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Álbum do Mês – Novembro de 2021

Álbum do Mês - Novembro de 2021

Um mês chega ao fim, outro começa logo de seguida, e nós aqui já temos vinte álbuns para apresentar. E será o último mês que iremos fazer com as presentes regras – que passo a relembrar para não se recorda ou conhece: álbuns que são lançados no mês em questão ou no final do mês anterior. Sendo um factor limitador em termos de tempo que temos disponível para apreciar os álbuns com o devido tempo e dado que muitas das promos não são recebidas com a antecipação desejada, vamos reverter à modalidade anterior que é, considerar elegíveis todos os álbuns que ouvimos no mês anterior e que cujo requesito é que tenham sido lançados no presente ano. E que, claro, que tenhamos a promo em ficheiro de forma a que possamos incorporar nos nossos podcasts.  Para a despedida temos então mais uma escolha eclética de grandes álbuns que recomendamos para todos vós.

20 - Kill City – “Last Man Standing”

Music-Records

Veteranos brasileiros do death metal que voltam dois anos depois e com uma pandemia pelo meio – tendo sido particularmente brutal no Brasil. As frustrações que possam ter sido criadas aqui parecem ter sido bem exploradas neste que é já o seu nono álbum. Cru e sem grandes espalhafatos, os Nervochaos sabem bem como cativar as atenções. A sonoridade poderá ser crua e até algo limitada mas uma coisa ninguém pode acusar, de não ser orgânica. Som honesto e dinâmico que faz com que este álbum consiga satisfazer quase todas as exigências dos fãs mais exigentes do estilo. Uma lembrança de que não temos de estar sempre na vanguarda e que nem toda música tem que quebrar barreiras. Para se ser exigente, basta exigir que seja bom. Temos treze temas a dizer-nos isso mesmo.

8.5/10
Fernando Ferreira

19 - Michael Schinkel’s Eternal Flame – “Gravitation”

ROAR! Rock Of Angels Records

Este é um top nostálgico. Não de uma maneira forçada mas temos tido muitos lançamentos que nos fascinaram que vão beber a outras décadas e que o fazem com aquele gosto em fazer perpetuar o tipo de música que gostam. No caso dos Eternal Flame, projecto do talentoso Michael Schinkel, temos a piscadela totalmente descarada ao som que Yngwie Malmsteen popularizou. Temos a Stratocaster, o nome da banda depois do nome do músico e aquele sabor neoclássico que é inconfundível. No entanto, não é uma cópia deslavada do original, já que há uma identidade criada que vai para além do músico citado e centra-se mais na década em questão e nos elementos clássicos do hard’n’heavy. Mas se for para comparar com Malmsteen, podemos dizer que Schinkel não só toca bem como também não tem necessidade de estar a demonstrá-lo em todas as músicas. Ah, e canta que se desunha – além de contar com a participação de Mark Boals e Göran Edman (os dois passaram pela banda de Malmsteen). Ou seja, um excelente álbum!

8.5/10
Fernando Ferreira

18 - Nervochaos – “Dug Up… Diabolical Reincarnations”

Xenokorp

The press release points out that Fool’s Ghost are currently challenging the notion of what is heavy in music, and we absolutely agree. In practical terms we can’t say that is near metal. There aren’t (precisely) distorted guitars neither frantic rhythms. However, we do have the ambience: a ghostly oppressive ambience that settles in without giving us any chances. In the other hand, it allows us to grow while also allowing us some measure of hope or at least scraps of said hope scattered in the horizon. Stylistically, it’s not an easy work to categorize. It makes you want to call it ambient doom, though, because it encapsulates these both worlds and many other things. “Touch” is an hymn capable of moving even the most stuck piece of marble and as it, there are many others that leave us defenseless to our own feelings. Before the abyss but simultaneously with the will to jump to it, head first; which ends up happening, eventually, throughout these forty two minutes.

8.5/10
Fernando Ferreira

17 - Disbeliever – “Archetype”

Revalve

O impacto do álbum é surpreendente. É gothic metal, de acordo com as regras esperadas do estilo mas com um factor de frescura que não é nada comum, pelo menos nos tempos que correm. Pensem naquilo que se fazia em meados da década de noventa, nomes como Paradise Lost ou os nossos Heavenwood (principalmente no “Swallow”) e poderão ficar com uma ideia bastante próxima do que se pode encontrar aqui. Bons temas, cativantes e onde as melodias ficam logo bastante registadas. Poderá soar a algo antiquado, esta fórmula, mas se ela resulta não devemos pensar dessa forma. Se resulta é porque está bem actual. A banda italiana tinha lançado a estreia em 2013 mas com este regresso, de certeza que não vão ficar tanto tempo fora do jogo. Ou pelo menos assim se espera. Mas também se ficarem, não vai ser aborrecido esperar pelo próximo. “Archetype” é um dos álbuns de gothic metal do ano.

