo, este álbum parece-nos que é dos mais sólidos desde o regresso. Sólidos e violentos, durante uma hora, não há pausa no pescoço. Mesmo com temas menos imediatos (“Elitist” é aquele que surge logo em mente) ou mais compassados (“The Years Of Death And Dying”), tudo soa bem e até ajuda a que mesmo sendo um álbum sem concessões no peso, é bastante dinâmico. Talvez fosse a fome, mas era mesmo disto que se estava a precisar.

9/10
Fernando Ferreira

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