8.5/10
Fernando Ferreira

16 - Hearts & Hand Grenades – “Between The Lines”

Eclipse

Quantas bandas não nascem como bandas de covers e depois materializam-se numa entidade com uma identidade forte? Muitas e os Hearts & Hand Grenades são uma delas. Devo dizer que a voz de Stephanie Wlosinski é o grande destaque, o primeiro e o mais forte (e duradouro) deste conjunto de temas. Uma voz rouca e forte, perfeita para um hard rock raçudo e tradicional mas longe de ser convencional. A produção puxa pelos graves e lembra coisas mais alternativas e é esse o carácter da banda que se torna único, essa mistura de algo que é tradicional com uma sonoridade mais moderna – mas que não soa deslocada. Tudo ainda mais incrível quando é já o segundo álbum da banda depois da estreia lançada em Janeiro deste ano. Já não se usa ritmos assim, algo cada vez mais raro, mas havendo qualidade, os beneficiados somos nós, quem gosta de boa música em geral e hard rock em particular.

8.5/10
Fernando Ferreira

15 - Aexylium – “The Fifth Season”

Rockshots

O segundo álbum dos italianos Aexylium não poderia ser mais previsível na forma. É precisamente aquele folk metal que se espera onde até arrisca algumas vezes a ir a um pézinho de dança no sinfónico. E isto até podem julgar que é algo mau, mas por muito que se pense isso, o entusiasmo que trazem para cima da nossa mesa é realmente único e contagiante. É o lado mais festivo mas nem por isso é aquela proposta típica do festival de Verão, quando haviam festivais de Verão. É mais melódico e de certa forma tenuamente melancólico, mas seja qual for o adjectivo, é bom. Ao ponto de ser imprevisível pelo impacto que causa. Para quem acha que está farto de folk metal, um bom teste para provar que estarão, provavelmente, errados.

8.5/10
Fernando Ferreira

14 - Ruttenskalle – “Skin’ Em Alive”

Ván Records

I’ll start this one by being honest. King Dude was never an artist that impressed me. Not that I wouldn’t admit his potential, mainly of the spectrum of the neo-folk, but I never understood much of his constant acclamations. This, while never stopping of punctually enjoying his work. However, and as always, I’ve always left to door open to be pleasantly surprised. Not only through an album that I enjoy, but that also makes me see and listen to King Dude as the others do. “Full Virgo Moon” is that album, where his folk assumes itself as more subtle and more profound, where his soul assumes a distinct aspect and at the same time vulnerable as it never was before. Listen to this fragility in tracks such as “Forgive My Sins”, and this is the type of soul we’re speaking of. This was the album that converted me into the cult and it’ll have the same effect in the non-believers out there.

9/10 
Fernando Ferreira

13 - Running Wild – “Blood On Blood”

Steamhammer

Running Wild, uma das grandes instituições do heavy/power metal alemão está de volta com mais um álbum de originais. Ora não vou negar que o entusiasmo que tinha antes por estar perante um álbum da banda de Rock’n’Rolf já não é a mesma, afinal os seus últimos álbuns não passaram da mediania. Isto antes e depois do regresso em 2011. O álbum verdadeiramente explosivo para mim foi o “Black Hand Inn” no já longínquo ano de 1991 e não quero com isto dizer que “Blood On Blood” é um regresso a esses tempos. Não, nem sequer é um regresso a uma era específica. É o regresso dos Running Wild, inspirados e com um som mais orgânico (poderia ser ainda mais) e com músicas que têm aquele toque mágico que os Running Wild tinham. Heavy metal com melodias marcantes, bons riffs e bons leads. A voz de Rock’n’Rolf não dá para grandes aventuras mas isso também nunca foi algo que a banda precisasse para fazer bons temas. É um álbum apaixonante ao qual os fãs de heavy metal deverão ir a correr. Fala-se muitas vezes de regressos à boa forma sempre com a tentativa de inspirar e cativar os fãs mas aqui não é publicidade enganosa.

8.5/10
Fernando Ferreira

12 - Anti Ritual – “Expel The Leeches”

Indisciplinarian

Porrada, porradinha, até partir a pinha. Mas esta é da boa. Sente-se logo no ar, assim que a intro começa a soar. Estes dinamarqueses não estão para brincadeira. Uma violência bruta que faz uma mistura que nem sempre resulta. Uma espécie de fusão entre death e black metal mas movidos numa base hardcore e por vezes grind. Raiva hardcore com riffs em tremolo picking? Como não gostar algo assim, principalmente se o poder é devastador. Como todas as coisas devastadoras, é curto mas letal. Mas não deixa de ser dinâmico e de ter muitas nuances que vão para além da castanhada pura e dura. É um disco que não envelhece ao uso e que dá mesmo muito gozo voltar e voltar. Excelente estreia!

9/10
Fernando Ferreira

11 - Jonas Lindberg & The Other Side – “Miles From Nowhere”

ModeMusic

Há nomes que poderão surpreender. Por passarem muito tempo nos bastidores, a ajudar outras bandas e outros músicos a brilhar e só quando os mesmos resolverm ir por um caminho a solo é que nos apercebemos disso. É o caso de Jonas Lindberg, embora em abono da justiça, o produtor e multi instrumentista sueco já tenha dado muitas mostras do seu talento na última década. Inclusive no trabalho de estreia a solo que antecedeu este “Miles From Nowhere”. Aqui não há um distanciamento daquilo que já tinha mostrado mas apenas um refinar da classe de rock progressivo quie é bem evidente. Os temas soam todos a verdadeiras canções, mesmo nos mais épicos (como a Floydiana “Summer Queen”, um belíssimo tema) e apesar da sua componente clássica soam-nos contemporâneos dos tempos que vivemos (numa realidade alternativa aquela em que temos na actualidade todo o destaque dado a lixo efémero). Não é um álbum ousado, que queira apelar fora do público do rock progressivo. Não quer nem precisa. Porquê fazer concessões quando se é tão bom a ser o que se é naturalmente?

9/10
Fernando Ferreira

10 - TDW – “Fountains”

Layered Reality Productions

Este projecto tem sido uma boa surpresa. TDW (que representa o nome do músico que está por trás de tudo o que se pode ouvir – Tom De Wit) ainda o ano passado lançou “The Days The Clock Stoped” e agora este ano está com “Fountains”, um álbum riquíssimo de metal progressivo bastante atractivo aos nossos ouvidos. Peso metálico e melodia clássica – “Hunter’s Eyes” dá uns repentes de Jethro Tull – que se traduzem em malhas viciantes. Por outro lado a disparidade de estilos que engloba não o torna como uma manta de retalhos que obriga a gostar de partes específicas e a ter que suportar outras. Quer quando vão para algo mais melódico, algo mais melódico e algo mais elaborado. Isto de uma forma sóbria e sem ter os exageros que até são normais quando se fala de one-man bands. Tem-se a sensação distinta que estamos perante um álbum de uma verdadeira banda. Um álbum que cativa e apaixona.

9/10
Fernando Ferreira

9 - Mortal Vision – “Mind Manipulation”

Redefining Darkness

Thraaaaaaaash! Thrash death mas ainda thraaaaaaaaaaash! E do fodido. “Mind Manipulation” poderá ter uma voz mais agressiva do que é normal – acho que sou a única pessoa no mundo a fazer a distinção disso nos dias de hoje – mas é do mais old school do que pode haver. Meia hora (ou menos) é só o que estes rapazes ucranianos precisam para nos chegar a roupa ao pêlo. Não é preciso mais. Riffs agressivos que fazem bom uso do mid tempo assim como também sabem quando devem carregar no acelerador e as referências certas para a coisa – a cada lead que surge, é inevitável pensar em nomes como Sepultura (ali por volta do “Beneath The Remains”). Toda a estética, toda a música, parece que nos apontam na direcção da década de oitenta do século passado e não seria estranho este ser um clássico desenterrado. Mas mais que cheirar a traças, o que temos aqui é mesmo um grande álbum, intemporal, de thrash metal.

9/10
Fernando Ferreira

8 - Obscura Qalma – “Apotheosis”

Rising Nemesis

Compreendo as vozes que falam contra o enfado de ver um certo filão explorado em demasia. Eu próprio sinto isso por vezes. Mas sabem quando é que se sente mais? Quando a música não nos toca por complete, quando nos é algo indiferente. Banal. Podemos dizer que algo que poderá pertencer a essa categoria é o metal com recurso a elementos sinfónicos. Os Obscura Qalma lançam o primeiro álbum e conseguem causar um impacto extremamente positivo com um álbum que leva todos os níveis a um extremo. O que poderá ser demasiado para quem gosta que a sua música respire e tenha dinâmicas acentuadas. Não é que não tenhamos (temos e muito) essas dinâmicas mas a intensidade e o ambiente é de tal forma sufocante que poderá ser demasiado para os mais sensíveis. Tendo em conta que estamos a falar de uma mistura de death e black metal, a sensibilidade também não deverá um problema para o público alvo.

9/10
Fernando Ferreira

7 - Apostle Of Solitude – “Until The Darkness Goes”

Cruz Del Sur Music

A avaliar pelo feedback no Metal Archives, fica-se com a ideia que o percurso dos Apostle Of Solitude tem sido apenas um pouco acima da média. Algo que contradiz o impacto que o trabalho dos norte-americanos teve neste escriba. Por isso é que é sempre bom ouvir os trabalhos sem qualquer infiltrações de opiniões que possam contagiar e criar preconceito. “Until The Darkness Goes” é um trabalho de doom metal e que mostra que os norte-americanos têm um verdadeiro respeito e paixão pelo estilo, sendo uma incarnação que vai para além de simplesmente replicar o que os Sabbath, Trouble ou Candlemass fizeram tempos idos, onde conseguem ter uma personalidade própria que deve muito à voz extremamente melódica que até nos relembra por vezes algo mais alternativo. Resulta, resulta mesmo muito bem. Como tal, é algo que deixa a curiosidade em relação ao que está para trás, se está mesmo nesta linha ou se eles aqui conseguiram um brilhantismo até agora inalcançado na sua carreira.

9/10
Fernando Ferreira

6 - Alkimista – “Cinzas”

Edição de Autor

Já falei algumas vezes da arrogância que se sente, quando se anda muito embrenhado nisto dos discos, por ter um conhecimento, julgamos nós, extremamente vasto e impressionante. E depois surgem projectos musicais, aqui ao pé do nosso local de residência, que até já vão no segundo álbum. E que esse segundo álbum é de uma qualidade estranhamente vencedora que até se fica perplexo em relação ao que se passou? Teremos passado para uma realidade alternativa? Nada tão interessante, apenas se é mortal e falível. A omnipotência e a omnipresença são conceitos engraçados mas não resultam na realidade. Se resultassem se calhar também o impacto de ouvir “Cinzas” provavelmente também não seria tão grande. Um trabalho soturno onde a beleza do doom metal (e o seu peso) percorrem vários passos. Um doom onde a melancolia é um martelo que tanto pode bater como veludo como um bate estacas que nos prende ao chão a cada pancada. O facto de ser cantado em português também tem uma forte importância na beleza e no poder. Claro que poderá sujeitar a um limite do público alvo mas temos exemplos em que o contrário sucede e alcance de mercados não deve ser uma coisa que Pedro Serpa, o mentor deste projecto, estará preocupado. Doom, pitadas de gótico e o death a lembrar os primeiros álbuns de Anathema e Paradise Lost, mas com um foco nas dinâmicas acústicas. No geral, um surpreendente álbum e uma revelação quanto a mim.

9/10
Fernando Ferreira

5 - Krvna – “Sempinfernus”

Seance

O início de “From The Shades Of Hades…” até poderá soar a um lugar comum. Assim como a capa, o titulo, o logo, o nome da banda… é black metal, não há nada como enganar. Só mesmo quem seja completo estranho à cena. E os Kvrna não se movem um mílimetro daquilo que se pode esperar de black metal agreste mas com aquelas melodias frias em tremolo picking que falam mais alto que tudo o resto. É uma estética que mesmo não tendo nada de novo, definitivamente que causa um impacto positivo. Esta one-man band australiana inicia o seu percurso com um álbum que não tem nada de novo, não traz nada de novo mas consegue ser eficaz ao ponto de nos deixar rendidos. É assim tão bom. Black metal clássico (de acordo com a segunda vaga escandinava, atenção) em 2021 e ainda algo excitante? E com solos (inspirados ainda por cima)? Passem por “Sempinfernus” e satisfaçam todos os vossos desejos pelas artes negras. Serão satisfeitas na perfeição.


9/10
Fernando Ferreira

4 - Burntfield – “Impermanence”

Progressive Gears

Adoro o underground. Adoro o que faço. Sinto-me abençoado por isso. Porquê? Não é apenas o falar de música. É isso, definitivamente, mas é sobretudo o de falar de música brilhante que eu sei à partida (porque conheço a cena onde estamos inseridos) que vai passar ao lado de grande parte do mundo). É frustrante? Também, definitivamente. Afinal este segundo álbum dos Burntfield é de uma beleza e de uma emocionalidade única. É daqueles trabalhos que nos despe para além do procurar por progressões de acordes ou estruturas mais ou menos complexos. É reduzir tudo à simplicidade do ser, do sentir. É bom ou não é bom? Tem impacto? Faz-te sentir? Faz-te sonhar? Indentificas-te com ele? Faz com que penses na tua vida, nas tuas vitórias, nos teus fracassos? Uma forma mais simples de ver e sentir a música, certamente, mas não menos própria e não menos essencial. É um álbum para colocarmos quando estamos numa de sentir as emoções que temos cá dentro e que por um motivo ou outro estão entalados. Um álbum para ouvir de seguida e sem travões, deixarmos fluir, deixarmos acontecer. Há quanto tempo isso já não acontecia?

9/10
Fernando Ferreira

3 - Dying Hydra – “Of Lowly Origin”

Narshardaa / Maniyax / Vikelighedsfjern / MinoRobscur / Heartland / Black Grain 

Bem vindos ao fim do mundo. É sempre irónico vermos bandas a lançarem-se com álbum de estreia que é daqueles que parece que vão abanar as estruturas do mundo e até por em causa, ainda que de maneira metafórica, a continuação da existência da raça humana. Um sludge metal poderoso e atmosférico que deixa em contemplação, como um mistério que quanto mais se aproxima do final, mais se adensa antes de revelar por completo. Não é que no final tenhamos encontrado a iluminação mas a ilusão da mesma é tão real e ao mesmo tempo transcendental que por momentos parece isso mesmo. É música para meditar mas ao mesmo tempo para ilustrar o quão por vezes nos precisamos de abstrair da “realidade” que temos para dar espaço a outras possibilidades. Demasiado esotérico ou metafórico para se ficar com uma ideia do que raio se passa aqui? Por vezes é assim, quantas mais perguntas temos, mais perguntas criamos.

9/10 
Fernando Ferreira

2 - Häxkapell – “Eldhymner”

Nordvis Produktion

A cada vez que ouço (ou até penso) de que estamos a ouvir sempre a mesma coisa e não há inovação, surge uma banda a lançar um álbum de estreia que reflecte precisamente aquilo que foi feito há coisa de duas décadas (ou mais). Parece que é de propósito apenas para evidenciar a forma como o ser humano (principalmente este escriba) é cheio de contradições. O lado bom é que “Eldhymner” é mesmo um álbum do caraças, que mesmo apoiando-se na típica fórmula escandinava de metal épico com alguns tiques de melodia que resultam tão bem, que é logo visto e sentido como clássico. Sendo lançado agora, o alcance será certamente menor que caso tivesse sido lançado em 1996 (ano mágico) mas a forma como o mesmo marca hoje em dia é também testemunho do seu poder. Um poder que nem todos poderão ser sensíveis, afinal estamos a falar de black metal que combina momentos de agressividade com momentos de beleza épica, dois elementos que nem sempre foram bem conjugados mas que aqui é feito com mestria. E logo ao primeiro álbum. Difícil de superar isto.

9/10
Fernando Ferreira

1 - Tower – “Shock To The System”

Cruz Del Sur Music

Não há como enganar. Esta capa mostra logo o que é. Ou para quem não anda a par da actualidade no heavy metal, mostra duas hipóteses. Ou temos um trabalho com pelo menos trinta anos que está agora a ser reeditado ou é um trabalho da nova geração de bandas de heavy metal que acarinha especialmente aquela época tida como dourada do estilo – a década de oitenta. Principalmente a sua primeira metade. É um álbum que não tem pudor nenhum em admitir esse amor pela nostalgia assim como nós não temos pudor nenhum em dizer que ficamos completamente fascinados com este álbum que contagia por completo todos os que gostem da forma como a guitarra se manifesta da melhor forma possivel – a tocar heavy metal. Não há qualquer aproximação ao que é moderno nem deve haver. Quando se tem a hipótese de fazer música intemporal, porque é que é que terá de haver a preocupação com o ser “actual”. O “actual” está claramente sobrevalorizado como se prova com estes dez temas.

9/10
Fernando Ferreira

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